Mostrar mensagens com a etiqueta tuk-tuk. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta tuk-tuk. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, outubro 30, 2014

3º Dia - Jaipur, a Cidade Cor-de-Rosa

Chegámos ontem à noite e a estação de comboios estava cheia de condutores de táxis e tuk-tuks doidos por clientela. Como nos foi avisado por pessoas e guias turísticos, não nos dirigimos a eles e procurámos antes um ponto de turismo. Estava fechado. Após 3 tentativas quase forçadas por parte de um condutor de tuk-tuk, acabámos por aceitar ir com ele, borradinhos de medo que nos levasse para uma rua qualquer e nos assaltasse, seria muito fácil isso acontecer. O Rúben avisou-o que não queríamos paragens pelo caminho e logo quase de seguida ele parou, mas só para gasolina, no entanto estivemos alerta porque aquilo ainda era escuro e tinha muita gente. Depois ainda falou ao telefone na sua língua e na minha cabeça só ouvia "ele está a ligar para os comparsas dele que se estão a preparar para atacar de surpresa o nosso tuk tuk e levar-nos as jóias, o carro e a casa". Mas não. E após alguns caminhos muito conturbados de terra lá chegámos ao destino. Afinal ele era sério e o meu medo foi infundado. Tanto que acordámos logo com ele vir-nos buscar hoje de manhã para nos levar aos melhores sítios de Jaipur por apenas 500 rupias por dia, à volta de 5 euros a dividir por dois para um guia turístico, nada mau. E assim foi!
Hoje à hora marcada lá estava o Baboo, o nosso novo amigo, à porta do hotel à nossa espera no seu tuk-tuk que ele próprio decorou com duas frases épicas, a primeira que deixa antever que a namorada dele teve de pô-lo na ordem, a segunda a comprovar o que já tenho reparado em apenas 3 dias de Índia. Um reaprender a confiar.



1 – Jantar Mantar

Já havíamos estado no Jantar Mantar de Delhi, uma colecção de objectos arquitectónicos destinados ao estudo da astronomia e astrologia, mas aqui em Jaipur eles dão 10 a 0 ao de Delhi. Edifícios imponentes através dos quais se podem determinar a hora do dia com uma margem de erro de 20 segundos e determinar horóscopos. Aliás, existe uma estrutura destinada a todos os signos do zodíaco, cada qual orientado para o seu astro. Hoje em dia não passam de pedaços de história extremamente bem conservados. Foi um bom começo.






2 – City Palace

Logo ao lado do Jantar Mantar, foi a residência dos reis de Jaipur desde o início do século XVIII. É bem bonito e eu podia passar lá umas feriazinhas. 












3 – Sragasuli Tower

Aqui nunca teríamos chegado se não fosse o Baboo, já que isto não aparece no guia e não tem uma indicação propriamente fácil de perceber. Trata-se de uma torre do cima da qual se tem uma vista maravilhosa da cidade cor-de-rosa, como Jaipur é conhecida. Tudo bem, a torre é fácil de detectar, ela é enorme. Se calhar até não teria sido difícil chegar lá agora que penso bem. Podia até voltar atrás e reescrever isto, mas agora é tarde.







4 – Hawa Mahal

Este edifício tem uma fachada maravilhosa e em muitos momentos lembrei-me do Aladino e da Jasmine, tendo dado por mim a cantarolar versos em inglês e em brasileiro da música “A Whole New World” já que não sei a letra inteira de nenhuma das versões. Segundo o guia, a estrutura foi construída de forma a que as mulheres do harém, provavelmente de algum marajá, pudessem espreitar para a rua sem serem vistas. É conhecido pelo palácio do Vento já que a estrutura com buraquinhos na parede permite que o vento entre e arrefeça o seu interior nos dias de maior calor. Isto foi sugerido pelo Rúben e confirmado pela Wikipedia, portanto vamos confiar. 














 5 - Templo Hindu e Hora do Almoço

Visitámos um templo hindu que não faço a ideia do nome, foi uma sugestão do Baboo e lá fomos nós. Não era particularmente imponente tendo em conta o que já tínhamos visto antes, mas dava jeito porque o restaurante que o Baboo nos ia levar a almoçar era mesmo ao lado. Daí eu ter usado apenas um título para ambos os acontecimentos. A ver se nenhum Deus me castiga. 

Hoje foi o dia de começar a achar que já não vamos apanhar problema algum por comer seja o que for. Ao pequeno-almoço já tínhamos arriscado no hotel num buffet algo rudimentar  servido num terraço bastante agradável e ao almoço atirámo-nos destemidos ao que nos puseram à frente. Passada muitas horas, e já com o jantar no bucho num restaurante aqui ao lado que para lá chegar temos de atravessar caminhos de terra, nada de mau aconteceu. Estamos vivos e felizes. Quer dizer, o Rúben está a dormir enquanto eu sou devorado por mosquitos no terraço, já que não há internet no quarto. Sim, afinal o meu sangue não é assim tão ruim e hoje de manhã contei pelo menos 30 picadas diferentes nas pernas. Malária, que sejas bem vinda.







6 – Royal Tombs

Não encontrei nada disto nos guias e no entanto é um sítio maravilhoso. Não sei grande história, mas estas estruturas situam-se entre duas montanhas de onde descem muralhas de um forte e por isso estão relativamente distantes de prédios e casas. É um lugar muito especial, deu para sentir muita paz e serenidade interior. É absolutamente deslumbrante.










7 - Jal Mahal

Deu ainda para visitar, ao longe, um palácio no meio de um lago ao qual não se tem acesso. Segundo o Baboo, a estrutura afundou e debaixo de água existem mais 6 ou 7 andares, mas o governo não permite que se explore para turismo por já terem morrido pessoas no lago que tentaram lá chegar. E tendo em conta a água pouco fresquinha que o circunda, eu consigo entender a razão de tais falecimentos. As pessoas foram certamente devoradas por um monstro lacustre. Eu acho um desperdício. Tirava-se os mosquitos, arranjava-se um bote e imagino as festas.



Enfim, foi um dia muito preenchido e repleto de informação e sensações nunca antes vivenciadas.
Jaipur está a corresponder às expectativas, e muito graças ao Baboo que amanhã cá estará novamente às 9h à nossa espera para mais um dia super preenchido.
Agora é hora de ir dormir porque estão 3 osgas verdes enormes na parede da frente a olhar para mim e cada vez que volto a olhar para elas, parecem-me cada vez mais perto. E até tenho alguns mosquitos nas pernas.

quarta-feira, outubro 29, 2014

Segundo dia em Delhi e Partida Para Jaipur

Acordei no segundo dia de Deli com a sensação de ter vomitado, coisa que não aconteceu de certeza após atenta inspecção à almofada. Começo a sentir instintos hipocondríacos, para qualquer mínima alteração tento perceber se comi alguma coisa errada, se bebi água que não devia, se será dos medicamentos da malária ou do picante que insistem em pôr em tudo o que é comestível. Portanto, estou apenas a ser parvo.
Após o choque de ontem, hoje Deli era já uma cidade familiar pela manhã. Com os trajectos todos planeados, conseguimos percorrer os sítios desejados sem grandes percalços. O tuk-tuk é o melhor meio de transporte e damos por nós tão embrenhados na vida indiana que regateamos os valores pedidos que na verdade são diferenças de 30 ou 40 cêntimos, que quando são pedidos a mais, achamos uma roubalheira. 
Após um pequeno almoço no MacDonalds, o sítio onde me sinto mais ocidental, fomos directos para o Forte Vermelho, cor atribuída por ter muralhas feitas de arenito  vermelho. Foi provavelmente o primeiro momento em que realmente senti que estava na Índia que imaginamos através dos filmes. Fiquei para morrer, não literalmente desta vez, quando percebi que a gopro não tinha carregado durante a noite e que teria de visitar todos os monumentos sem o registo em vídeo. Recomposto, tirei 1001 fotografias com a máquina do Ruben, já que a minha memória fotográfica não é suficiente para, daqui a um mês, me lembrar do que vi e fiz. Coisas da idade. 












Próxima paragem, apesar de não estar planeada, foi o hospital dos pássaros mesmo em frente, visita que nos obrigou a descalçar pela primeira vez no dia de hoje. Durou uns 3 minutos mas ainda assim consegui pisar coco de pombo. 

A caminho da Mesquita muçulmana Jami Masjid parámos para eu comprar uma mochila que me custou 3 euros, preço que não fui capaz de regatear mais, e o Rúben uns chinelos da marca "Poma", normalmente conhecidos por "Puma". Vou correr toda a gente a chinelos Poma para o Natal. A Mesquita era muito majestosa e tinha vários muçulmanos a rezar virados para Meca. Tivemos de nos descalçar mais uma vez e eu, por estar de calções, tive de usar uma espécie de saia para me tapar as pernas. Foi o mais próximo que estive do travestismo desde os Carnavais na Madeira em que me disfarcei de cheerleader e Miss Piggy. 










Apanhado novo tuk-tuk que nos levou a atravessar a cidade, chegámos ao Baha'i House of Worship, um templo em mármore com a forma de uma flor de lótus. Um edifício imponente e moderno a contrastar com os antiquíssimos monumentos que vimos anteriormente. Pertence à seita Baha'i com origem na Pérsia e que vê a humanidade como uma raça única. E não é assim que devia ser?






Última paragem do dia, túmulo de Humayun, o segundo imperador mongol, infra-estrutura que viria a inspirar monumentos como o Taj Mahal. Foi provavelmente a minha visita preferida. Os edifícios são maravilhosos e estão rodeados de jardins que nos fazem ter vontade de ficar lá um dia inteiro. Todos esses monumentos tinham "jalis", portas gradeadas de pedra que tornam o espaço ainda mais mágico. Apanhamos excursões de escolas com crianças com cerca de 6 ou 7 anos que estavam radiantes a cumprimentar-nos, como se fossemos alguém famoso. Ser ocidental aqui na Índia gera muita curiosidade e muitos cumprimentam-nos ou pedem para tirar fotografias connosco, desde as crianças aos condutores de tuk-tuk que adoram tirar fotografias para se poderem ver nas câmaras depois. Tenho já uma coleção de fotografias e vídeos com indianos curiosos a fazer photo-bombing.












Hoje a experiência foi bem mais positiva, já que começamos a perceber como agir neste mundo caótico. E se Deli era provavelmente a cidade menos apelativa da viagem, estou ansioso para ver as restantes. 

Escrevo isto no comboio para Jaipur, são quase 5h de viagem e felizmente tenho um interruptor que me permite estar a escrever isto no telemóvel. Quando publicar já estarei em Jaipur acomodado e a preparar o roteiro para amanhã de manhã.

Vês mãe, ainda estou vivo. Avisa o pai e manda beijos aos Avós. É melhor por aqui do que por postal, ainda não vi nada que se parecesse com uma estação de correios.