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quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Estamos em Crise

Estamos em crise.

Desculpem-me a novidade assim de repente, mas estamos mesmo em crise. E por hoje, vou tentar não falar do dinheiro que tenho na conta.
Estamos a viver uma crise de valores. Não é preciso ir muito longe ao longo das gerações, basta ir à dos nossos pais, aqueles que andam por volta dos 50's e 60's anos para perceber a reviravolta que isto deu. Não quero cair na desculpa gasta de que "antes é que era" e com isso desculpar a actual geração dos 20's. Algo está mal e urge apurar responsabilidades. Por esse motivo, apontamos o dedo uns aos outros, porque é sempre mais fácil atribuir as culpas ao vizinho do lado, sacudindo o pó do nosso capote imaculado. 
Vivemos uma crise de educação e não me refiro aos jovens que dizem em programas de televisão que África é um país da América do Sul. Nunca o nosso povo foi tão letrado e qualificado e ao mesmo tempo, nunca os profissionais da educação foram tão criticados e espezinhados. Serei o único a ver a ironia da coisa? Mas não é isso que mais me preocupa. O problema é muito para além da educação escolar. O "Por favor" foi trocado por um franzir de testa e um retorcer dos lábios. O "Obrigado", quando existente, passou a ser uma formalidade mecanizada, desprovida de qualquer tipo de conteúdo, uma palavra vazia, porque por vezes, "tem de ser" utilizada. O "Desculpe" tirou férias, hoje somos todos pessoas maravilhosas que não cometem erros e que possuem o dom da razão. Somos pessoas exigentes e com pouco tempo. Queremos tudo para ontem e não admitimos que nos questionem porque estudámos e temos um bocado de papel timbrado que nos custou umas dezenas de euros e que diz ao mundo que somos formados nalguma porcariazinha para esfregar na cara uns dos outros. Deixámos de cumprir horários e o atraso já é assumido mesmo antes da hora marcada. Os compromissos deixaram de ser cumpridos e quase ninguém termina o que começou.
Estamos também em crise de afectos. Já ninguém abraça ninguém como se realmente sentissem. O calor sincero do abraço foi trocado pela palmadinha nas costas e o beijo já nem é com os lábios, é com a bochecha, porque somos pessoas que merecem recebe-los. Dá-los é para os outros. Deixámo-nos ficar debaixo de uma nuvem negra onde o nosso umbigo tem sempre menos cotão que o do outro e a nossa cabeça, de tão inchada, deixou de passar nas ombreiras das portas. Assim, ficamos fechados em casa, quietinhos, à espera que dêem pela nossa falta, porque somos anjos preciosos que estão sentados no sofá com a televisão ligada, à espera que nos batam à porta com um trabalho maravilhoso ajustado às nossas capacidades ultra-especiais, com um amor que vimos um dia nos filmes, com um sonho que sonhámos, mas que queremos que chegue numa encomenda do correio.

"Se é para acontecer, pois que seja agora"



segunda-feira, outubro 26, 2009

Lição nº 1

Hoje, sendo Segunda-feira, parece-me um óptimo dia para abrir o livro de reclamações e para iluminar a cabecinha de algumas pessoas medievais que ainda subsistem espalhadas pela bela cidade de Lisboa.


Toda a gente adora uma boa hora de ponta, uiiii, que não vejo muita coisa melhor do que ficar preso no trânsito com os carros detrás a buzinar como se isso fosse ajudar a tirar os carros entupidos que estão à sua frente. É que é de uma inteligência dantesca buzinar para manifestar o seu estado de espírito e é sempre uma boa terapia para se começar bem o dia, cheios de alegria e bom humor. Eh lá, está uma grande fila aqui, vamos lá todos buzinar a ver se assustamos os carros à frente e eles começam a andar. Bravo.


Conhecem aquelas escadas rolantes do metro da Baixa-Chiado que nos fazem sentir como se estivessemos mais próximos da Nova Zelândia do que d' A Brasileira? Tudo bem que eu tenho uma certa mania de não ficar quieto numa escada rolante e acabo sempre por subi-la a andar só para ter a sensação de que estou com um super-poder que me duplica a velocidade de andamento, mas quando estamos realmente com pressa, existe sempre algum par de namorados, amigos ou familiares que insiste em ir lado a lado, criando um tampão que impede que as pessoas passem. E o melhor é que nunca se apercebem disso. E todo eu adoro demorar meia hora a sair do sub-mundo da Baicha-Chiado, costuma ser o ponto alto do meu dia. Com isto queria ensinar, que eu sou uma pessoa de sabedoria imensa, que numa escada rolante, tal como numa estrada, circula-se pela direita deixando a esquerda para os mais apressados. É bom senso e educação. Ponto.


Gosto ainda quando estamos quase a chegar ao metro e começamos a ver a porta a ameaçar fechar, o que resulta numa imensidão de pessoas a correr e a jogar-se para tentar não ficar à espera do próximo metro ou na pior das hipóteses, entalado na porta. O bonito é assistir àquelas pessoas que entram a correr e mal põem as patinhas dentro da carruagem, páram de imediato com um suspior de alívio. E os que vêm atrás que fiquem entalados, que é sempre uma coisa divertida de se ver. Ainda em relação ao metro que fique claro: primeiro deixamos as pessoas sair, depois entramos. É bonito e ninguém se chateia. Chateia não, aborrece. Que as pessoas educadas não se chateiam, aborrecem-se.


Estamos conversados, hein?