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domingo, setembro 07, 2014

6 Anos Alfacinha

2008 

O ano em que eu julgava que ia mudar o mundo e que viver com 825 pessoas na mesma casa em jeito de acampamento cigano é que era.




2009

O ano em que eu (ainda) usava gel no cabelo e ninguém me chamava a atenção.




2010

O ano em que achava que a vida consistia em ir a todos o festivais de verão que havia no país.




2011

O ano em que a minha vida mudou: comprei uma scooter.




2012

O ano em que os amigos começaram a casar e a colocar pressão numa pessoa.




2013

O ano em que comecei a valorizar o que REALMENTE importa.




É incrível como consigo reduzir cada ano da minha existência aqui em Lisboa a uma frase de uma ou duas linhas. Se eu a conversar com amigos conseguisse ser tão sucinto eles seriam tão mais felizes.

quinta-feira, setembro 04, 2014

Casa Nova, Vida Nova.




As mudanças estão feitas. Foi um processo doloroso que levou 4 horas, a maioria delas a subir 4 andares em sofrimento contínuo. O Zé o Rafael ajudaram-me. Não, não são amigos meus, são mesmo os homens das mudanças. Eles não tinham tanta pressa como eu em terminar as coisas, por esse motivo liguei o turbo e subi e desci as escadas bem mais vezes que eles, pensando nos benefícios cardiovasculares e musculares que aquela trabalheira me estava a proporcionar. Foi todo um filme desmontar a cama e descer com ela até ao camião, já que numa das tentativas a cama ficou entalada nas escadas e não ir nem para cima nem para baixo. Pelo meio houve um taxista que quis entrar na travessa e como estava obstruída pelo camião chamou a polícia depois de berrar uma série de ameaças que nem eu nem o Zé nem o Rafael percebemos. Se ele partisse para a violência podia sempre atirar-lhe o santinho da Avó Juliana à cabeça, que era o que tinha na mão na altura, mas eu, que já estou condenado a viver a eternidade numa cela de Satanás e não quis piorar esse cenário. 
A meio de toda aquela trabalheira a noite caiu e eu lembrei-me que não tinha luz em casa, resultado, os homens não poderiam montar a cama, mas cansado como eu estava até dormia nas escadas.O Rafael lembrou-se de deixar cair uma caixa que estava cheia de porcarias que ficaram espalhadas pelo chão, nomeadamente bilhetes de concertos, fotografias um pouco embaraçosas e preservativos que por alguma razão que desconheço, guardei como recordação. 
Após um jantar no estabelecimento mais rasca que encontrei aberto e um último banho na Sé, voltei a casa e adormeci vestido em cima do colchão naquela divisão que virá a ser a sala com as janelas abertas e nem o barulho do elétrico me acordou até o dia seguinte. Curioso foi ter sido a noite mais bem dormida do último mês. Para quê Xanax, experimentem 4 horas seguidas a subir e descer escadas com mobília e nunca mais terão problemas de sono. 

Passados três dias descubro que afinal tinha luz desde o primeiro momento. E água. Os antigos inquilinos não encerraram os serviços e até vir cá a casa a Epal e a EDP estarei a ser patrocinado não sei bem por quem. Escusava era de ter passado duas noites a apalpar paredes e a tentar não tropeçar nos sacos espalhados pela casa fora. 

Despedir-me da Sé foi nostálgico, mas teve de ser. Existe agora uma sensação de renovação, um começo de algo grandioso. E agora olho para a Sé de frente. 
Como diz a tatuagem do Tiago,

"Everything's going to be amazing"

sábado, abril 12, 2014

"Nunca Te Distraias da Vida"


Volta e meia ouvia falar deste nome, Manuel Forjaz. Talvez por estar distraído ou andar a ver a televisão errada não sabia bem de quem se tratava. No passado domingo passei perto da Igreja da Encarnação no Chiado e apercebi-me de que algo se passava, mas não prestei muita atenção, pois a julgar pelos abraços e pelas roupas das pessoas, pensei que se tratasse de um casamento. Não era. O Manuel Forjaz, esse homem que eu nunca tinha ouvido falar, tinha falecido. Apercebi-me posteriormente quando vi o facebook inundado de mensagens sobre o assunto. Continuava sem saber quem era, até assistir ao "28 Minutos e 7 Segundos de Vida" com os seus filhos, no programa que era dele e do José Alberto Carvalho e que eu nunca tinha visto antes. Tratei então de pesquisar na internet mais sobre ele e perdi-me nos imensos vídeos que existem no youtube. Assisti a palestras, a excertos dos programas, ao "Alta Definição", a vídeos pessoais. Não demorei muito a perceber que se tratava de alguém muito especial. Não por ter sido um doente de cancro e por esse doença lhe ter tirado a vida apesar de todos os combates que foi travando ao longo de 5 anos, mas pelo homem íntegro, inteligente, resiliente e inspirador que foi. E de repente, o Manuel entra na minha vida, 4 dias depois de ter abandonado a sua. Como ele próprio disse, ele provavelmente morreria da doença, mas nunca deixaria que a doença o matasse. 
No seu livro ele diz para nunca nos distrairmos da vida. Não poderia concordar mais com isso e orgulho-me de todos os dias, uns mais do que outros, fazer alguma coisa que me torne mais feliz, ou pura e simplesmente parar para cheirar as rosas e apreciar as pequenas coisas que a vida me põe à frente do nariz.

"Há pessoas tristes, infelizes, há pessoas que não conseguem ver o lado bom da vida. (...) ok, estás numa situação difícil, mas essa situação difícil não te deve fazer distrair das pequeninas coisinhas que te rodeiam todos os dias e que te podem alimentar a energia que precisas para sair do buraco em que tu estás. Deixa de ter pena de ti próprio e está atento àquilo que a vida te pode dar. Eu acho que distraimo-nos muito, eu acho que somos um bocadinho consumidos e triturados pela carreira, por chegar ao topo, por acumular materialmente bens cuja maioria acabamos por nunca usar, estamos preocupados com a competição com os outros (...) e acho que as pessoas não valorizam todas as pequeninas coisas que nso rodeiam, está um dia de sol, absolutamente maravilhoso, numa cidade maravilhosa, há livros para ler, há amigos para conhecer, temos um rio maravilhoso com um calçadão de 15 km fantástico e acho que muitas vezes as pessoas desabituaram-se de procurar a sua felicidade"

sexta-feira, fevereiro 28, 2014

"O Que Na Verdade Importa"


Uma das maravilhas do facebook é podermos estar a navegar pelo mural dos nossos amigos e encontrarmos pérolas como estas que encontrei hoje. Trata-se de um assunto sobre o qual dedico muito tempo no silêncio barulhento da minha cabeça e algumas vezes em conversas existenciais com amigos. Fala sobre o facto de muitos de nós nos apercebermos da importância das coisas até as perdermos e sobre as coisas que realmente têm importância nas nossas minúsculas vidas. Considero-me um hedonista por natureza, tento aproveitar ao máximo aquilo que tenho, da melhor forma que posso. Tento ser a pessoa que pára para cheirar as rosas e que agradece ao universo ou a alguma entidade desconhecida o facto de aqui estar e de ter a vida que tenho. 
Dia 14 de Março acontecerá um congresso gratuito no Campo Pequeno organizado pela Fundação "Lo Que De Verdad Importa" com testemunhos de pessoas que mudaram a sua perspectiva de vida após acontecimentos marcantes nas suas vidas. E eu estou com imensa vontade de lá ir. 

"Já toda a gente ouviu falar daquelas vidas que mudaram quando chegaram ao fundo do poço. A pessoa que vai dar a volta ao mundo depois de ter sobrevivido a um cancro, o homem mau que não ligava nenhuma à mulher e aos filhos e que, com um diagnóstico de doença terminal, se torna pai e marido ideais, o desempregado que entra em depressão mas depois acaba por criar a sua própria empresa de sucesso. Costumam dar filmes de Hollywood, livros inspiradores, às vezes as duas coisas. São narrativas de superação, em que o herói começa na mó de baixo, tem tudo contra si, atravessa obstáculos diversos e dá, surpreendentemente, ou não, a volta por cima. E ainda acaba a inspirar os que o rodeiam.
A ideia da Fundação espanhola ‘O que de verdade importa’ é pegar em protagonistas deste tipo de vidas e pô-los num palco a falar a um microfone. Enchem a plateia de jovens universitários – em idades em que supostamente são permeáveis à mudança – a ouvir estas histórias. Esperam que dali saiam a saber “o que na verdade importa”, expressão que foram buscar ao título de um livro que o milionário americano Nicholas Fortsmann escreveu aos filhos antes de morrer de cancro". (ler na íntegra aqui)



"We will run and scream
You will dance with me
Fulfill our dreams and we'll be free

We will be who we are
And they'll heal our scars
Sadness will be far away

Do not let my fickle flesh go to waste
As it keeps my heart and soul in its place
And I will love you with urgency not with haste"

sábado, abril 09, 2011

The Cherry On My Cake

É Sábado, não há trabalho hoje e está uma tarde magnífica. Preparei peixe no forno com ervas chinesas e fui almoçar para o telhado. Na cabeça os auscultadores que eu há muito desejava com Luísa Sobral a tocar no iPod. Aquele jazz suave que é já a minha banda sonora nas tardes e noites de chill-out desta Primavera e do Verão que se aproxima. Uma vista invejável a partir das águas furtadas, nem sempre apreciada ao longo do resto do ano. Deitei-me, fechei os olhos e realizei que este era um momento para não deixar esquecer. Tenho uma vida mesmo muito boa.

sábado, abril 24, 2010

Parafraseando a Laura, "Live Life, Love Life"


"Um dia, o mais provável é tornares-te num chato,
deixares de sair à noite e começares a levar-te demasiado a sério.
Nesse dia, vais começar a vestir cinzento e beje,
pedir para baixar o volume da música e deixar a tua guitarra a apanhar pó.
Vais tornar-te politicamente correcto, socialmente evoluído, economicamente consciente.
Vais achar que tens de ir para onde toda a gente vai
e assumir que tens de usar fato e gravata todos os dias.
Nesse dia, vais deixar de beijar em público,
as tuas viagens serão mais vezes no sofá e dormirás menos ao relento.
É oficial.
Vais entrar na idade do chinelo e deixar de ser quem foste até então.
Vais deixar de te sentar ao colo dos amigos,
e vais esquecer-te de como de faz um quantos-queres ou um barco de papel.
Vais ficar nervosinho se não trocares de carro de quatro em quatro anos
e desatinar se o hotel onde estiveres não te der toalhas para o teu macio e hidratado rosto.
Vais tornar-te muito crescido e começar a preocupar-te com tudo e com nada
e a não fazer nada porque "vai-se andando" e a vida é mesmo assim.
Vais dizer não mais vezes,
vais ter mais medo,
vais achar que não podes,
que não deves,
que tens vergonha.
Vais ser mais triste.
(...)

Aqui fica uma ideia: quando esse dia chegar, não lhe fales."



Uma fantástica campanha da Sumol que não podia deixar passar impune. Na dúvida, para além de copos de sol, vou beber Sumol neste Verão.

quarta-feira, março 05, 2008

5 de Março


"Recreation's purpose is not to kill time,
but to make life, not to keep a person occupied,
but to keep them refreshed; not to offer an escape
from life, but to provide a discovery of life"

Anon



The Fountain of Youth, 1546
Lucas Cranach the Elder
Gemaldegalerie, Berlin


sexta-feira, julho 27, 2007

Festival de Música do Mundo

Chegado do aeroporto "Ah e tal, amanhã Sines?" - "Ah tudo bem". E fomos ! Nem um segundo a perder. Autocarro, conheço o Chico, amigo da Grazi e do Rui e a Cátia, amiga do Chico. Ou seja, ficámos todos muito amigos e mal sabíamos o que nos esperava.

Chegámos ! Parque de Campismo ? Não sabemos, pergunta-se. Encontrámos ! Lugar à sombra, porreiro, montar tendas ! Não haviam ratos mortos dentro da tenda da Joana, ufa! Já agora, um obrigado à moça que patrocina a minha tourné pelo continente e arredores através do empréstimo de uma tenda ! E agora ? Bora conhecer a cidade ! Praia acolhedora, areia agradável, uma vista digna de postal. Sol, sol, sol, nem uma única nuvem. Tropeça-se em rastas e roupas próprias para o
festival. Cheira a férias, mesmo para quem trabalha. Granizado de limão, ui ui ! Água do mar gela os ossos, mas destemidos e bravios, todos mergulhámos ! Ambiente espectacular. No parque de campismo as tradicionais tendas, umas maiores que outras, as roulotes, a televisãosinha para aqueles que não querem perder a novela, as músicas pimbas sem as quais o bom português não passa as férias, os djambés a ecoar em todo o lado, as filas para o duche de água quente... Filas ? Toma-se na rua de água fria ! Esquecemo-nos de comer, mas não de beber. Uma cerveja, duas cervejas, três cervejas e estamos feitos para a noite. Compra-se roupa apropriada ao evento (e à temperatura à noite). "O que é que queres?" (mas nem sei quem és, pensa o outro). "São mais 3 amigas certo?".. bebe-se cerveja oferecida. 10 euros para o Castelo ? Curte-se na rua. Ganzas ? Em todo o lado. Pessoas diferentes. Pessoas interessantes. O sotaquezinho alentejano a tecer ladainhas que acabam pela manhã. Conhece-se as alegres ruelas e sítios recônditos da pitoresca cidade. Nem se dorme na tenda porque já é de manhã. São 10h ! Dormimos na rua. É dia de partida...Adiamos, vamos no último autocarro do dia ! Praia. Reposição do sono. Escaldão. São 6.30h, perde-se o último autocarro. E agora ? Ficamos ! Quem se chateia ? Ninguém ! Vamos amanhã cedo ! Temos já a tenda desmontada ? WHO CARES ? Descobrem-se verdades, trocam-se ideias, revelam-se segredos, partilhamos a vida. Damo-nos uns aos outros. Cravam-se isqueiros, cravam-se cigarros, perdem-se shampoos, come-se amendoins. Deitamos no chão, olhamos estrelas, damos as mãos. Envolvemo-nos na areia ao som de um concerto reggae, fumam-se charros vendidos a preço bom. Olhamos estrelas mais uma vez, sorvemos o luar reflectido no mar, trocam-se abraços, trocam-se beijos. Está quase na hora. Pão quente ! Perdemo-nos nas horas ! Oferecem boleia, o tempo foge, autocarro também, despedidas, mudanças de plano ! Fica-se mais um pouco em tendas emprestadas. Respiramos cada segundo, cada momento !

Vivemos, achamos, somos achados e brindamos aos emprevistos deliciosos da vida.

sábado, maio 26, 2007

Ó tempo, volta pa tráas !


Há um atrás era assim, aproveitávamos a vida como efémeras que eramos (e que somos), diziamos asneiras, cantávamos em alto e bom som, ninguém se importaria. Fazíamos ameaças em troco de t-shirts, tirávamos fotografias para mais tarde recordar. E vibrávamos com cada segundo.

Pusemos a vida de cabeça para o ar, tal como a queremos viver !

segunda-feira, abril 03, 2006

Pormenores

É porreiro sim senhor.
A vida é feita de pequeninos pormenores irrepetíveis.
Talvez se eu não tivesse ido ao supermercado naquele dia, naquela hora comprar o verniz que já nem me lembro para quem era, se eu não tivesse entrado no corredor certo, se não tivesse desviado o olhar para aquela pessoa. E se eu não tivesse voltado ao mesmo lugar ? E se tivesse desviado o olhar no momento errado ? E se eu não tivesse aceite aquela cerveja ?
E se eu não tivesse dito aquele montinho de palavras naquele momento de puro terror ? E se tivesse fugido daquele beijo ? E se não tivesse permanecido naquele túnel a olhar o mar num silêncio reconfortante ?
E se não tivesse fingido não ter visto ninguém naquele átrio ?
E se não tivesse entrado naquela sala ?...
E se ?... E se ?... E se ?...
Pelo menos reconforta-me a ideia de que nada se repete, que o momento seguinte é totalmente novo, novas oportunidades, novos momentos, novos sentimentos, uma constante interrogação que só é respondida pelos pequenos gestos, pequenos nadas que definem UMA VIDA ! ! !
É verdade !
Grande parte das melhores coisas que temos na vida são fruto de pormenores que tiveram a felicidade de se encontrar no mesmo lugar e no mesmo horizonte temporal !