segunda-feira, julho 02, 2012

"Happiness Only Real When Shared"

Felicidade.


felicidade 
(latim felicitas, -atis

s. f.
1. Concurso de circunstâncias que causam ventura.

2. Estado da pessoa feliz.
3. Sorte.
4. Ventura, dita.
5. Bom êxito.
a felicidade eternaa bem-aventurança.

Procurei-a no dicionário e foi isto que encontrei. 
Nalguns momentos esse pode parecer o único sítio onde a podemos encontrar, mas espero não ter de recorrer muitas vezes a ele. Eu decidi ser feliz, é uma opção que eu tenho. Não preciso ser sempre, sempre a toda a hora, até porque sei que isso não vai acontecer senão não teria termo de comparação que diferenciasse as coisas boas das menos boas. Prefiro dizer "menos boas", mais uma vez alegando o cliché do "copo meio cheio", mas o que estou prestes a escrever não tem a leviandade de um cliché repetido em centenas de e-mails e frases inspiradoras. Tem na verdade uma profunda leveza que me eleva a estados de nirvana impressionantes há muito almejados. Sempre fui adepto de celebrar as pequenas coisas da vida e posso orgulhar-me de o praticar no dia-a-dia. Não somos mais que meros grãos de areia neste mundo a viver uma vida fugaz que depressa nos escorre pelos dedos e não tenho tempo nem energia para ser consumida com as irrelevâncias que não me vão ajudar a alcançar e permanecer nesse estado orgásmico que é a felicidade. 
Estou numa fase de felicidade extrema e não tenho problemas em gritar isso ao mundo, em alto e bom som. Não é minha intenção esfregá-la na cara de ninguém como uma conquista egoísta, é minha intenção e dever partilhá-la porque ela só é real quando partilhada. 

Já estão comprados os bilhetes para viajar para Amsterdão, Berlim e Paris perto do final do ano com a Sofia, a espontaneidade de viajar com ela e vaguearmos ao sabor do vento deixa-me de sorriso na cara. Vou ver a Nádia em Berlim e vamos ouvir e cantar "Florence + The Machine", mas o facto de estar com ela é o que mais me entusiasma, a prova viva de que uma amizade pode ultrapassar as barreiras temporais e geográficas e permanecer incólume, acompanhada daquele humor tão próprio de nós. Até porque a Florence eu vou poder ver na primeira fila dentro de alguns dias em mais um festival de Verão e vou poder berrar com ela que os "Dog Days Are Over". Uns dias antes vou, também na linha da frente, saborear mais uma vez a minha querida Regina e envolver-me naquela magia que só ela sabe fazer ao piano. Estou quase a regressar à MINHA ilha, ao meu âmago, ao meu porto de abrigo que é o Porto Santo, é já em Agosto e não posso deixar de contar os dias para estar com a minha família. Sinto muitas saudades do rebuliço da Vila Palmeira, a azáfama tranquila de um sítio onde nos regemos apenas pelas horas dadas pelo sol e não pelos relógios que nos orquestram o dia-a-dia durante o resto do ano. Falo muito disso com a Leonor e já temos planos para os nossos dias cheios de tudo. A minha buganvília pendurada na janela está a florescer cada vez mais e por muito estranho que isso possa parecer, sou feliz a cada flor que desabrocha, apesar de já ter perdido a conta aos botões novos que despontam a cada dia. Miguel, lembras-te daquela tarde de Sábado em que nos jogámos nos puffs da praia do Castelo a ouvir aquela banda a tocar músicas que nos encheram o peito? Prometemos repetir mas acabámos por repetir a ida a outras praias não menos deslumbrantes na semana seguinte. Recebi dois postais de aniversário pelo correio! A infalível Tia Helena, sempre fiel aos seus envelopes e postais cheios de autocolantes continua a enviar um pouco de amor a toda a família a partir da sua casa nos arredores de Londres numa caligrafia inesquecível. O outro veio da Madeira, dos edifícios Dom João, começando a tornar-se uma tradição deliciosa. E foi de lá que chegou o primeiro telefonema de Parabéns, pela voz da Julianinha, a minha querida mãe que vai com toda a certeza ligar-me logo que terminar de ler esta publicação porque é mais fácil do que comentá-la por escrito, sempre atrás de um anonimato para me deixar baralhado. O Norberto não deve ler isto, o meu blogue, e é bom que não o faça porque senão sou deserdado. Logo de seguida veio a Sofia, como não podia deixar de ser. E depois a Avó Juliana, de quem eu morro de saudades a cada dia que passa. Não esqueço a alegria e rebaldaria que acontece nos almoços na Fernão de Ornelas, onde estava grande parte da família Espírito Santo no meu dia de anos, não por ser o meu aniversário mas por ser (mais um) momento de reunião familiar à volta de uma mesa redonda que já presenciou tantos momentos fabulosos, não apenas gastronómicos. Um telefonema apenas que permitiu perceber o quão unida e resplandecente CONTINUA a ser a nossa família. Tenho um orgulho grandioso nela. E aquela tarde passada no meio da serra, entre mergulhos, vinho verde em copos que se enchiam um atrás do outro como por magia, e conversas com algumas das pessoas mais interessantes que alguma vez conheci. O dedilhar de uma guitarra durante um jogo de futebol que me fez esquecer qualquer entusiasmo que pudesse daí advir, é que eu nem quis saber se tínhamos vencido ou perdido. Estava demasiado inebriado pela grandeza das pessoas que me rodeavam, pelas notas libertadas pela guitarra e pelo ar puro que se respirava. O primeiro toque. A primeira junção de mãos. A procura de momentos a sós onde os olhares pudessem ser trocados sem restrições. O coração a querer pular cá para fora, o desejo de um beijo e mais outro e mais outro. Existe melhor cereja no topo do meu bolo do que a sensação de me estar a apaixonar? E não, não quero saber da brevidade e prontidão com que digo estas coisas, acho que toda a gente já conhece os meus impulsos e eu não sou de guardar as coisas que tenho para dizer e VIVER para mais tarde. Tarde, seria não o dizer no exato momento em que as coisas são sentidas. Não sei o dia de amanhã, nem sequer sei o que vai acontecer às 16h desta tarde, mas sei que a esta hora escrevo estas coisas com toda a certeza de que é o que quero escrever. E quando o Tiago me surpreendeu com um bolo de profiteroles na minha chegada a casa? Foi mais um daqueles momentos soberbos, até porque eu comi os profiteroles todos sem ficar com peso na consciência e aposto que também não no corpo. Essas calorias não contam certamente. O almoço à beira-mar, a luz que se fez nesse dia. A reunião de algumas das pessoas mais importantes para mim ao final do dia, naquela que foi, a meu ver, a melhor celebração da casa da Sé. Foi uma noite de consagração que exacerbou ainda mais as coisas que tenho vindo a sentir. Apercebi-me como consigo ser imensamente feliz também com a felicidade dos outros. Aconteceu quando vi a alegria e admiração estampadas na tua cara ao ouvir os "Búzios" da Ana Moura, provavelmente a mesma cara de parvo que fiz durante o "Flagrante" da António Zambujo. E como quis fotografar a cara de êxtase da Marina ao vencer pela 5ª vez consecutiva com o seu Coltraine. Acho que vivi a vitória juntamente com ela, pelo menos durante os parcos segundos em que a vi celebrar com uma alegria contangiante. Pela primeira vez, partilhei a lambreta, "eu juro que guio devagarinho, tu só tens de estar juntinho, por questões de segurança" e foi assim que aconteceu. Soube ainda melhor do eu imaginava. Atravessámos a ponte ao som das músicas que já fazem parte de um repertório que será guardado para posteridade. Partilhei genuinamente os interesses por mundos que me eram desconhecidos e consolidei a ideia do Chistopher McCandless que dá título a esta publicação. A felicidade apenas é verdadeira quando partilhada.

E eu estou feliz como há muito não estava. Feliz e apaixonado pela vida, pelos meus amigos, pela minha família e por quem me preenche o coração de tal forma que parece prestes a saltar para fora do peito.



quarta-feira, junho 06, 2012

Eu Não Quero Fazer Mais Amigos

É verdade, eu não quero amigos novos. Os antigos já me dão trabalho de sobra. Sou no geral uma pessoa muito afável e a quem se pode apresentar a amigos, familiares e levar a eventos sociais sem correr o risco de eu fazer ou dizer alguma coisa embaraçosa. Sou até uma pessoa que à mesa mastiga de boca fechada, não limpa a boca na toalha de mesa e que não põe o guardanapo de papel no colo. Consigo inclusivamente desenvolver assuntos para evitar momentos mortos com as pessoas que acabaram de me ser apresentadas sem ter de fazer referência às condições meteorológicas. Com o tempo, tenho até desenvolvido uma forma bastante credível de demonstrar interesse sobre assuntos que nem para encher chouriços me interessam, o que me pode vir a tornar numa pessoa hipócrita, mas tudo em prol da manutenção de um ambiente são entre mim e as pessoas, normalmente amigos de amigos, com quem, por alguma razão, somos "obrigados" a conviver num determinado momento. 
Por essa razão, tenho o Facebook inundado de amigos. Familiares, amigos de infância, amigos de trabalho, amigos de paródia e muitos, mas muitos amigos de amigos que se não fosse por essa razão não fariam parte dessa lista. 
Portanto, esta minha dissertação quer explicar uma determinada coisa aos meus amigos e aos "mais-ou-menos-amigos":
Eu, Pedro Alexandre Espírito Santo Andrade, sou uma pessoa que tem um problema. Sou daquelas pessoas que quando chega a casa liga SEMPRE o facebook e pouco se importa se o chat está online ou não. Ligo o computador e assim fica, mesmo que eu esteja a lavar loiça, a jantar, a tomar banho ou a coçar a micose. E há pessoas que falam comigo. E eu vou confessar aqui que apenas respondo quando me apetece. E muitas vezes não me apetece nadinha. Deixo aquilo a piscar e se me apetecer vou lá ver o que me disseram. Podia pôr offline, é verdade, mas nem sempre me dá para isso. E depois o que acontece, o que é? As pessoas ficam aborrecidas com o Pedro que as ignora constantemente. Mas algumas pessoas vão ter de perceber que nem sempre há paciência para conversa de circunstância que começa com um "Olá, estás bom?", ao qual é respondido um "Sim, e tu?", terminando com um apoteótico "Também". Percebi entretanto que o chat do facebook permite saber se a outra pessoa já leu ou não a mensagem enviada, o que invalida a desculpa do "Desculpa, só vi mais tarde quando já não estavas offline". Estou tramado.

Aproveito a oportunidade para pedir desculpas e desejar Parabéns atrasados aos meus 1015 amigos que me esqueci de parabenizar, é a minha tentativa de redenção porque estou quase a celebrar mais uma Primavera e adoro receber mensagens e telefonemas e já estou a imaginar o drama de chegar à meia-noite e ficar a olhar para o telemóvel sem que ele toque. É toda uma situação.

© W2 Photography/Corbis

terça-feira, maio 15, 2012

Spartacus








Já tinha ouvido falar do fenómeno mas nunca tinha parado para assistir, até porque a minha vida deixa de existir cada vez que me resolvo embrenhar numa série e eu tenho muita coisa para fazer e um quarto para arrumar. No entanto, durante um momento de zapping, e perante uma cena cheia de gente muito pouco vestida e um pouquinho desinibida numa festa muito pouco católica, resolvi parar para apreciar a arquitectura italiana da casa da referida festa. Sabe Deus o quanto eu gosto da cultura italiana. Completamente rendido após os primeiros minutos de total galdeirice que puseram qualquer "Eyes Wide Shut" a um canto, apercebi-me que não se tratava de um canal de bolinha vermelha, mas sim a FOX. E para melhorar a coisa, em HD, não vão os pormenores passar despercebidos. Confesso que tive de andar algumas vezes para trás graças ao maravilhoso comando do MEO e provavelmente devo ter tido a necessidade de rodar a cabeça para compreender melhor algumas partes, pois aquela realidade italiana dá a volta à cabeça de uma pessoa. Tão modernos que eles eram. De falar em dar a volta à cabeça, há todo um outro fenómeno que acontece naquela série que me deixou um pouco perturbado. Em apenas 3 episódios acho que conseguiram esventrar, decapitar ou desmembrar umas 57 personagens que eu achava que eram principais, o que para mim, que tenho memória de peixe e demoro 4 temporadas de qualquer série a decorar os nomes das personagens, me emaranhou os circuitos. Há uma carnificina a cada minuto que passa e quando as pessoas não morrem ao primeiro golpe da espada, acabam por definhar devagarinho, acabando sempre a vomitar sangue em jactos. Um bom serão, principalmente para a altura do jantar, como eu resolvi fazer esta noite com a minha salada de atum. Portanto, e resumindo, temos mulheres sensuais e marotas e homens musculados cheios de testosterona que se enrolam uns com os outros sem critério, temos malhas de intrigas, temos traidores, temos muito sangue e muito ódio e desporto. Quer dizer, uma espécie de desporto, vá. Podemos chamar desporto àquilo que acontece lá nas arenas, certo?

Arrisca-se a tornar-se no meu mais recente e bizarro vício. Odeio. 


quinta-feira, abril 19, 2012

"First Days Of Spring"



"Era mais um daqueles dias em que o cansaço se apoderara do meu corpo e tudo o que ele pedia era um banho quente de imersão e um chá quente a acompanhar. Um chá que lembrasse o tempo frio do Inverno que terminara, cuja passagem havia sido incólume, imperceptível. Tomei esse chá de mel e limão como a minha derradeira hipótese de me despedir condignamente dos dias cinzentos, entrelaçando com força os dedos das mãos engelhadas à volta da chávena. Os meus joelhos começaram a enregelar por estarem acima do nível da água fumegante e precisei encostar a chávena para atenuar o frio do ar que percorria aquela divisão da casa. Não podia chamar a Regina ou a Luísa para ligar o aquecimento central porque tinham saído até ao mercado para comprar flores frescas para as jarras da sala, nem tão pouco o Óscar, tão embrenhado há semanas na organização da festa para celebrar a chegada das andorinhas. Subitamente, contrariando todas as expectativas para aquele pesado dia, por entre os gigantescos blocos de cimento escuro colados na atmosfera, escapou-se um tímido raio de sol, logo seguido de outro e mais outro, que sem pedir licença atravessaram a vidraça e se instalaram nos azulejos baços do século XVIII que rodeavam a banheira. Senti a presença do Noé, que chegou a casa com a ligeireza de sempre. Quando ele chegava era como se viesse acompanhado de uma orquestra que, delicadamente, enchia a casa com aquela sensação de leveza primaveril e que nos permitia ouvir o desabrochar das flores. E os meus joelhos aqueceram com os raios de sol que ao bater neles, os transformaram em arco-íris sobre a minha pele. Aproveitei a música que entrara com o Noé para terminar o banho que me acabara de revigorar para o resto do dia. Um dia que, a partir desse momento, entrava em contagem decrescente para a chegada da Primavera. O Óscar não ia querer que o Mr. D. chegasse ao seu banquete sem a sua andorinha e para isso era necessário escoar o peso de mais de quatro estações pelo ralo abaixo. Para todos os efeitos, a água já estava suja e fria. E era Primavera. E era impreterível que não houvesse uma nova Primavera sem andorinhas no beiral do seu Palácio"


For I'm still here hoping that one day you may come back



sábado, abril 14, 2012

Atenção, eu não quero casar com a Luísa Sobral, apenas gosto dela assim em mointo. E também gosto de títulos enormes para as minhas publicações.

Já me cansei de usar a frase cliché "As coisas têm a importância que lhes atribuímos" mas a verdade é que para mim a Luísa Sobral é a minha cantora preferida. Não é estrangeira, não tem uma voz de Whitney Houston, não dança como uma Beyoncé da vida nem tem o rabo de uma Jennifer Lopez e ainda assim é dela que eu gosto. É daquelas paixões com quem queremos partilhar a lambreta num dia de sol até à beira rio ou até uma praia deserta. Daquelas com quem queremos ir passear o cão e deixá-lo correr à vontade sem trela pelos jardins da cidade. Daquelas com quem queremos ir tomar um chá e comer uns cupcakes num café com vista para a cidade de Lisboa. Daquelas com quem queremos espreguiçar na cama numa manhã solarenga de Sábado e tomar um brunch com sumo de laranja e tostas de queijo. Daquelas com quem queremos dar as mãos e passear com os dedos entrelaçados. Daquelas com quem queremos parar para cheirar as rosas. Daquelas em que ela é a Shirley Manson e eu o Elijah Wood no vídeo daqui de baixo. Aliás, não percebo como esta música é da Zee Avi e não da Luísa Sobral. Porque bem que podia ser.


E logo à noite, depois da fila da frente no São Jorge, da fila da frente no Sudoeste, do Casino de Lisboa e de uma tentativa falhada de vê-la na FNAC da Cascais, onde cheguei na última música, chega a altura do CCB. Não tenho a primeira fila porque não consegui, senão era mesmo lá que eu estaria. Sou o stalker nº 1 da miúda e assumo.

E é esta a minha declaração de amor à Luísa. Ponto.


quarta-feira, abril 11, 2012

"Kiss With a Fist"


Hoje estou com a neura. Já estava ontem, mas estava excessivamente neurótico para escrever sobre isso. E não, não é nada em particular, mas sim TUDO no geral. É mais ou menos isto que a Sofia falou um dia. É um bicho qualquer que está aqui dentro a remoer e que não há maneira de o cuspir cá para fora.  É uma inquietação constante que me impede de conviver pacificamente com seres humanos que me queiram contrariar. Se fosse mulher, acredito que isto deva ser o mais próximo da famosa TPM. Até agora tenho-me aguentado com um sorriso na cara, mas caso me encontrem na rua nas próximas horas ficarão já a saber que é melhor que não me aborreçam porque arriscam-se a levar um beijo com o punho. Estão no entanto à vontade para me elogiar e oferecer coisas. Não chocolates, por favor, estou em fase de comer tudo à dentada e ando a esforçar-me para não abrir as caixas de frutos do mar que tenho no armário da sala. Tenho uma barriga para mostrar no Verão, se faz favor. Ela e eu agradecemos. E provavelmente os banhistas também.
Preciso de sete dias longe do mundo, perto de ti, peço conforto de quem eu fugiiiiiiiii. Viram, até já canto isto da Sara Tavares. E se me atazanarem o juízo juro que ainda me inscrevo nos Ídolos e canto essa música ou uma do Rui Veloso ou da Adele. E vocês não vão querer isso. Não vão mesmo.

segunda-feira, abril 09, 2012

A Minha Lambreta É Pelo Mal

Anda uma pessoa a fazer declarações de amor à sua lambreta na praça pública, em paz com todas as preocupações que deu até o momento, celebrando as boas memórias e augurando muitas outras que estão para vir, para depois ela se espalhar ao comprido na Sexta-Feira Santa logo pela manhã, quando o seu dono tinha vestido a roupa da missa para ir passear com os pais. Não foi bonito, nunca é. Lambreta para um lado, Pedro para outro, desta vez com mais consequências para a rebelde motinha que ficou sem retrovisor. Sem crise, nunca precisei do retrovisor, mesmo estando lá, acabo sempre olhando para trás com a cabeça antes de qualquer manobra. Mas equivoquei-me. Uma mota sem retrovisor é o mesmo que um sorriso sem um dente da frente. Conseguimos aprender a viver com isso, mas nunca mais conseguimos impor qualquer tipo de respeito. Aposto que foi para a noite na quinta-feira e enfrascou-se a misturar gasolinas de baixa qualidade. Mas como sempre, foi incapaz de me chegar a casa de depósito cheio. 

terça-feira, abril 03, 2012

A Minha Lambreta


Já passaram 6 meses de vida em comum com a minha lambreta. Temos sido muito felizes juntos. Tirando aquele primeiro momento em que quiseste mostrar quem mandava no pedaço e me atiraste para o asfalto para tatuar os meus joelhos. Mas rapidamente nos reconciliamos e todos os dias nos cumprimentamos com um beijinho e uma apitadela.  Já adoecemos juntos e já rimos de muitos condutores de Playstation ao passar por eles no meio do trânsito, eternamente engarrafados e com um humor nublado logo pela manhã. Já quase levámos com portas no nariz, quase atropelámos peões que julgam ser super heróis e atravessar onde e à velocidade que lhes apetece. Já fomos rebeldes e atravessámos sinais vermelhos e acelerámos pela faixa do BUS como se aquilo fosse tudo nosso, sempre à espreita de algum polícia que nos apite e nos chame a atenção como naquelas vezes que fomos apanhados a andar em cima do passeio. Confesso que às vezes me aborrece o teu problema com a bebida, começa a tornar-se um vício cada vez mais caro e temos tido algumas discussões a propósito do assunto. Ainda não te estreei com mais alguém em cima, mas peço desde já desculpa ter-te deixado nas mãos de um novato, mesmo que por menos de 2 minutos e na minha Travessa com final e sem trânsito. Eu senti o medo quando voltaste ao dono, mas prometo ter mais cuidado para a próxima e certificar-me que a próxima pessoa que te acelere te irá tratar com o máximo respeito. 

Somos um acidente prestes a acontecer, mas isso é um pormenor.

"Vem dar uma voltinha na minha lambreta
E deixa de pensar no tal Vilela
Que tem carro e barco à vela
O pai tem, a mãe também
Que é tão, tão sempre a preceito
Cá pra mim no meu conceito
Se é tão, tão e tem, tem, tem
Tem de ter algum defeito
Vem dar uma voltinha na minha lambreta
Vê só como é bonita, é vaidosa
a rodinha mais vistosa
deixa um rasto de cometa
É baixinha mas depois parece feita pra dois
Sem falar nos eteceteras
Que fazem de nós heróis
Eu sei que tem um estilo gingão
Volta e meia vai ao chão
Quando faz de cavalinho
Mas depois passa-lhe a dor
Endireita o guiador
E regressa de mansinho para pé do seu amor"
Vem dar uma voltinha
na minha lambreta
Eu juro que guio devagarinho
Tu só tens de estar juntinho
Por razões de segurança
E se a estrada nos levar, noite fora até o mar
Páro na beira da esperança 
Com a luzinha a alumiar"

segunda-feira, março 12, 2012

Festivais de Verão 2012

Antes de mais nada, venho por este meio informar que ainda não morri para a vida e que apenas ando ocupado com nada em especial.

Justificada a minha ausência, venho falar das coisas que me apoquentam. Sendo que tenho dívidas para pagar, que esta  crise não pretende desamparar a loja e que o euromilhões não me sai nem a saca-rolhas, acho de uma indecência IMENSA os festivais de Verão em Portugal continuarem a ser dos melhores que se podia ter por esse mundo fora. Estamos em Março e eu estou já a pensar em como hei-de arranjar dinheiro para poder ir a todos os concertos que gostaria de ir.
Comecemos pelos concertos em nome próprio:

Feist, já na próxima semana no Coliseu de Lisboa e eu que não comprei bilhete e consta que já estão esgotados. Não sei se fico com menos peso na consciência por ter adiado e agora não haver mais bilhetes ou se me vou arrepender como aconteceu com os Goldfrapp há um ano e picos também no Coliseu. Não pensemos mais no assunto, que eu não quero aborrecer-me.

Madonna em Coimbra, bilhetes demasiado caros para vê-la do tamanho de uma azeitona, ainda para mais em Coimbra, vou deixá-la passar mais uma vez e é também um assunto proibido nesta casa.

Coldplay no Estádio do Dragão, apesar de os ter visto no ano passado no Optimus Alive, o bilhete está comprado desde o Natal e desta vez vou arrancar olhos a alguém para furar até à frente, sozinho ou com alguém que me queira acompanhar de saca-rolhas em riste.


Agora em relação aos festivais de Verão, ainda os cartazes não estão fechados e eu já tenho medo do que ainda está para vir. Este ano tiveram o condão de levar algumas das minhas bandas favoritas a festivais diferentes. Podiam tê-las condensado todas no mesmo festival para não fazer mossa na algibeira de um triste e pobre cidadão, mas não. Vamos antes extorquir o máximo do Pedrinho até ele ficar a pão e água. E pão do dia anterior, só para dramatizar a cena.

Super Bock Super Rock- REGINA SPEKTOR! Se me perguntassem qual o concerto que eu gostaria de voltar a assistir ficaria na dúvida entre Coldplay e Regina Spektor, sendo que o primeiro está despachado, eis que surge a confirmação da segunda! E apenas estes dois já farão o meu Verão. Este será outro daqueles em que vou abalroar seja quem for para ficar nas filas da frente. Já estou a contar os dias, que ainda não muitos. Com jeitinho ainda confirmam mais alguém de jeito para esse dia. 45 Euros o  bilhete de um dia.


Rock in Rio - Maroon 5! É daquelas bandas que neste momento gostaria de assistir a um concerto, já têm êxitos suficientes para encher um concerto de boas músicas do princípio ao fim. No entanto, tendo em conta os preços, provavelmente vou ter de passá-los... 61 euros o bilhete de um dia.


Optimus Primavera - Bjork! Queria muito vê-la, preferia num concerto em nome próprio, mas já ficaria bastante contente de vê-la seja em que registo for. Mas no Porto, porquê??? E nem dá para comprar um bilhete baratinho, são logo 85 euros para todo o festival. Códio, é que tenho a dizer.


Marés Vivas - Garbage! Vou bater na primeira pessoa que me falar do concerto deles, também no PORTO . É que nem tiveram a dignidade de pôr esses festivais no Norte todos juntinhos, são todos bem separados para obrigar uma pessoa a ir 48 vezes ao Porto este ano. 30 euros o bilhete de um dia, o mais simpático até agora.


Optimus Alive - Florence + The Machine! IMPERDÍVEL! E este vai rebentar pelas costuras. 53 euritos mais.


TOTAL: 254  EUROS. Haja dinheirinho. E é com apreensão que aguardo o cartaz do Cascais Cool Jazz Festival, ninguém me tira da cabeça que eles vão trazer a Adele mais dia menos dia. E o Sumol Summer Fest ainda há-de trazer o Jack Johnson só para me atazanar mais o juízo, aposto. Pelo menos o Sudoeste está a fazer-me o favor de estar com um cartaz do cocó este ano. 

Vou portanto trabalhar como um cão na esperança que tudo corra pelo melhor e que ninguém saia ferido dos acontecimentos dos próximos episódios. Adeus.

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Hoje eu podia escrever...



...sobre as minhas doenças infindáveis deste início de ano, sobre as coisas que quero comprar para a minha casa e que ando a adiar, sobre o dinheiro que não estica e tende a desaparecer do bolso, sobre o dilema amoroso da minha amiga, sobre as festas de aniversário que se multiplicam, sobre a ante-estreia do filme da Mónica, sobre a chuva que não cai, sobre as conversas "Sexo e a Cidade" que temos ao jantar, sobre o abandono do romantismo, sobre a difícil situação do país, sobre a minha insatisfação profissional, sobre os problemas sociais do Bairro onde dou aulas, sobre os planos em papel que não se concretizam, sobre as viagens que quero fazer mas que estou a adiar, sobre o cinismo daqueles que insistem em ser pesados em vez da leveza que julgam ter, sobre o Benfica que está cada vez mais longe do Porto, sobre as contas que tenho para pagar, sobre o tempo que nunca me sobra, sobre o exercício que não anda a ser feito, sobre a overdose de chocolates que acontece nesta casa, sobre o puzzle que ainda não está terminado.

Mas em vez disso, vou limpar a casa.

segunda-feira, janeiro 30, 2012

O Que Há de Novo no Amor?

Queria muito falar sobre este tema mas são demasiadas coisas a acontecer ao mesmo tempo. Um dia destes.
Convosco, o trailer do filme a estrear na próxima semana, da minha amiga Mónica Santana Baptista.

terça-feira, janeiro 17, 2012

Depois da Tempestade


...vêm os dias cheios de trabalho acumulado. 
Porque isto de ser trabalhador independente tem muito que se lhe diga e ninguém está propriamente muito preocupado se estamos prestes a ir desta para melhor. O balanço foi uma semana completa fechado em casa, a comer (sem grandes apetites e quando a garganta permitia), a dormir, a ver televisão e a fazer um puzzle de 1500 peças em tempo recorde no chão da sala. Isto nos intervalos dos episódios febris que, qual relógio suíço, chegavam sempre ao início da noite. E nada como uma gripe com febre e medicação em doses industriais para dar asas ao meu sub-consciente. Entre a imensa actividade na minha cabeça, lembro-me bem de um sonho que teve uma duração de um Senhor dos Anéis, que, resumindo, consistia na preparação de uma viagem para o Burkina Faso onde tinha uma amiga a estudar/trabalhar num projecto da área dela, Biologias e afins. Lembro-me de arrumar as malas, de fazer tempo para apanhar um táxi e contar os minutos para não perder o avião. Já dentro dele (sim, eu não fiz o check-in, saí directamente do táxi para o avião) adormeci - eu sou uma pessoa que adormece dentro do próprio sonho - e quando acordei já íamos a mais de metade do caminho. Vi isso através daquelas televisõesinhas que mostram o percurso. E segundo o meu sonho o Burkina Faso situava-se acima de Angola, no espaço que na verdade pertence ao Congo, tive de procurar no Google um mapa para perceber se eu adivinhava geografia através dos sonhos, mas chumbei. Chegados ao dito país, aterrámos junto a um lugar cheio de terra, carros a cair de podres e galinhas por todo o lado. Apanhei o comboio onde estava uma Tia minha a perguntar se eu tinha trocado euros para a moeda deles, que o revisor estava a passar e eu tinha de pagar o bilhete. E eu não tinha, mas por alguma razão, saltei essa parte do sonho e cheguei a casa da minha amiga, já sem a minha tia, onde ela vivia com outros amigos num ambiente típico de Erasmus, porém, num país de 3º Mundo. Quando cheguei entrei logo num quarto igualzinho ao meu cá de Lisboa e tinha companhia. É agora que começa a parte XXX do sonho e por essa razão vou ter de passar à frente, apesar de me lembrar bem do que aconteceu e com quem. Arf! Depois então fui finalmente cumprimentar as pessoas da casa e estava lá outro amigo da minha amiga. E lembro-me de perguntar o que se podia fazer de divertido por lá e me responderem que não havia nada de especial para se fazer.
FIM.

Conclusão: Para quê um charro ou um space-cake e corrermos o risco de ser apanhados pela lei quando se pode ter febre e medicamentos numa farmácia perto de si?


Detail of the Right Panel of The Temptation of St. Anthony by Hieronymus Bosch

© Massimo Listri/CORBIS


sexta-feira, janeiro 13, 2012

Top + (versão da casa)

Eu e o meu iPod não nos largámos o ano de 2011 inteirinho. Nem sempre foi bem tratado, seja pelas quedas ao chão, seja por certa qualidade musical duvidosa que o obriguei a ter, mas mal ou bem, ambos sobrevivemos. E como estou preso em casa nesta prisão domiciliária forçada pelas doenças da época e não tenho muito para fazer para além de dormir e ver televisão, decidi escrever este post muito pouco relevante com as músicas que mais tocam no meu iTunes e iPod. O Top 25 tem quase todas as músicas com mais de 100 reproduções e as duas primeiras com mais de 200. É mointo. E porque as músicas que ouvimos dizem muito de nós, mal ou bem, calhou isto:





















































Birds


Pegámos nas bolsas e arrumámos lá dentro as coisas que precisávamos sem grande cuidado. Pouco importava se as roupas não combinavam umas com as outras, a ideia passava por andar o máximo do tempo em fato-de-banho, óculos de sol e havaianas nos pés. Era Verão, aquela estação pela qual tanto ansiávamos. Não planeámos um único detalhe e partimos quase sem destino. Mesmo com tantas diferenças, encontrámos um no outro o equilíbrio perfeito para nos deixarmos ir com o vento sem perder aquele conforto quase familiar que nos ficou entranhado. 
Puseste a chave na ignição e decidimos que íamos ser leves. Pela estrada fora pusemos o volume no máximo e deixaste-me escolher as músicas. Cantámos, às vezes apenas eu, e tu não reclamaste. Não só não o fizeste como prestaste atenção ao que diziam as músicas, talvez por eu cantar por cima - à excepção das partes que não sabia, nessas, como te confessei, ficava subitamente mudo como se estivesse a apreciar a paisagem num breve silêncio para disfarçar e não estragar o momento que estava a partilhar com uma invenção qualquer da letra. 
Atravessámos campos cheios de palha, outros verdes, outros com flores de várias cores e percorremos estradas sinuosas com árvores plantadas à sua beira. E o mundo era nosso.
Com a mão fora do janela do carro, pus-me a fazer aquelas ondas como as crianças gostam de fazer e falámos das movimentações das altas para as baixas pressões e muitas outras parvoíces que rapidamente nos vinham à cabeça. 
Sabias que eu sentia-me no pico mais alto da vida e gostavas disso. Estávamos com um brilhozinho no olhar e o louro dos nossos cabelos resplandecia mais do que o normal.
E, não sei se te lembras, mas disse-te que aquele exacto momento era de certa forma, uma consagração daquilo que chamamos felicidade e que passamos o tempo todo a ambicionar. Aprendi que vivemos de momentos e não de fases e eu apercebi-me que aquele era "O Momento" e partilhei-o contigo. 


She said "what?"
He said "you"
She said "what are you talking about?"
He said "you"

(...)
She said "thanks, I like you too"
He said "cool"




quinta-feira, janeiro 12, 2012

This is not a new year's resolution:

Sinceramente, estou-me pouco importando para a crise no país, não me tem tirado o sono e prefiro mesmo nem ver os telejornais a espalhar sangue gratuitamente. Esta não é altura para lirismos. Esta não é altura para os poetas da vida. Esfregam-nos na cara uma realidade dura onde não sobra lugar para devaneios ou divagações filosóficas. Há-que entrar em estágio e rapidamente meter mãos à obra - "Fazer Acontecer". É todo um conceito cheio de boas intenções, quase sempre goradas. Contra mim falo, que nem consigo manter o meu quarto arrumado.
Cliché, que se lixe com "F" grande. SÊ A MUDANÇA QUE QUERES VER NO MUNDO. Não vais estar rodeado de príncipes e princesas se não fores um(a). "Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes" - e dizia eu que não havia lugar para poesias, já me sinto um marginal. 
Não consigo conceber a entrega total das nossas vidas a alguma entidade superior ou ao mero fado que está escrito nos pergaminhos ou num qualquer Universo. Eu quero as coisas e não gosto da ideia de que só as tenho por vontade divina. Ou as tens por trabalho ou por sorte. Infelizmente a segunda não me tem acompanhado nos últimos dias, mas a primeira depende unicamente de mim. 
E repito, isto não é uma resolução de ano novo.
Haja saúde. Amén.


© Frank Lukasseck/Corbis

quarta-feira, janeiro 11, 2012

"Somedays Aren't Yours At All"

Se a dose anual de azar é sempre a mesma, então a partir de agora vou começar a ter um ano santo.


"Somedays aren't yours at all,
They come and go
As if they're someone else's days
They come and leave you behind someone else's face"



domingo, janeiro 08, 2012

Querida Gripe,


venho por este meio informá-la que não quero brincar mais. 
A ideia de ficar em casa um dia e ter pessoas preocupadas com o nosso estado de saúde é reconfortante, ter sempre alguém a perguntar se já tomamos os remédios e para sairmos de casa bem agasalhados é divertida durante 1 ou 2 dias. Ponto. 
O meu nariz parece uma torneira entupida e ter de adormecer com a boca aberta para respirar começa a ser deprimente. A garganta continua inflamada ao ponto de parecer que estou a engolir um crocodilo quando na verdade é só um bocado de pão que eu mastigo muito bem antes de fazê-lo chegar ao estômago. E depois esta é uma gripe cheia de humor. Quando penso que já está a ir-se, eis que volta atrás para ficar mais um bocadinho. Depois volta a ir e depressa regressa para matar saudades. Tipo aqueles telefonemas de pessoas com quem não queremos realmente falar, que se despedem 39 vezes, criando falsas esperanças, para depois se lembrarem de mais alguma coisa que ainda não tinham dito, com a diferença que nesses casos podemos sempre fingir que estamos a ficar sem rede até cair a chamada. 
Gostava ainda que me regulasse o termostato porque o meu corpo anda bastante disléxico em relação à estação em que estamos. 
Portanto, venho informá-la que não é bonito começar assim o ano novo. É bom que isto seja já para despachar toda a dose de maleitas para 2012 porque já que o mundo vai terminar este ano, gostava ao menos de estar apresentável e com o nariz em boas condições.

Com os melhores cumprimentos,

o teu reservatório ambulante de germes preferido.

© Push Pictures/Corbis

terça-feira, dezembro 27, 2011

Vamos Falar de Coisas Bonitas!

DESEMPREGO.

Nunca o Estado gastou tanto em subsídios de desemprego e nunca a taxa foi tão elevada. Assiste-se a uma vaga de emigração idêntica à dos anos 60 e 70. Os destinos, os habituais - França, Suíça, Brasil e agora Angola. Entre 100.000 e 120.000 pessoas fizeram-no neste ano que termina (podemos contabilizar a escapadela do nosso ex-PM?) e parece ser uma solução viável para 2012.
Depois de apresentados os novos brindes para os madeirenses, foi este o assunto abordado nos Telejornais. E eis que resolvem entrevistar pessoas desempregadas nas ruas. E mais coisa, menos coisa, já que não tenho aqui o MEO para poder andar para trás, foi isto que um Senhor proferiu: 

"Pois, isto está tudo mal e não sabemos quando vai melhorar. Eu por exemplo, nunca consigo estar parado. Fico a brincar com o meu miúdo e a minha mulher fica a brincar com a nossa filha. Às vezes vou com o meu filho para o computador e ficamos a fazer coisas".

APLAUSOS PARA ESTE EMPREENDEDOR!

I rest my case.


© CJ Burton/Corbis


segunda-feira, dezembro 05, 2011

Já Cheira a Nataleeee!



Há qualquer coisa de mágico no mês de Dezembro. É a aproximação do Natal e de tudo o que lhe está associado. Estive quase a chorar ao saber que este ano não havia iluminações de Natal na cidade mas agora que estou recomposto, até vejo que não necessidade de dramatizar. Afinal de contas não temos publicidades atrozes da TMN no Marquês de Pombal nem da Vodafone na Praça do Comércio e houve muitas lojas e cafés que deram um brilhozinho à cidade. A julgar pela movimentação na Baixa/Chiado, a crise não chegou a todos, ou isso, ou temos metade de uma população que como eu, faz o passeio dos pobres a ver montras e coisas que não iremos comprar mas que ficavam tão bem debaixo do nosso braço a caminho de nossa casa.
Felizmente o Tio Alberto não deixou de gastar uns trocos para as celebrações e podemos estar a ir ao fundo, mas ao menos vamos iluminados. Até porque se houvesse mais luz se calhar a Titanic teria visto o iceberg e se tivesse desviado a tempo. Pensemos nisso por um instante.

Com o início do mês comecei a indrominar estratégias para a decoração lá de casa que permitisse uma coabitação saudável com o Tiago. No ano passado tivemos lutas a propósito do presépio da fonte, pois segundo o meu caro colega de casa, Jesus nasceu numa caverna rodeado de animais e não perto de uma fonte que deita água quando ligada à electricidade. Também não concorda com as roupas cheias de dourados das figuras do presépio, se eles tinham dinheiro para tais indumentárias então deviam ter tido uns trocos para se instalarem numa pensão. No mínimo. Decidi que em relação ao presépio a melhor forma de impingi-lo era à força. E assim foi. Depois com mais calma, vieram as casinhas das velas, os calendários de chocolate, a caixa de música, a bota pendurada na porta e as botas com a contagem decrescente para o Natal pela parede abaixo. Esta semana pretendo introduzir músicas natalícias e na próxima estaremos a escrever cartas ao Pai Natal. Estou a transformar o Scrooge com quem vivo numa pessoa sensibilizada com a paz no mundo e tuditudo.