terça-feira, dezembro 27, 2011

Vamos Falar de Coisas Bonitas!

DESEMPREGO.

Nunca o Estado gastou tanto em subsídios de desemprego e nunca a taxa foi tão elevada. Assiste-se a uma vaga de emigração idêntica à dos anos 60 e 70. Os destinos, os habituais - França, Suíça, Brasil e agora Angola. Entre 100.000 e 120.000 pessoas fizeram-no neste ano que termina (podemos contabilizar a escapadela do nosso ex-PM?) e parece ser uma solução viável para 2012.
Depois de apresentados os novos brindes para os madeirenses, foi este o assunto abordado nos Telejornais. E eis que resolvem entrevistar pessoas desempregadas nas ruas. E mais coisa, menos coisa, já que não tenho aqui o MEO para poder andar para trás, foi isto que um Senhor proferiu: 

"Pois, isto está tudo mal e não sabemos quando vai melhorar. Eu por exemplo, nunca consigo estar parado. Fico a brincar com o meu miúdo e a minha mulher fica a brincar com a nossa filha. Às vezes vou com o meu filho para o computador e ficamos a fazer coisas".

APLAUSOS PARA ESTE EMPREENDEDOR!

I rest my case.


© CJ Burton/Corbis


segunda-feira, dezembro 05, 2011

Já Cheira a Nataleeee!



Há qualquer coisa de mágico no mês de Dezembro. É a aproximação do Natal e de tudo o que lhe está associado. Estive quase a chorar ao saber que este ano não havia iluminações de Natal na cidade mas agora que estou recomposto, até vejo que não necessidade de dramatizar. Afinal de contas não temos publicidades atrozes da TMN no Marquês de Pombal nem da Vodafone na Praça do Comércio e houve muitas lojas e cafés que deram um brilhozinho à cidade. A julgar pela movimentação na Baixa/Chiado, a crise não chegou a todos, ou isso, ou temos metade de uma população que como eu, faz o passeio dos pobres a ver montras e coisas que não iremos comprar mas que ficavam tão bem debaixo do nosso braço a caminho de nossa casa.
Felizmente o Tio Alberto não deixou de gastar uns trocos para as celebrações e podemos estar a ir ao fundo, mas ao menos vamos iluminados. Até porque se houvesse mais luz se calhar a Titanic teria visto o iceberg e se tivesse desviado a tempo. Pensemos nisso por um instante.

Com o início do mês comecei a indrominar estratégias para a decoração lá de casa que permitisse uma coabitação saudável com o Tiago. No ano passado tivemos lutas a propósito do presépio da fonte, pois segundo o meu caro colega de casa, Jesus nasceu numa caverna rodeado de animais e não perto de uma fonte que deita água quando ligada à electricidade. Também não concorda com as roupas cheias de dourados das figuras do presépio, se eles tinham dinheiro para tais indumentárias então deviam ter tido uns trocos para se instalarem numa pensão. No mínimo. Decidi que em relação ao presépio a melhor forma de impingi-lo era à força. E assim foi. Depois com mais calma, vieram as casinhas das velas, os calendários de chocolate, a caixa de música, a bota pendurada na porta e as botas com a contagem decrescente para o Natal pela parede abaixo. Esta semana pretendo introduzir músicas natalícias e na próxima estaremos a escrever cartas ao Pai Natal. Estou a transformar o Scrooge com quem vivo numa pessoa sensibilizada com a paz no mundo e tuditudo. 
     

sexta-feira, novembro 25, 2011

Duarte Nuno, era disto que te falava!










PS: Tiago, não te assustes, não vais apanhar isto no chão quando chegares a casa.

quinta-feira, novembro 24, 2011

Num País à Beira-Mar Plantado...



...a bicharada ficou toda maluca. 

Aproveitando a greve, não que eu concorde com ela, mas mais valia tirar o dia em vez de arriscar faltas aos treinos, dei um pulinho à praia ali na Costa para dar mais alguns quilómetros à Fly que se porta lindamente a atravessar a ponte 25 de Abril. O objectivo, apanhar conchas. Mas por ali andava tudo passado da mioleira. Eu que quando vou às conchas esqueço o mundo, vi-me embrenhado entre saber onde conseguia guardar tanta concha e búzio, e tentar não ser mordido pela bicharada, que geralmente se espera encontrar morta. Ora vamos lá à contagem: medusas, estrelas do mar, conchas com o bicho lá dentro, os bichos dos búzios, os eremitas e até um polvo. 

As conchas resolveram dar à costa, tal como as baleias na Austrália, porém, com a maré vazia lá se lembraram  que se calhar a coisa ia correr mal se ficassem na areia e toca a rebolar por lá abaixo, não fosse eu lembrar-me de as apanhar também. Mas eu não o faria. Experimentem apanhar uma concha com bicho lá dentro e esqueçam-se dela dentro da mochila e vão ver o cheiro agradável. Por falar nisso, convém lavar a minha. 

Entretanto achei por bem remexer numa concha que estava virada para baixo e lá estava um polvo como se fosse normal haver um polvo dentro de uma concha na areia húmida. Sem água. Tentei chateá-lo a ver se lançava a tinta, mas foi preciso quase jogar a concha para que ele se descolasse. Lá acabou cedendo uns minutos depois e eu, já com a máquina fotográfica em punho, perdi a hipótese de um bom petisco para o jantar.  

Resultado: Um ABSURDO de conchas e búzios aqui em casa. E não fosse o sol desaparecer às 17h e picos e teria ficado lá mais umas horinhas à procura de mais e mais e mais. Com jeito ainda encontrava um golfinho ou uma tartartuga a desovar. 

video
video

O tamanho do bichinho...


Como o bicho cabe todo lá dentro, é um mistério para mim.

Medo.




Esta ficou ao contrário, paciência!
O polvo antes de eu o chatear.

O polvo a começar a ficar aborrecido.

O polvo a ir embora depois de me chamar um nome que não posso escrever aqui.


sexta-feira, novembro 18, 2011

Acordo Ortográfico



"Professor, a palavra 'Objectos' escreve-se sem a letra C"


Havia de chegar este dia. Eu, Pedro Andrade, que sempre me julguei gramaticalmente inteligente, já andava preocupado com um ou outro pontapé na minha construção frásica nos últimos tempos, mas o momento em que um puto de 8 anos me corrige à frente do resto da sua turma, tenho de admitir: estou a ficar velho.

Ora, vamos lá estabelecer prioridades:





1 - Tomar um banho, derivados da chuvada que se assolou  sobre a minha cabeça.

2 - Pôr roupa a secar num estendal dentro de casa, por causa da famigerada chuva.

3 - Dobrar uma montanha de roupa e engomar uma outra, ou pelo menos tentar.

4 - Fazer o jantar que eu decidi há umas horas que seria puré de batata e bifes de porco.

5 - Trocar o saco do lixo, não podemos adiar mais uma semana, senão as colónias de fungos tomam de assalto toda a cozinha.

6 - Arquivar papeladas para o IRS, IVA e contas afins e tentar calcular o que tenho de pagar em breve para não apanhar surpresas desagradáveis.

7 - Expulsar os bichos do meu quarto, perdidos no meio da confusão, e arrumá-lo DEFINITIVAMENTE.

8 - Organizar o espaço para o puzzle que decidi começar há 3 semanas, mas que o mais provável é já não ter todas as peças.


Resta agora saber quantos destes itens serão efectivamente concretizados. Eu aposto em dois, até porque a luz acabou de faltar na vizinhança e eu adoro qualquer pretexto para procrastinar.


PS: Ando intrigado com a relação entre a minha vida pessoal/social e o estado do meu quarto. E o Tiago já anda a fazer-me pressão psicológica, põe-se à porta do quarto a olhar para a desarrumação e a descrever as coisas para eu me sentir intimidado, estou a ficar chei'da nerveeeees!

sexta-feira, outubro 28, 2011

Aprés Moi, Le Deluge



I, oh, must go on standing
You can't break that which isn't yours
I, oh, must go on standing
I'm not my own, it's not my choice
Be afraid of the lame
They'll inherit your legs
Be afraid of the old
They'll inherit your souls
Be afraid of the cold
They'll inherit your blood
Apres moi, le deluge
After me comes the flood



O Pavlov Explica

Estímulo
Resposta
Ausência de Estímulo
Ausência de Resposta 
Extinção
Estímulo Semelhante
Reaparecimento da Resposta
Generalização
Extinção da Resposta Perante o Estímulo Semelhante
Discriminação
Primeiro Estímulo
Reaparecimento da Resposta
O Estímulo Não Interessa e Será Encaminhado para o Caixote do Lixo
E a Resposta Desaparecerá
Fim da História.

Potsdam, 2010



De muitos aniversários vive o meu blogue e este podia servir para celebrar imensas coisas.


Há um ano estava num comboio a atravessar uma floresta escura, num país desconhecido e com uma língua completamente incompreensível. Lembro-me de sentir um misto de desconfiança e de adrenalina. O iPod ficou sem bateria e tive de seguir no comboio a ouvir o som das carruagens e a voz de uma senhora que indicava as paragens em alemão. Quase não se viam luzes do lado de fora da janela e não percebia bem para onde saiam as pessoas porque achava sempre que as paragens eram no meio da floresta. Estava um frio de rachar, porém, não o suficiente para gelar a água dos muitos lagos que vi antes da aterragem nos arredores de Berlim. Apenas gelava os dedos das mãos, mas por alguma razão, isso sabia-me bem. 


Estava a desligar-me do mundo que deixei em Lisboa, estava cansado de trabalhar e de pensar demasiado nas "coisas" nos últimos dias. Estava um pouco mais leve, mas não não era a leveza dos dias de Verão. Era algo diferente que não consegui decifrar.  


Tinha à minha espera o calor e o conforto de um abraço de infância que agora sabe ainda melhor. 


E tinha, mais uma vez, 
toda a liberdade do mundo



domingo, outubro 23, 2011

500 Days Of Summer


É oficial, o Verão já rumou para outras paragens e despediu-se, como deve de ser, no fim-de-semana. Assim fica tudo arrumadinho no sítio certo. 

Chegou a altura do frio e da chuva, dos casacos quentes, dos cachecóis, dos chás e dos finais de tarde sentados no sofá a ver um filme debaixo de uma manta. O mais provável será não conseguir ver filme algum e adormecer no meio das almofadas antes de sequer saber o nome das personagens, mas isso também faz parte. 

Tenho andado arreliado com os invernos desta cidade e é com certa cautela que recebo este que já está a enfiar as malas pela porta dentro. É preciso certificar-me que este limpa os pés no tapete antes de entrar e que não alaga qualquer divisão da minha casa. 

Venha daí, mas com o devido respeitinho. 

Estou aqui de braços abertos e com bolachinhas e cházinho quente para a recepção. A banda sonora está bem escolhida e algo me diz que desta vez, vamos ficar os melhores amigos sazonais do mundo.


Freezing Boy in Cap and Scarf

                                                                                                            © Randy Faris/Corbis

Menina da Lua





"E essa música, eu ouvi a primeira vez, separei, e depois ouvi de novo... e de novo... eu chorava quando ouvia a música e não entendia porquê, que raiva! 


Porque é que eu estava chorando? 


Daí eu me lembrei de uma entrevista que eu vi da minha mãe, eu vejo muito pouca coisa da minha mãe (...) mas essa entrevista me marcou muito porque nessa entrevista ela falava de mim. E era ela emocionada, depois da pergunta 'O que é que ela queria p'ra mim" (...). 


Ela respondeu, chorando, que não sabia o que ela queria para mim. Que o que era bom para ela poderia não ser bom para mim. 


Mas que ela queria que eu fosse leve. 


Que eu não fosse pesada nunca, 
que eu fosse leve."




Girl swinging

Girl swinging on a rope swing hanging from crescent moon
© Eastnine Inc./Corbis

An Asshole Playing With Matches


She was lying on the floor and counting stretch marks
She hadn't been a virgin and he hadn't been a god
So she named the baby Elvis
To make up for the royalty he lacked

And from then on it was turpentine and patches
From then on it was cold Campbell's from the can
And, they were just two jerks playing with matches
Cause that's all they knew how to play

And it was raining cats and dogs out side of her window
And she knew they were destined to become sacred road kill on the way
And she was listening to the sound of heavens shaking
Thinking about puddles, puddles and mistakes

And from then on it was turpentine and patches
From then on it was cold, cold, cold Campbell's from the can
They were just two jerks playing with matches
Cause that's all they knew how to play

Elvis never could carry a tune
She thought about this irony as she stared back at the moon
She was tracing the years with her fingers on her skin
Saying why don't I begin again
With turpentine and patches
With cold, cold Campbell's from the can
After all I'm still a jerk playing with matches
It's just that he's not around to play along
I'm still an ass hole playing with candles
Blowing out my wishes blowing out my dreams
Just sitting here and trying to decypher what's written in Braille upon my skin...

sábado, outubro 22, 2011

Feira da Ladra

Há qualquer coisa de mágico na Feira da Ladra. Mesmo com o nome a apelar uma forma pouco lícita de angariação de produtos, não há necessidade para receios. Num lugar onde as roupas em 2ª (ou 3ª!?) mão se fundem com antiguidades, parece-me a espaços, estar a viajar para tempos que só conheço da televisão e de ouvir falar pelos mais antigos. Os tempos em que toda a família se juntava à volta da rádio para ouvir as notícias, os tempos em que as crianças brincavam ao pião no meio da rua, os tempos em que se ouvia música apenas com o som de uma guitarra. Os azulejos portugueses que dizem pertencer ao século XVII, os castiçais torneados, os baús de madeiras antigas, tudo a apelar à continuação da viagem pela história do nosso país. De onde terão vindo os artefactos, não se sabe ao certo. Mas aí reside grande parte da magia.

Mas há também espaço para os cd's e dvd's de filmes actuais, gravados de formas pouco legais, que nos traz de volta à realidade.

quinta-feira, outubro 20, 2011

Ready... Set... FLYYYYYYYY!

Peões e automobilistas da cidade de Lisboa, acautelem-se. O Pedro começou a aquecer os asfaltos da cidade com a sua nova PIAGGIO FLYYYYYYYYYYYYYYYYYYYY! É azulinha, lindinha e fresquinha, pronta para ir para todo o lado, cair e esfolar-se! Quer dizer, a ideia seria acabar o mês ainda com um aspecto de mota saída do stand, mas tendo em conta a experiência existente, ou seja, nenhuma, já fico contente se o balanço for apenas umas raspadelas. Não é com orgulho que admito a minha azelhice na estrada, mas sempre posso compensar com a minha postura exemplar em cima do bicho. É que fico mesmo bem em cima da Fly, sei lá. Saí do stand com 5 km contados, terminei o dia com 47 km. Estou entusiasmado, é verdade, mas muitos destes quilómetros foram... hum... como dizer isto sem embaraço... por engano. É que desconheço todos os mistérios dos sinais de trânsito de Lisboa e quando dou por mim, já avancei demasiado e não posso voltar atrás. Vai daí, aproveito para passear pela cidade e ir aprendendo com a tentativa e erro.


Ontem saí do Estádio José Alvalade e queria ir para o Campo Mártires da Pátria. O caminho mais rápido é este:




E a linha a preto foi o percurso feito:



Adoro a minha desorientação. Enquanto não chegar atrasado a nada e não atropelar ninguém, está tudo bem! Mais novidades aos 715 km!

sexta-feira, outubro 14, 2011

E Foi Assim Que Aconteceu...


Resolvi esperar algum tempo até falar de mais uma das minhas peripécias, não fosse ter arrependido de me ter metido nela. É oficial, eu apareço no novo videoclip do David Guetta. São cenas que acontecem, sei lá. Quando dou por mim já estou a bater palmas na televisão, pendurado no tecto do Coliseu de Lisboa ou a dançar na praia com o DJ mais famoso do mundo. 


E lá fui eu para a Fonte da Telha, essa praia maravilhosa, a ver no que aquilo ia dar. Havia comida, águas e sol. Eram logo à partida boas razões para faltar ao trabalho nesse dia. Levei as roupitas que nos pediram, mas ao chegar jogaram-me para as mãos um conjunto deles que já me tinham imposto uns dias antes. Uns calções beges, uma manga cava (Medo! Nunca se sabe o que pode sair quando se veste uma manga cava) e, felizmente, uma camisa aos quadrados por cima. Quase tudo bem. Quase tudo até o momento em que alguma aderecista entendeu que eu ficaria fabuloso com um chapéu. Mas não era um chapéu qualquer! Era um daqueles que exige uma certa personalidade. Daqueles chapéus que falam por si. Daqueles que jamais me apanhariam com um cabeça. Começava aí o meu receio que a coisa descambasse. Adiante. Chamaram-me para pentear e pôr aquelas coisas na cara e confesso que depois de ver o meu cabelo todo penteadinho, passei a gostar do chapéu.


Um videoclip do David Guetta não exige grandes dotes de actor ou bailarino. Basta mandar os bracinhos para o ar e saltar de felicidade. E assim foi, take after take. Não há muito a dizer sobre isto. Ponto. No entanto, por alguma razão, eles tinham achado que eu era um dos melhores exemplares de rapaz americano que lá havia. Vai daí, passo a ter um pouco mais de protagonismo. Fiquei lá para a frente em diversos momentos das filmagens. Entre o ego preenchido e o pânico simultâneo, lá continuei a abanar os bracinhos no ar. Era para isso que me pagavam. Lá pelo meio pensei "E se eu deixasse o chapéu voar acidentalmente com o vento e uma rajada me devolvesse a rebeldia dos meus caracóis?" E lá me consegui ver livre do adereço embaraçoso. C'alívio! 


 Tudo muito bonito, os americanos, brasileiros, asiáticos e africanos todos misturados e aos abraços pouco higiénicos, até que resolveram filmar pares multiculturais. Uma câmara, duas pessoas. Uma asiática e eu. A Sushy. Sim, ela tem nome de comida japonesa. E já estou farto de escrever frases com 3 palavras seguidas de um ponto final. Parou. Ponto de Exclamação! 


Dançámos com o mar por trás e um pôr-do-sol fabuloso mas foi estranho. Não encontro outra palavra por isso fica mesmo o estranho. Mas vá, foi tudo giro. 


Porém, os meus receios de parecer um totó, de ter um close-up de chapéu na cabeça ou de ser apanhado a dançar de maneiras constrangedoras foram pulverizados. O vídeo foi lançado e eu tenho direito a 4 momentos de milésimos de segundos que marcam a minha estreia televisiva (aceitável) por esse mundo fora. Minuto 2'29, foi quando me lembrei, no calor da coisa, de me ver livre do chapéu. Sem o deixar ao sabor do vento. Depois disto já posso ir para as manhãs do Goucha rolar as mãozinhas na hora do "Roda Você". E não é que eu apareço logo aqui na imagem parada do vídeo? Aplausos!





sábado, outubro 08, 2011

Índios da Meia-Praia (e da Bela Vista)


Que eu já estou habituado a meter-me em tudo o que são "cenas", já se sabe. Mas quando se trata de repetir "cenas" que não tenham corrido bem anteriormente pode parecer parvoíce. Mas em tempo de crise não se rejeitam oportunidades de trabalho, vai daí, voltei à escola. O "probleminha" não está propriamente no voltar para a escola, mas sim em ir para uma num Bairro Social de Lisboa com crianças que no primeiro dia conseguiram proferir mais palavrões em 45 minutos do que eu na minha vida toda, e quem me conhece sabe bem que tenho de lavar a boca todas as (poucas) vezes que digo "Cocó", hunf! São pequenos índios que mandam no pedaço, felizmente ainda não se lembraram de trazer as flechas, até agora ficaram-se pelas pedras. Na minha altura, quando eu era um ser aborrecido de 1,4 metros, brincávamos aos tazos, agora brinca-se aos apedrejamentos, deve ser alguma coisa que viram na televisão. Podia ter-lhes dado para os vampirismos, mas isso é tão 2009 e há-que acompanhar as tendências. Nunca as profissões de Professor ou Pastor estiveram tão próximas, passo a vida a contar cabeças e falta sempre alguma ovelha a faltar. E é encontrá-las espalhadas pela escola, umas a descer escorregas, outras a apanhar lagartas das couves, outras simplesmente a passear pelo bonito espaço que é a Escola e quem sabe, assistir a algum tiroteio das redondezas, como me vieram alguns alunos contar um dia destes durante um intervalo. 


O menino não quer fazer a aula, tudo bem. 


O menino quer partilhar com o mundo os palavrões que aprendeu, mesmo que não saiba contar até 10, tudo bem. 


O menino quer decidir as regras do jogo, tudo bem. 


Desde que ao final do dia eu chegue a casa com os orgãos todos no sítio e sem tiros dentro de mim, "tá-se bem"! Aos poucos começo a domar algumas criaturas, mas subitamente, sou mais psicólogo do que professor, não foi para isso que estudei, mas sempre tive um Eduardo Sá dentro de mim e felizmente ele está a querer sair. Tal como os sonhos que me vão atormentando à noite. Hoje voltei a sonhar com a escola quando eu só queria era sonhar com o Rio de Janeiro, Praga, as Ilhas Gregas, Tailândia ou Paris. Quanta injustiça! 




 Foto:© Lindsay Hebberd/CORBIS

quarta-feira, setembro 28, 2011

Um Copo De Sol On The Rocks!

Bebe um copo de sol
Com mais de mil milhões de anos
Que é da estirpe das estrelas que destilam os humanos
Deixa o calor afogar-se na veia
Há lá coisa assim mais séria que andar nesta bebedeira
Bebe um copo de sol
Um de copo sol "on the rocks"
E tem paixões siderais de Lisboa até Cascais
P'ra beber sol
O mundo inteiro é uma tasca
Onde a gente se enfrasca de manhã ao pôr do sol
Bebe um copo de sol
Que a tarde vem bem avançada
A lua está mesmo a chegar e p'ra beber nunca tem nada
P'ra se vingar,
a lua inventa um arder
Que num fermento qualquer a gente aprende a beber
Bebe um copo de sol
Por mim, por ti, por todos nós
Frutos da seiva solar que nos fez netos, nos faz avós
Vai luz adentro ao campo bom desta adega
Como um corpo que se dá
Bebe o sol que a ti se entrega



A propósito da República das Bananas...


É assim: 
Vamos parar com as piadinhas sobre a Madeira, o Tio Alberto e a buraqueira que para lá vai? Para rir já temos a Casa dos Segredos e para buraqueira já basta a que tenho, outrora preenchida por um siso cariado. Adoro ouvir aquelas pessoas que me abordam com uma palmadinha nas costas e com um sorriso de esguelha "Cuidado não caias no buraco quando lá fores".


Ahahaha. 


Ponto. Mas dos finais. 
Não quero com isto dizer que sou a favor das trafulhices do Tio Alberto ou de outro tio qualquer. É que não há paciência para frases feitas ou piadas fáceis, só isso. Somos muito bons a replicar frases de outras pessoas, eh pá, somos mesmo bons. Mas a próxima pessoa que me disser que pode viver sem fazer piadas sobre a Madeira mas que "não seria a mesma coisa", é capaz de levar um batente nas têmporas. É que a tolerância a piadolas fáceis "é uma cena que a mim não me assiste". 


E termino com a seguinte conversa que fui obrigado a ouvir no avião quando sobrevoava o Porto Santo, 10 minutos depois de descolar do Aeroporto do Funchal, entre marido e mulher, separados pela minha fila de cadeiras:


Ele: Olha ali outra ilha!
Ela: É os Açores não é?
Ele: Não, é outra ilha.
Ela: De certeza?
Ele: Sim, os Açores ficam mais longe. É outra ilha da Madeira.
Ela: Ah, e como se vai para lá?
Ele: Só dá de barco.
Ela: E como se chama?
Ele: NÃO SEI.


E o Pedro, sempre pronto a ajudar os ignorantezinhos desta vida, exclamou com um sorriso nos lábios "Chama-se Porto Santo". Mas muito mais ficou por dizer.

segunda-feira, junho 13, 2011

"I'll sit and wait here, and maybe you're near... and you won't take long"


"Eles não sabem aproveitar os finais de tarde como nós".

Acabam sempre por deixar escapar aquele momento, aquele instante irrepetível que escoa mais depressa do que a música que está a tocar. Só ficam até o sol deixar de queimar a pele, viram-lhe as costas e não se deixam ficar. Ele, que tão educadamente se despede para ir iluminar outras paragens, com uma promessa de breve regresso. Sim, porque ele sempre cumpre com o prometido com a precisão de um relógio suíço. Tiramos fotografias na esperança de imortalizar os raios de sol que se debruçam sobre a linha do horizonte e os prédios e árvores que a povoam, mas nunca conseguimos que a imagem captada faça jus ao momento que saboreamos.

Ficamos até a brisa fresca começar a deixar-nos a pele arrepiada, nem sempre provocada pelo brisa em si. A urgência de um casaco é trocada por um abraço, aquele que nos deixa inebriados. Com a tua cabeça encostada no meu ombro.


"Eles não sabem, deixa p'ra lá".




IMAGEM:
© Patrick Lane Photography/Corbis

sexta-feira, junho 10, 2011

Um Minuto...




...é o suficiente para perceber o quanto gosto de viver nesta cidade. Um abraço envolvente de uma cidade que brilha entre o fervilhar da Baixa e a calmaria bairrista das ruelas estreitas que permanece intacta ao longo dos anos.


Veste-se a roupa de passeio e compramos um gelado, porque é isso que fazemos nos passeios de Domingo. Os últimos raios de sol e a brisa fresca reclamam um leve casaco. Não há máquina fotográfica capaz de capturar a cor desse final de tarde, porém basta fechar os olhos e lá está ela, incólume, guardada num lugar onde não irá perder a cor com o passar dos anos.


Apetece ficar sempre mais um pouco, mas desta vez há-que regressar a casa. Sem pressas, para não escorregar nas pedras gastas da calçada. Há um jantar para ser preparado e uma casa cheia de um aconchego renovado à nossa espera.



Fotografia daqui.

"Finish What You Started"


Hoje é o dia das limpezas. Há papéis soltos por todo o lado e não os posso deitar para o lixo. Odeio burocracias e papéis, abomino IRS's, IVA's e qualquer outra coisa do género. Não compreendo nem quero compreender. Já vos disse que detesto contas? Há gavetas à espera de arrumação, roupas à espera de serem engomadas e dobradas, computadores atafulhados de ficheiros que jamais serão organizados. Esta casa não parece uma. Está tudo ao sabor do vento e por aqui tomou dimensões de tufão. Não sei o que mais me incomoda, se é a desarrumação em si, se o facto de ter sido eu o responsável por isto ter tomado estas proporções.


Agora adeus.




Foto daqui

terça-feira, maio 24, 2011

Uma manhã de sol na Praça da Figueira

"Ternura maior do mundo
Um beijo pode, um somente
Ter o valor mais profundo
Quando é dado docemente"

domingo, maio 15, 2011

Noticias de Barcelona parte V

Tenho uns 3 minutos para escrever.

UM.

Foi o numero de museus que consegui visitar ontem entre as 19h e as 01h. As filas eram gigantescas e preciamente nessas horas, SO MESMO nessas horas, abateu um temporal por estas bandas que me fez ficar 2 horas a saltar de abrigo em abrigo. A coisa boa, fiquei a conhecer muito bem algumas funcionalidades de maquina fotografica que nunca tinha pensado em explorar. Mas andar abrigado da chuva em portas de igrejas e edificios do Bairro Gotico torna todo o temporal num cenario de filme.
Hoje nao sabendo o que fazer, aluguei uma bicicleta e fui a todo o lado durante 4 horas seguidas. Nao atropelei ninguem nem fui atropelado. Incrivel a facilidade em andar de bicicleta aqui, comeco a apaixonar-me pela cidade. Estou, porem, menos morto que nos outros dias. Quaaaaaase saltei para a piscina da Kylie. Estou com escaldao de pedreiro mas amanha espero minimizar a coisa. Vou andar nu.
Estao a melhorar consideravelmente a qualidade musical deste hostel e ontem quase senti vontade de beber cerveja e sair a noite com as pesssoas daqui do hostel.
Hoje ha jogo do Barcelona mas 120 euros eh uma quantia que nem tenho comigo neste momento. E eu ainda preciso de pagar autocarro ate o aeroporto amanha.
Tenho duas amigas novas, lisboetas e estou tentado a sair esta noite, ja que eh a ultima e pelos vistos beberam que se fartaram a pagar pouco.
Afinal consegui ir carregar mais dinheiro no cartao da internet antes disto ir abaixo.

Ainda nao comi paella.

Adeus.

sábado, maio 14, 2011

Noticias de Barcelona parte IV

Hoje escrevo mais cedo porque estou a preparar-mer para a maratona de museus GRATIS a partir das 19h ate a 1 da manha. Ainda me falta o do Chocolate. Hoje fui para Montjuic, os meus pes pediram clemecia e eu la decidi subir de funicular. E se o Sr. Miro ja me aborrecia, depois do seu museu passei a odia-lo. Mas isso sou eu que nao consigo compreender a profundidade do seu tabalho. Mas ninguem me tira da cabeca que ele foi o pintor mais preguicoso de todos os tempos. Ao menos, toda a gente reconhece um Miro ao ve-lo. Estive no Castelo de Montuic, no museu de Arte da Catalunha e no estadio e nas piscinas Olimpicas, mas fiquei com duvidas se foi la que filmaram o video da Kylie, tipo aquele. Vou averiguar.
Sou capaz de precisar de ajuda do Consulado derivado de estar perto de empurrar os franceses do meu quarto pela janela fora e ainda lhes cuspir em cima, mas agora nao tenho tempo para explicar melhor, ja que esta net esta super mega contada.
ALGUEM QUE ME AJUDE, PARA ONDE VOU AMANHA? Ja vi quase tudo no centro.

Beijos e abracos mas so para quem merece, percebem?

sexta-feira, maio 13, 2011

Noticias de Barcelona III apesar de nao encontrar as partes I e II.

Por alguma razao, desapareceram os meus ultimos 2 posts.

Anyway. Ainda tenho rotulas apesar de ja nao ter tornozelos. TIAGO, PARA TUDO! Encontrei a nossa casa, vamos viver para a casa do Sr. Batlo! Esta decidido.

A Sagrada Familia nunca mais termina e nao sei se vou viver anos suficientes para ver a obra terminada. Vae a pena, mas achei muito pouco catolico cobrarem 12,5 euros para eu poder rezar a minha oracao diaria. La Pedrera pode ser a nossa casa de Verao, Tiago. Tem terraco e banheira como eu queria! Parque Guell, para onde fui a pe, sim, eu fui a pe apesar de ficar longe para cacete, eh muito divertido e tal, so me aborreceu tanto alarido ah volta de um lagarto que se tivesse no jardim de uma casa na minha terra seria considerado uma rabetice de algum emigrante que achou moderno ter um lagarto em mosaicos a deitar agua pela boca. Continuo a saga de tirar fotografias de braco estendido apesar de condenar quem o faz. Ja que nao aparece o post de ontem, volto a repetir, confirma-se a minha traicao ao Mourinho, ao Cristiano e ao Ricardo Carvalho, ontem tive um orgasmo quando vi o autocarro de campeao do Barcelona e apesa de nao estarem os jogadores dentro, tive por pouco para pedir um autografo ao motorista.

Este hostel continua uma Torre de Babel, eu ja falo inges com os franceses, espanhol com os canadianos, frances com os espanhois e juro que ainda ha pouco me escaparam umas palavras em congoles.

Apos kms a percorrer as Rambas, encontrei finalmente El Bosc de Les Fades e eh muito coiso sim senhor!

Ninguem quer vir ca passar o fim/de/semana?


Beijos e abracos

quinta-feira, maio 12, 2011

Noticias de Barcelona / parte II

Ainda estou vivo.

Nao fui raptado ainda. Andei kms e ja nao posso mais dos pes. Mas vai ter de dar porque nao posso ficar fechado neste hostel onde passam Baby One More Time, Everybody dos BSB, Lou Bega. A nao ser que esteja bebado, o que nao eh o caso. Como religioso que sou, fui a Catedral logo pela manha agradecer as cenas. Fui a mais uma ou outra igreja, mas era tudo o mesmo. Fiquei-e pela parte Antiga da cidade, Bairro Gotico, Ramblas, Passeio Maritimo tambem. Tive um orgasmo quando encontrei o autocarro do Barcelona, o que confirmou a minha traicao ao Mourinho e ao Cristiano. Fui ao useu do Picasso, ao Museu Contemporaneo e o Centro de Artes Contemporaneas. Foi muito coiso. E nao sabia que o Picasso tinha pintado as meninas de Velasquez. Perdi-me como habitual, eu e os mapas ja se sabe. Tenho dois amigos novos, o do beliche de cima e a do beliche do lado. Ja sao 2 canadianos, 1 argentina e um brasileiro. Vieram todos sozinhos. Nao devem ter amigos, como eu. Ja gastei dinheiro aos montes nao sei onde. Preciso de amigos aqui porque estou a ver-me obrigado a tirar aquelas fotografias super espontaneas com o braco esticado e a uma distancia muito pouco fotogenica. Eh so por isso. Tive uma mega ideia para enriquecer e viajar pelo mundo. Mais uma.

Ah eh verdade, odeio sitios onde se paga imenso para comer uma das iguarias espanholas... tapas. Meus amigos sao bocados de pao com cenas. Deve ser triste so terem a Paella como prato decente a se apresentar aos turistas.

Havia mais coisas giras para falar, mas nao lembro. Nao deviam ser assim tao boas. Este hostel tolda-me a capacidade de escrita. Agora tenho gente a berrar uma musica brasileira aqui atras. Ja sei o que deve sentir o Tiago quando eu canto logo pela manha.


Beijos a quem eh de beijos, para o resto nao ha nada.

quarta-feira, maio 11, 2011

Noticias de Barcelona

Aterrei em Barcelona e fiquei comovido com a recepcao. Tinha gente reunida nas ruas a cantar, a dancar e a saltar de felicidade com a minha chegada. Nao sei quem os avisou, mas foi uma agradavel surpresa apesar de eu prezar o meu anonimato. Havia bandeiras por todo o lado, fogo de artificio e gente abracada. So para que fique claro, eu nao ponho acentos, cedilhas nem acentuacao porque nao me entendo com estes teclados, ta? Pronto. Ja que estavam todos juntos numa festarola pegada, bem melhor que as da minha terrinha, aproveitamos todos para festejar o titulo ganho pelo Barcelona esta noite, mas isso foi nitidamente uma celebracao secundaria. Eu nunca fui para a Avenida do Mar na Madeira ou para o Marques de Pombal celebrar os titulos das minhas equipas mas achei que era divertido juntar-me aos catalaes na Praca da Catalunha, de guia da cidade debaixo do braco, tornando-me naquilo que eu chamo de adepto prostituto, ja que passei o ano inteiro a esperar que o Barcelona fosse pelas canas dentro. Porem, o facto de estar rodeado de gente com ar de quem nao toma banho ha 6 dias e que nao tem os dentes todos, foi suficiente para me tornar adepto deles desde que o meu nascimento. De facto, eu ate tenho uma forte ligacao com o Barcelona, afinald e contas tenho albuns da Shakira no iPod, isso serve, nao? E toda a gente sabe que ela e o Pique coiso.
De falar em gente com ar estranho, o meu hostel chama-se Kabul e as pessoas que ca estao parecem ser oriundas dessa mesma cidade.
Estou a dividir quarto com 284 pessoas, mas so conheci um casal canadiano que ja me queria levar para a ramboia, mas eu disse que tinha muitas igrejas para visitar amanha.
Vou dormir porque comeco a temer pla minha vida.

Pais e demais amigos que me pediram novidades, esta tudo bem, estejam descansados. Se nao escrever amanha foi porque fui raptado e levado para o Irao.

Beijos e abracos!

sexta-feira, abril 22, 2011

"When We Were Young"

Tranca a porta. Não arrisques que alguém entre sorrateiramente e nos apanhe abraçados. Deixemos aquela interrogação no ar. Gosto que nos amemos em segredo na mesma cama. A ideia de ter de desfazer propositadamente os lençóis intactos pela manhã proporciona-me um prazer estranhamente delicioso. Houve umas vezes que nos esquecemos de o fazer, recordas-te? Independentemente do calor lá fora as nossas peles insistiam em colar-se naquela simbiose perfeita com o meu braço à tua volta, como gostávamos de adormecer. Tínhamos isso bem definido. A tua pele e o teu cheiro. Nem preciso fechar os olhos. Naquele mundo rosa e verde.

Vou dormir. O meu corpo está cansado e os meus reflexos reavivaram-se momentaneamente e não me interessa ficar sem sono. Não hoje.

sábado, abril 09, 2011

The Cherry On My Cake

É Sábado, não há trabalho hoje e está uma tarde magnífica. Preparei peixe no forno com ervas chinesas e fui almoçar para o telhado. Na cabeça os auscultadores que eu há muito desejava com Luísa Sobral a tocar no iPod. Aquele jazz suave que é já a minha banda sonora nas tardes e noites de chill-out desta Primavera e do Verão que se aproxima. Uma vista invejável a partir das águas furtadas, nem sempre apreciada ao longo do resto do ano. Deitei-me, fechei os olhos e realizei que este era um momento para não deixar esquecer. Tenho uma vida mesmo muito boa.

"I Ain't Lost, Just Wandering"


Nada mudou.

Manténs aquele sorriso maroto de criança que mostras na fotografia que afixaste no teu quarto. Aquele mesmo sorriso, porém, hoje, já sem a ingenuidade que as cicatrizes da vida te impuseram nos intervalos do entretanto. Ambos sabemos como é difícil ocultá-las. Decidiste então deixá-las bem expostas, na esperança que a erosão dos dias e dos meses faça o que tem a fazer, tornando-as obras de arte toscamente polidas, cheias de histórias para contar. Como qualquer artista, rebelde, serás sempre aplaudida de pé por alguns, incompreendida por muitos, mas no teu teatro são poucos aqueles que realmente queres manter na plateia.

Escrevi-te uma peça.

E a minha parte favorita é aquela em que estás a conduzir por estradas vazias a alta velocidade com o vento a roçar-te a pele. Estás em silêncio e os teus óculos de sol tornam tudo cor-de-rosa. Os campos sem casas à tua volta, as nuvens outrora brancas e um sol quente de final de tarde que anuncia um pôr-do-sol memorável. Chegas finalmente ao teu destino, aquela praia larga e deserta que ficou vazia de propósito para ti e ficas por lá até os últimos raios de sol desaparecerem no horizonte. Sabias que estaria deserta.

Podia ter destacado peripécias mais mirabolantes, mas gosto de ti neste registo que poucos conhecem.
Em tons carne-viva,
com um coração a bater fora de ti,
desprovida de roupas e de armas que nos sentimos obrigados a usar todos os dias.

Lembro-me de teres ficado revoltada quando percebeste que vesti armadura e comprei um arsenal de armas para sobreviver nesta cidade, como se me tivesse esquecido dos trilhos percorridos pelos tais campos com nuvens cor-de-rosa que soubemos partilhar em silêncio. Aquele silêncio de levar às lágrimas sem ser necessário explicações adicionais.

Teremos sempre uns óculos que tornam tudo cor-de-rosa.
Teremos sempre terra para palmilhar e finais de tarde inolvidáveis.
Teremos sempre o ombro um do outro para encostar e chorar.
Teremo-nos sempre, independentemente do que vier.

I’ve been walking in the same way as I did
Missing out the cracks in the pavement
And tutting my heel and strutting my feet
“Is there anything I can do for you dear?
Is there anyone I can call?”
“No and thank you, please Madam.
I ain’t lost, just wandering