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terça-feira, outubro 07, 2014

Um brinde ao Avô Andrade


Este não é de todo o meu tipo preferido de escrita.

Aquele em que temos de nos despedir de alguém. 

Passados quase dois anos da partida da Avó Cristina, foi a vez do Avô seguir o inevitável destino da natureza. Sem grandes surpresas ou alaridos. O telefone a tocar pela manhã cedo demais não precisava de legenda e deixou um aperto na garganta por não poder estar com os meus. 

Hoje o dia vestiu-se a preceito, enlutou-se com esta chuva, está a chorar pelo Avô. Não vou estar com a família, mas vou brindar ao Avô. Ao homem que foi, ao carinho que tinha por mim, ao legado que deixou. Acredito que tenha partido orgulhoso da família que gerou, tanto filho, neto e bisneto, mas acima de tudo, uma família sempre unida. Não é feito para qualquer um. Com a sua partida ficou fechado um ciclo. O Andrade mais velho é agora o meu pai e eu passei a pertencer à segunda geração. O tempo não pára e no final, encontrar-nos-emos todos no mesmo lugar. 

 “If we do not honor our past, we lose our future. If we destroy our roots, we cannot grow.”

Hundertwasser

sábado, novembro 23, 2013

Margarida


Hoje passei a manhã a pensar nos imensos problemas que tenho na vida. A questionar as minhas  escolhas na vida, a queixar-me do ordenado que ganho e dos impostos que pago, a reclamar deste inverno que ainda agora começou, a lamuriar a minha incapacidade de terminar as coisas que comecei, a pensar que tenho de ir ao supermercado e ao vidrão e não me apetecia nada. 
E ao início da tarde avisam-me que a Margarida morreu. Aos 15 anos, vítima de cancro na cabeça. Não, não é justo. Nem ela, nem a família, nem os amigos mereciam uma coisa destas, é duro demais. "Tanto merdas aí que só são trampa na sociedade e vai uma miúda de 15 anos que era um doce", disseram-me por mensagem, em tom de revolta. Pois, eu também não compreendo. E irritam-me tremendamente estes desalinhos do universo.
Ao pé disto, tudo o resto são pequenas merdinhas. 

Ficaremos com o teu sorriso maravilhoso, Margarida.