segunda-feira, dezembro 31, 2012

Top + cá de casa

Este ano o meu iPod continuo o meu mais fiel amigo, mesmo após ter caído da mota em andamento e tendo sobrevivido a um carro que quase, quase lhe passou por cima. Foi de férias ao Porto Santo e passeou comigo por Amesterdão, Berlim e Paris. Foi carregado muitas, muitas vezes, e no final do ano, o meu itunes apresenta o seguinte top 25, que vão das 143 até às 307 reproduções, não apenas do último ano, mas dos últimos dois anos e meio. No dia 1 de Janeiro de 2013 vou voltar a pôr tudo no zero e reescrever uma nova história. Até porque nós somos a música que ouvimos, e o Pedro de 2012 foi diferente do de 2011 e 2010. O Pedro de 2012 decidiu que a Luísa Sobral, os Deolinda, a Regina Spektor, os Florence+The Machine e os Noah&The Whale são os melhores de todo o sempre. 
Seja isso bom ou não, foi diferente. E eu espero que o de 2012 tenha mais dinheiro no banco para comprar os discos novos da Luísa, dos Deolinda que estão para sair e da Ana Moura, do Zambujo e do David Fonseca que ainda não tenho. E ir aos Coliseus vê-los. Nunca a música portuguesa esteve tão boa. 

1º - "Firework", Katy Perry
(307 reproduções)


2º - "Dog Days Are Over", Florence + The Machine
(282 reproduções)


3º - "Teenage Dream", Katy Perry
(259 reproduções)


4º - "Um Contra o Outro", Deolinda
(243 reproduções)


5º - "The Edge Of Glory", Lady Gaga
(228 reproduções)


6º - "Xico", Luísa Sobral
(225 reproduções)


7º - "Lambreta", António Zambujo
(224 reproduções)


8º - "Daydreamer", Adele
(202 reproduções)


9º - "Us", Regina Spektor
(202 reproduções)


10º - "Love Of An Orchestra", Noah & The Whale
(200 reproduções)


11º - "You And Me", Zee Avi
(192 reproduções)


12º - "Eet", Regina Spektor
(187 reproduções)


13º - "Saiu Para a Rua", Luísa Sobral
(182 reproduções)


14º - "Kiss With A Fist", Florence+The Machine
(181 reproduções)


15º - "Call Me Maybe", Carly Rae Jepsen
(178 reproduções)


16º - "Judas", Lady Gaga
(177 reproduções)


17º - "Flagrante", António Zambujo
(175 reproduções)


18º - "I Would Love To", Luísa Sobral
(174 reproduções)


19º - "Rolling In The Deep"
(169 reproduções)


20º - "Não Tenho Mais Razões", Deolinda
(165 reproduções)


21º - "Howl", Florence+The Machine
(152 reproduções)


22º - "Telephone", Lady Gaga e Beyoncé
(152 reproduções)


23º - "You Won't Take Long", Luísa Sobral
(152 reproduções)


24º - "Birds", Kate Nash
(149 reproduções)


25º - "Wide Awake", Katy Perry
(143 reproduções)


(ali mesmo a entrar no top ficaram "O Fado Não É Mau" e "Patinho De Borracha" dos Deolinda e "It Shall Pass" do David e da Luísa, mas não quis manipular e pronto, ficou assim. E o "Oversize", "Mr, & Mrs. Brown", "O Engraxador" e o "Passou Por Mim e Sorriu". Arf!)

The Party


"You’re like a party somebody threw me 
You taste like birthday
You look like New Years
You’re like a big parade through town
You leave such a mess but you’re so fun

Tell all the neighbors to start knocking down walls
To grab their guitars and run out to the hall
And we’re coming out right along to sing them my new song

For every place there is a bus
That’ll take you where you must
Start counting all your money and friends before you come back again

For every road we can retrace
For every memory we can’t face
For every name that’s been erased
Let’s have another round
May I propose a little toast?
For all the ones who hurt the most
For all the friends that we have lost

Let’s give them one more round of applause
But you’re like a party somebody threw me
You taste like birthday
You look like New Year
You’re like a big parade through town 
That leaves such a mess but you’re so fun"




sábado, dezembro 15, 2012

Amsterdam - day 4

Continuo agora a minha saga europeia, mesmo que com mais de uma semana de atraso. Gostaria de ter escrito tudo no próprio dia mas não tive oportunidade, ou porque não tinha forma de o fazer, ou porque estava muito cansado e só queria jogar-me para a cama. Mas pelo menos agora posso publicar fotografias para ilustrar "La Vida Loca" do Peter pelas Amsterdões, Berlins e Paris da vida. É que eu sou daquelas pessoas que se não tiver fotografias com legendas, vai, em pouco tempo, acabar por se esquecer de tudo o que foi feito. Há quem chame memória de peixe, há quem ache que eu sou simplesmente desligado. 

O meu último dia completo em Amsterdão foi o dia de partida do Alexandre, mas também o dia em que a Catarina me veio visitar. Aproveitámos o facto dela viver ali tão perto da fronteira entre a Alemanha e a Holanda e ainda não ter visitado a cidade para matar dois coelhos de uma só cajadada. Apesar de eu ser incapaz de matar coelhos, para que fique bem claro. Já sem muito para fazer nesta cidade, decidi que o melhor seria levar a Catarina a passear simplesmente pela cidade, começando pelo Vondelpark que eu também ainda não conhecia. Lá tivemos de tirar mais umas fotografias no "I AMSTERDAM" porque a menina também tinha direito. Eu olhei para a letra "I" mas de soslaio, porque no dia anterior tinha-a trepado e fugido sem um beijo de despedida. Já o Vondelpark, parece-me muito bem, porém, é Inverno. As árvores não têm folhas, não há flores e o sol é tímido. Tenho uma certa mania de fazer viagens no Inverno e depois as fotografias não têm nada a ver com as dos guias turísticos ou as do Google que eu pesquisei. E além do mais estou pálido e encapotado até o nariz. Mas é o que se arranja. Cor de lula também pode ser bonito nalgumas culturas, gosto de pensar dessa forma. Ainda assim é um passeio imensamente agradável, o parque está cheio de pessoas a passear cães que eu e a Catarina tentávamos agarrar e levar para casa, até o momento em que calhou cocó. Aproveitámos para ser turistas de um país distante para subirmos para uma instalação do género "casa na árvore", com umas pontes suspensas e fingirmos ser crianças. Aliás, metade das nossas fotografias são aí. A outra metade é a tentar tirar fotografias em pose da Catarina.
O nosso passeio foi um misto de matar saudades de falar pelos cotovelos (a Catarina morde-me os calcanhares neste parâmetro) e de pensar no que íamos comer a seguir. Levei a Catarina às lojas dos queijos onde já me deviam conhecer por todos os dias entrar lá com um ar de surpresa e curiosidade como se fosse a primeira vez, quando eles já deviam saber que eu só ia lá para comer à borla todos os queijos, como fiz nos dias anteriores. Entrámos em lojas de gomas e não saímos de mãos a abanar. Fomos a supermercados, sim, falei no plural, porque acordei na Catarina a vontade de comer Milka, mas não procurávamos um Milka qualquer, tinha de ser logo uma barra de 300 gramas. Não encontrámos, mas empaturrámo-nos de outras porcarias semelhantes. Mas as calorias fora do nosso país não contam. 
Passámos por todos os lugares que um turista de um dia podia ver, à excepção dos museus, o que vai obrigar a Catarina a ter de ir lá mais uma vez, que chatice. E encontrámos até o Waterloo Market que o Tiago me tinha falado e que não sabia bem onde era, onde comprei uns bolbos de tulipa que estão destinados a morrer nas minhas mãos. E onde encontrei um cd português à venda que sou incapaz de pronunciar o nome, mas que vou publicar mais abaixo. 

Em jeito de conclusão, Amsterdão parece-me uma cidade muito bonita para se visitar e mesmo para viver, tem uma pinta descomunal. Mas não é a minha cidade preferida. Voltando lá, terá de ser com alguém que conheça a cidade melhor do que eu para poder fazer um pouco da vida de quem viva ou já tenha vivido lá. 


A tal Oude Kerk, a igreja mais antiga de Amsterdão, muito gira por fora, mortiça por dentro. 


Rui e Alexandre, obrigado por me salvarem de ter 4 dias que sozinho, seriam uma seca desmesurada. 


Posso dizer que andei de bicicleta em Amsterdão, porém, à pendura, o que também é difícil, ok? Isto porque não tinha a destreza de me sentar com ambas as pernas para o mesmo lado. Fica para uma próxima.


Porque as pessoas também são cultas, fomos ver o Van Gogh ao Hermitage.


Os 6 euros mais mal gastos da história dos muffins. Não sentimos um pintelho das maravilhas que tanto apregoam. 


Pedro a apreciar e intepretar arte no Museu de Arte Moderna.


Apanhado em flagrante, porém, sem as calças na mão como o Zambujo.


Isto aconteceu porque o Alexandre permitiu, a culpa não foi minha. Mas eles tinham uma cascata de chocolate líquido... 


O momento em que eu tentava sacar o cão para dentro da mochila, mas ele assustou-se, esperneou e calhou cocó, como se pode apreciar na fotografia abaixo. 



Pensei deixar a Catarina para ali presa, mas depois pensei que se isso acontecesse não teria ninguém para me tirar fotografias. 


Pedro apanhado de surpresa. 


Catarina Velosa, não é digna de catálogo, mas foi do menos mau que se arranjou para mostrar ao mundo, portanto não te queixes.


A Catarina no seu "Breakfast at Tiffany's". Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii... 
Isto porque ninguém nos conhecia por lá.


Mais uma vez, a culpa não foi minha, foi da Catarina. O meu saco nem é o mais cheio. Eu é que gosto de pintar as unhas, ok? 


Esta nem era uma das lojas onde eu costumava entrar para comer queijo à borla, porque nessas lojas eu guardava a máquina para poder ter ambas as mãos livres e assim conseguir agarrar em mais amostras grátis ao mesmo tempo.

Eu podia viver numa daquelas casas mega espectaculares, apesar de algumas estarem de lado.


Olha, peço desculpa a fotografia estar de lado, mas já tentei e não consigo "desvirá-las", portanto Catarina, serás uma Candy Freak de lado.


E foi isto que eu encontrei no mercado de Waterloo. 


Adeus Amsterdão, olá Berlim!

quinta-feira, dezembro 13, 2012

Avó Cristina


Desde o Verão aguardei um telefonema da partida já anunciada, sempre na esperança de não o receber até o Natal. A reunião da família acabou por acontecer precocemente, a meros 15 dias das celebrações natalícias. Mas foi como tudo deveria ser. Houve tempo para todos se prepararem, foi previsível e sereno. Mas não foi, nem nunca será fácil. Na qualidade de Mãe, esposa, avó, tia e amiga, ninguém lhe conseguia apontar um defeito ou uma qualidade menos boa e foi isso que todos se lembraram nos últimos momentos. 
Estando longe da família todo o ano, deixo a ilha sempre com aquele receio de quando voltar as coisas não estarem como as deixei, de alguém já cá não estar como antes. Por isso, tento sempre guardar na memória as últimas imagens daqueles que, pela ordem natural das coisas, poderão já cá não estar no meu regresso. E recordo-me com clareza de ter estado sentado na beira da cama e da Avó saber que estava doente mas de não saber com o quê exactamente e de falar que devia ter o mesmo que a Tia Matilde e que uma prima que eu não conhecia. Sem nunca mencionar a palavra, ela sabia o que tinha, apesar de querer acreditar que não era e que tudo ia melhorar, como tanto lhe diziam. E ela despediu-se de mim desejando uma boa viagem de regresso a Lisboa. E eu secretamente, desejei que não fosse aquela a última frase que ela me dizia. 

Não gosto da ideia de não voltar a comer o pão quente que ela própria amassava e que em criança me deixava fazer bonecos com a massa, nem da canja que eu repetia 3 vezes todos os Natais por achar que mais ninguém a fazia tão bem. Foi no Natal de 2008, o único Natal que não passei com a minha família, que me apercebi, num telefonema seu na véspera de Natal, que eu não poderia passar mais nenhum Natal longe dos meus. Foi aí que percebi a força da união da família e que tive dificuldade em conter as lágrimas que não queria que ela percebesse. 

Era com imenso orgulho que dizia a toda a gente que tinha o privilégio de ter os meus 4 avós e agora não tenho mais. Mas continuo a considerar-me um sortudo, não apenas por ter tido a Avó Cristina na minha vida, mas por ter uma família unida e que se ama, independentemente das formas de manifestação de cada um.

E não quero saber se foi o coração ou se foi o cancro que te traiu. 
Estarás sempre no meu coração.

quinta-feira, novembro 29, 2012

Amsterdam - day 3

Hoje o dia era para comecar novamente na loja da Apple, mas decidi visitar antes a Oude Kerk, a igreja mais antiga da cidade. Pela primeira vez fui brindado com uma simpatia muito acima do esperado, nao apenas comigo mas com todas as pessoas a minha frente na fila, o senhor da bilheteira fez-me mudar um pouco a imagem que fiquei dos nativos. Nos dias anteriores tinha tido experiencias muito desagradeveizinhas com uma senhora no aeroporto e outra no supermercado, as melhores personificacoes da Carol Beer do Little Britain que alguma vez vi. No entanto, para alem dos euros gastos no "queque" do dia anterior, este foi o dinheiro mais estupido que gastei em Amsterdao. Qualquer igreja de bairro em Lisboa bate esta aos pontos.
Hoje foi dia de museus. Queria ver ainda o Rijksmuseum e o Alexandre queria ver o Stedelijk. Nao sem antes tirarmos a fotografia da praxe nas letras do "I AMSTERDAM". Queria ter baixado as calcas e ter posto o rabo no buraco da letra A para ser diferente mas acabei apenas por tirar uma fotografia a praticar o coito com a letra I. Gostei muito de ambos os museus e recomendo. Estou com um problema em identificar os autores de alguns quadros, mas quando publicar fotografias aqui tentarei escrever um titulo assim "Quadros de Monet, Renoir, Manet, Degas, Delacroix e Rembrandt" e depois jogo tudo e voces dois que leem este blogue, tentam brincar ao jogo de identificar a quem pertence cada quadro. Boa? Va, Degas eh facil, tem, sempre bailarinas e cenas do genero.
No resto do dia acho que percorremos todas as ruas da cidade e ainda repetimos algumas porque ja nao sabiamos o que fazer. Claro que o simples facto de passear pelos canais ja parece um bom programa, mas ja estavamos sem ideias para fazer coisas. A viagem perfeita a Amsterdao penso que seria ir ter com alguem que viva la para podermos passear mas tambem viver a cidade como um habitante de la. Portanto, 4 dias aqui, para mim, ja eh demais. E ainda falta o quarto.

Amsterdam - day 2

O Alexandre pifou o telemovel por causa de um "acidente" com um copo de vodka que foi pontapeado e tivemos de comecar o dia logo na loja da Apple. Fiquei surpreendido com a minha capacidade de orientar-me logo ao segundo dia, fui ter a Leidsplein (terei escrito bem? Haviam de me ouvir pronunciar isto, pareco que vou escarrar um gafanhoto) num instante, e a partir dai voltei a ter o meu Ambrosio a conduzir a bicicleta enquanto eu me limitava a tentar nao entalar as nadegas nos ferros da bicicleta. Nao eh a sensacao mais agradavel, mas serviu para passear sem me cansar (muito). Por alguma razao, sobrevivemos. Descobri que nesse dia a Cat Power ia cantar algures e tive pena que o Tiago nao estivesse aqui para viver isso, mas rapidamente soubemos que ela tinha cancelado.
Fomos ao Museu Hermitage onde esta a coleccao do Van Gogh, era a exposicao pela qual mais ansiava e nao desiludiu. Fiquei foi a espera de encontrar a "Starry Night" mas deve estar noutro pais qualquer, preciso pesquisar na internet. Descobri tambem que ele pintava amendoeiras e lembrei-me que calhava bem uma amendoa amarga mas estes apetites dao sempre quando nao da para satisfaze-los. Fui mega rebelde e tirei fotografias a socapa com o telemovel no museu. Agora tenho montes de fotografias desenquadradas ou com reflexos estupidos. Mas valeu pela rebeldia da coisa. Se bem que havia pessoas a tirar fotografias bem a vontade e que ficaram bem melhores que as minhas concerteza.
Foi o dia de nos despedirmos do Rui, metemo-lo no comboio e eu e o Alexandre fomos comer space cakes. Quer dizer, fomos comer um queque de chocolate que custava 6 euros. E depois, em vez de irmos reclamar ao senhor a inutilidade daquele bolo, fomos dormir uma hora para poder aguentar ate o jantar. A idade ja nao perdoa, eu nao era assim. Ao jantar, por uma questao de dinheiros e apetites por comida de plastico, decidimos ir ao Burguer King. Havia dezenas pela cidade mas nos resolvemos demorar amis de meia hora para encontrar um. Ja referi que as ruas parecem todas iguais?
Com fast-food no bucho, fomos ainda a um bar mas dessa vez nao encontrei nenhuma senhora de meia idade que me enchesse o ego e entao fomos dormir para o hostel mega espectacular e foi assim o dia.
 
Ponto.

terça-feira, novembro 27, 2012

Amsterdam, day 1

Pois bem. Comecou a minha viagem pelas Holandas. Nao percebo um chavelho da lingua e esta um frio dos diabos. Logo no eroporto fiz dois amigos, um casal escoces la pelos 60 anos que me ajudaram a descobrir a linha do comboio. A diferenca para eles, è que estavam mais entusiasmados com a viagem e era ja a terceira vez que eles vinham aqui. Achei na minha cabeca que o entusiasmo era para chegar a uma coffee shop. Ou por causa do tempo magnifico, ja que ao contrario da Escocia, aqui nao chovia. Sei que o senhor estava contentissimo a falar sobre o cruzeiro que fez que passou pela Madeira e sobre, adivinhem la, o Cristiano Ronaldo. Quem diria. Ao entrar no comboio senta-se ao meu lado um rapaz que ouviu a conversa toda. Era colombiano, a viver no Saldanha em Lisboa e era dj um bar do Bairro Alto. Nao me falou do Cristy, mas viemos o caminho todo a falar do Falcao, do James Rodriguez e do Jackson Martinez. Obviamente, os melhores jogadores do mundo para ele. E eu so me lembrava da Gloria do Modern Family, va-se la saber porque. O rapaz estava tao entusiasmados como o casal escoces bonacheirao atras de nos, mas da parte dele percebi logo que essa alegria era motivada pelas duas coisas que qualquer pessoa associa a Amsterdao. Que alias, ele ja deve estar habituado la na Colombia, um regresso as raizes, portanto.
O meu hostel... ai, ai... enfim... è triste ser pobre mas o que me vale è que eu nao me importo. Fica logo no centro, numa rua com muito movimento e que, segundo o telemovel, a localizacao mais proxima chama-se Red Light District. Nao faco ideia do que seja. Peguei no mapa e calcorreei a cidade por umas horas ate enviar mensagem ao Rui que estava por estas bandas com um amigo, o Alexandre. Gostei da cidade, è mooooooito castica, com as fachadas lindas de morrer e as casa do res do chao sem janelas, ou seja, em qualquer rua temos um Big Brother numa casa de qualquer habitante normal. Fez-me um bocadod de confusao e de inveja, ate porque as casas sao LINDAS de morrer por dentro, esta gente è de facto dotada de muito bom gosto. Nalgumas janelas inclusivamente vi raparigas em roupa interior que acidentalmente se esqueceram de fechar as cortinas. Acho eu, quer dizer, algumas acenavam as pessoas da rua, se calhar era gente conhecida. Apercebi-me que ha urinois nas ruas mas achei por bem fazer o meu xixi num centro comercial, mas quando me apercebi que era preciso por uma moeda para entrar acho que nao resisti e soltei uma pinguinha. Gosto de dar estes detalhes. Ha muitas lojas a vender coisas de couro, ja percebi que è um material muito apreciado nesta cidade. Isso e lojas com cogumelos, eles sao pelos fungos. Gostei de ver os canais, as pontes e os patos e cisnes e quase fui atropelado 27 vezes, por bicicletas, eletricos e motociclistas. Algumas casas estao de lado. Pensei que estivesse a precisar trocar as lentes ou que tinha comido algum cogumelo fora do prazo, mas afinal as casas estao mesmo de lado. Sao uns rebeldes.
Precisei dormir 1 hora antes do jantar porque ja nao tenho idade para estas coisas. Festejei o aniversario do Alexandre e descobri que ele seria o meu colega e quarto e de passeatas nos 2 dias seguintes.
Para o dia 1 foi mais ou menos isso e eu estou a gastar um dinheirao para escrever isto no computador do bar irlandes do qual o meu hostel faz parte portanto ja chega. Esta a dar Lana del Rey e eu estou a gostar.

Agora adeus, beijos e abracos!

domingo, novembro 04, 2012

As Publicações Foleiras no Facebook segundo a "Sábado" e segundo a humilde sapiência do Peter

Esta semana a revista "Sábado" escreveu um brilhante artigo sobre 10 tipos de publicações que podem ser consideradas foleiras no Facebook. Pois, a minha pessoa, com um recente humor demasiadamente mordaz, não quis deixar passar esta oportunidade para meter a colher no assunto. Aviso com a devida antecedência, antes que comece o ricochete, que eu próprio sou capaz de em tempos ter prevaricado, publicando uma ou outra fotografia ou pensamento a roçar o rafeiro, mas uma pessoa sabe que cresceu quando olha para trás e não se reconhece naquela pessoa que tirava fotografias com o boné de lado ou fazendo gestos mega cool com os dedos. Depois há aquelas pessoas que... enfim, que... coiso.



"Já deve ter lido muitos artigos sobre os problemas de privacidade no Facebook. Possivelmente nem lhes deu grande importância. De acordo com um estudo da Universidade de Coimbra, grande parte dos portugueses nem se preocupa com a privacidade na Internet. Neste caso, no blogue ‘There’s the thing’ de Ben Patterson, a escritora convidada, Caroline Weller, está mais interessada em falar sobre as actualizações que se tornam foleiras. A editora do jornal ‘The Huffington Post’ tenta explicar ao utilizador que o que pode achar engraçado para publicar no próprio perfil, pode perder toda a piada e até ser considerado como de falta de classe por alguns."



"1 - Imagens do seu café da manhã, do almoço e do jantar não são para estar no Facebook e, se quer publicar algo sobre a sua última refeição, certifique-se de que é algo informativo, divertido e, claro, propositado"


É que não há paciência. Tem dias em que quase conseguimos fazer o cálculo das calorias ingeridas e toda uma análise qualitativa dos repastos preparados. Quando são refeições caseiras, geralmente são para se gabar dos dotes culinários que nem existem porque o mais provável é que tenham feito pela primeira vez alguma coisa que viram no programa da Nigella. "Olhem para mim, tão sofisticado". Sabem o que seria divertido e diferente? Publicar fotografias do antes e do depois. Tipo, em modos cocó. 
Quando as refeições são fora de casa, o conceito consiste em informar o mundo de forma subtil, o local onde estão alapados através de algum elemento na fotografia, locais esses, sempre chiquérrimos, porque não interessa publicar fotografias dos croissants do café do Pingo Doce. 
Neste segmento apenas são aceitáveis fotografias tiradas às incursões gastronómicas do Pedro, não pelo requinte da coisa (até porque a única coisa que me acerta sempre é cozer massa), mas pela alta probabilidade dessa poder ser a última refeição que farão. Para sempre.

"2 - Fotos de grupo com os pés a formarem um círculo. Esta parece ser a última tendência no Facebook, de acordo com Carolina Weller. Para a editora, pode parecer divertido mostrar as sandálias novas mas, na maioria das vezes, tudo o que se vê são os “dedos de salsicha e o verniz lascado”.

Confesso que este tipo de publicações não dominam os murais dos meus amigos, mas eu aproveito para introduzir uma temática semelhante: as fotografias de pés na praia. Esse flagelo da sociedade, pelas mais variadas razões. Reforço os "dedos de salsicha", mas gostaria de mencionar as depilações mal feitas, as unhas por cortar e em última instância, a infelicidade de terem ido para a praia sozinhos e por essa razão, terem de tirar, a si próprios, uma fotografia em que apenas aparecem pés, areia e mar. Para além de toda a falta de sentido estético da coisa, todos aqueles que publicam fotografias destas na praia em momentos em que estamos fechados nos nossos locais de trabalho, deviam ser queimados em praça pública.
"3 - Mensagens enigmáticas (ex: “Estou em choque!”)

Isto incentiva mais os revirares de olhos do que comentários e pode mesmo fazer com que fique mal visto no seu grupo de amigos"


Para estas pessoas, um tabefe bem dado nas trombas. Não é que as pessoas não saibam explicar ou descrever a coisa que lhe está a acontecer. É mais pela urgência desmesurada de comunicação com outro ser vivo que tenha um perfil no facebook. Detesto pessoas carentes que o demonstrem em praça pública e implorem por mensagens e "likes". É como se pedissem "Por favor, comentem para eu poder explicar o que se passa". Estas pessoas geralmente apenas têm amigos virtuais e perdem a virgindade aos 40.

"4 - Um ícone emotivo quando presta condolências a um amigo que está de luto

Um simples :( não é a melhor forma de prestar o seu respeito. Convém fazê-lo pessoalmente ou com o uso de palavras, de forma cuidada"


Já ouvia dizer, se não temos nada de relevante para dizer, mais vale ficarmos quietinhos. E sobretudo não colocar "Gosto" neste tipo de publicações, nunca se sabe bem com o que estamos a lidar. Eu pelo menos acho que é capaz de ser deselegante dizer que gostamos na notícia que o cão fugiu de casa, que tivemos um acidente de carro ou que nos morreu a Avó. 
"5 - Calão de Internet em demasia...

...Como “LOL” e “LMAO”. Um “LOL” usado demasiadas vezes pode fazer com que os seus amigos deixem de fazer comentários ou enviar mensagens"

Já não sei o que dizer, e apesar de estar com cara de carneiro mal morto, vou pôr "LOL" para as pessoas perceberem a minha alegria contagiante que não tenho, na realidade. Típico de quem é pobre de vocabulário. Agradece-se que se ofereçam livros a estas pessoas pelo Natal.
"6 - Muitas fotografias em que está claramente embriagado

Todos nós gostamos de uma ‘happy hour’, mas tenha cuidado com as fotos que publica. Se tiver fotos a mais onde segura uma fatia de limão ou um adereço ridículo, que possivelmente comprou a um vendedor de rua, o melhor é começar a apagar ou tirar a identificação da imagem"

Tiaras, óculos gigantescos, colares que brilham e outros adereços que se vendem no Bairro Alto estão proibidos. É só parvo. E se por acaso se lembrarem de publicar alguma infame fotografia em que eu apareça igualmente embriagado, é bom que a tornem privada, percebem? 
"7 - Publicações de pensamentos muito pessoais

Pergunte sempre a si mesmo se quer realmente anunciar um pensamento super secreto ou uma confissão profunda para todos os seus amigos, familiares e colegas de trabalho no Facebook. Claro que pode sempre excluir um post, mas quando se trata desta rede social, “mais tarde é sempre tarde demais”.

São pessoas que não se contêm. A informação jorra em jactos pela boca fora. Guilty.
"8 - Viagens sobre a sua última causa

O activismo está por toda a parte no Facebook. Se quiser transformar o seu perfil num palco virtual ou criar uma página para a sua causa favorita, força. Mas escrever algo como "Eu sei que 97% de vocês não vão passar o presente, mas os meus amigos verdadeiros vão" não é muito convincente e torna-se manipulativo e detestável"


Mais um exemplo de quem merece uma chapadinha nas bochechas. Eu recuso-me a propagar este tipo de informação, nem que prometa 0,05 cêntimos por cada partilha. Sim, porque todos sabemos que isso é realmente fidedigno. Ainda para mais, é petulante as pessoas assumirem que uma alta percentagem dos seus amigos não vão ligar nenhuma a uma causa que consideram extremamente importante. É caso para dizer que precisam de arranjar amigos novos.
"9 - Fotografias tiradas com um telemóvel a si mesmo a fazer beicinho para um espelho.

Estas fotografias tiradas a si próprio podem parecer-lhe arte, mas tudo o que os outros vêem é alguém que está sozinho, numa pequena casa de banho, a tirar fotos. Pior ainda, as suas imagens mais reveladoras podem ir parar aos cantos mais sórdidos da Internet e boa sorte para as retirar de lá. Uma dica: não o faça"

Um clássico. Fotografias apenas com a toalha enrolada à cintura. Rapazes a levantar discretamente a t-shirt para se ver os músculos abdominais. Raparigas a espremer quanto mais podem as mamas para parecerem maiores. Uma dica: é natural que quando nos esforçamos muito para ter um corpo fabuloso no ginásio e fazemos uma alimentação controlada que fazemos questão de partilhar com o mundo em fotografias anteriores, sintamos necessidade/vaidade em mostrar ao mundo. É legítimo. Mas para isso, tentem fazê-lo de forma discreta. O 'show-off' é repelente. Publiquem uma fotografia na praia com amigos ou que não tenha sido tirada com o braço esticado. Não soa tanto a desespero. E já que falamos de praia, por favor, evitar fotografias deitados na areia molhada com a água a bater e com um olhar sedutor. A pose "Pequena-sereia" só fica bem à Beyoncé e, lá está, à Ariel.

Já agora, esqueceram-se da razão nº 10, mas deixo-vos com uma fotografia dos meus pés. Só porque me apetece e porque os tinha lavados.


terça-feira, setembro 25, 2012

Are You Happy Now?

Vivem-se tempos de crise. Crises económicas, sociais e emocionais. Quando tinha 10 anos não era nada é nada disto que eu esperava estar a acontecer. Houve um tempo em que eu achava que podia ser muito feliz com muito pouco. Dinheiro? Não precisava dele em grandes quantidades. Carros topo de gama? Para quê? Um emprego cheio de estatuto que nos esgota o tempo de vida? Era um poeta, não precisava de nada disso. E as pessoas? Nesse tempo eram todas potenciais amigas, livres de maldade. Só queria ganhar o suficiente para ter uma vida pacata, uma cabana em cima da praia, dois ou três cães a correr nas redondezas e muitos amigos que apareciam para conversar e jogar às cartas. Desde que houvesse música, seríamos todos felizes. Sim, já fui assim.
Agora não me deixam. Tanta liberdade acabou por se tornar traiçoeiro. Não sei onde foi esse ponto de viragem. Mudei muito nos últimos anos e eu, por brincadeira dizia que me tornei pior pessoa desde que comecei a morar com o meu actual colega de casa mas a Laura nega esta versão e afirma saber bem quando foi a viragem. A minha racionalidade ficou sem filtro e passei a ter dificuldade em distinguir o que devia ser absorvido do que não devia. Tornei-me demasiado permeável e a culpa é inteiramente minha porque eu estava de braços abertos para apanhar tudo ao mesmo tempo. Sequei um pouco. Não gosto de me sentir assim e irrita-me não saber o que fazer. Sou cada vez menos Peter Pan e quase preciso de uma bengala para andar e de medicação para a memória. 

E perante todas as minhas inquietações e dúvidas pergunto a mim mesmo: sou feliz assim?

E eu não sei responder.


domingo, setembro 23, 2012

Our Window


"São 4 horas da madrugada e as coisas estão a ficar pesadas. 
Ambos sabemos que este é o final, mas nenhum de nós está preparado. 
Falas como um estranho e eu não sei o que fazer.
E eu sou insensível e cruel para todos, menos para ti.

A primavera pode ter os mais cruéis dos meses.
Sim, estávamos a prometer demasiado,
Como na promessa que me deste na qual disseste que amar-me-ias sempre.
Mas ambos sabemos que pelo Outono ficas da cor das folhas secas.

E as estrelas a brilhar pela nossa janela,
Já passou algum tempo desde que olhei para as estrelas.

Não creio que este seja o fim, 
Mas eu sei que não podemos continuar"


sexta-feira, setembro 21, 2012

A Propósito de Touradas


Nunca fui defensor das touradas mas também nunca manifestei opiniões radicais em relação ao assunto. Hoje em passagem pelo facebook não consegui deixar de ficar indiferente e dei por mim a ter uma vontade muito pouco "racional" de esbofetear uma série de pessoas. Mas acabei por deixar apenas a minha opinião, já que todos podemos ter uma. 


 CITAÇÃO 
"Antitaurinos existiram sempre, mas há 10, 15 anos existe o 'animalismo', que tem a ver com uma doença grave da nossa sociedade, em que as pessoas tentam transportar a sensibilidade e o sentimento do que é racional e humano para o animal. E isto porque a nossa sociedade está doente. Existem cada vez mais indivíduos sós, com mais problemas psicológicos, em que a sensibilidade, o sentimento, a relação humana é difícil de alcançar. É difícil sentir e relacionar-se. Por este facto, os animais domésticos são a salvaguarda e a bóia de salvação de muita gente, que tenta transmitir a ideia de que também o toiro é um animal doméstico, o que não é. Transportar este sentimento para um animal irracional é totalmente estúpido." Maestro Victor Mendes, 2011 

 Ao que respondi: 

Para mim doentio é a presunção de superioridade do ser humano em relação às outras espécies. Para além do sofrimento gratuito infligido ao touro em prol de um momento de diversão (!?), no final de contas as touradas não passam de uma manifestação de superioridade de uma espécie que se auto-denomina de "racional" contra uma "animal". Só por essa razão o confronto já se torna desigual já que nós é que estamos dotados de uma rede sináptica muito superior. Mas se calhar é mais confortável um confronto destes em que o vencedor está claramente decidido desde o início e onde o touro, o máximo que pode fazer, é reagir a provocações que nem percebe de onde vêm, mas lá está, quem é ele para entender estas coisas, afinal ele não está lá para pensar. O Maestro Victor Mendes e os seus restantes seguidores deveriam, talvez, no topo da vossa superioridade, ter a humildade de perceber que se calhar o que é doentio não é "transportar a sensibilidade e o sentimento do que é racional e humano para o animal" mas sim a necessidade de querer colocar a nossa espécie num arrogante pedestal, nem que para isso tenhamos de inferiorizar uma outra espécie qualquer. Em relação a isso, aconselho esta leitura. http://www.mariuzapregnolato.com.br/?cont=faq_sobre_o_complexo_de_superioridade (as pessoas racionais não se vão ofender certamente)

segunda-feira, setembro 10, 2012

Summer In The City

Fez no passado dia 7 quatro anos que desembarquei nesta cidade de Lisboa. Não foi uma decisão tomada em cima do joelho, mas foi um tiro no escuro. Foi uma fuga de uma ilha que já era pequena demais para mim, pois sempre achei que o mundo era muito mais do que um pedaço de terra rodeado de mar. E foi inspirado por esse sentimento de claustrofobia e pela magia e encanto pelo desconhecido que comprei a viagem para o novo mundo. Estava convencido que não seria uma aventura em vão, que seria algo para durar, e quem sabe, para nunca mais voltar. Por essa razão, fiz questão de me despedir convenientemente daquilo e daqueles que me tornaram no Pedro dos 23 anos acabados de fazer. Na família, ninguém me criticou nem me tentou dissuadir. Entre o encorajamento da Avó Juliana, que sempre me disse que há um mundo maravilhoso "lá fora" para conhecer e a apreensão contida da Norberto e da Julianinha, fiz as malas sem segundos pensamentos. Dos amigos, despedi-me com um "Viva La Vida", saltado e cantado em plenos pulmões, como se o Dj soubesse exactamente que aquela era a música mais oportuna para aquele momento.
A despedida parecia tão simples como quando se apanha o "Lobo Marinho" para o Porto Santo, mas desta vez o barco não pararia na ilha dourada. E desta vez as mães verteram uma lágrima porque sabiam que o destino era um pouco mais distante. E naquele barco estávamos eu, o Marcelo e o Roberto ávidos de uma nova vida, guiados por diferentes perspectivas. Foram 23 horas de viagem, mais uma do que o previsto. Eles ficaram em Portimão, eu segui para Lisboa. De autocarro até Sete Rios, de metro até o Chiado, de elevador, o da Bica, até a Rua da Boavista onde fiquei cerca de duas semanas, na casa do Diogo. Foram duas semanas muito preenchidas pelo calor do final do Verão e pela liberdade que esta cidade proporciona. Depois mudei-me para um apartamento em Benfica com o Roberto e o Marcelo. Era um T2 transformado em T3 e para nós parecia um palácio apesar de ser a pior casa por onde passei. Foram apenas dois meses, em que vivemos numa espécie de comunidade de emigrantes madeirenses, pobres mas felicíssimos. Não tardou a chegar a Laura, com quem partilhei o meu quarto, a Lisandra e o Amândio para o quarto do Marcelo e ainda, por pouco tempo, a Vanessa como terceiro elemento no quarto mais divertido de todos os tempos, onde passei a dormir num colchão que trouxe da rua, depois da Tia Helena entrar no seu prédio para não ser associada ao sobrinho que resolveu adoptar um colchão sabe-se lá de quem. Foram dois meses intensos, com muitas histórias para contar, relatadas pelas imensas fotografias que fomos tirando ao longo das 8 semanas em que me tornei um Hitler da lida da casa, porque afinal de contas, alguém tinha de impor as regras naquele T3 improvisado. Havia sempre alguém a esquecer-se de trocar o rolo de papel higiénico ou a esquecer-se de lavar a loiça que sujava. E houve incidentes com formigas, telemóveis e vizinhos que chamavam a polícia. No fundo, foi por obra de um qualquer Deus que toda a gente saiu ilesa daqueles 2 meses de convivência. Seguiu-se a casa do Carlos, perto do Adamastor. Consegui ficar com o quarto maior e convencer a Laura a ficar no quarto interior, já não me lembro bem com que argumentos. Já estava no centro da cidade como tanto queria mas nunca me senti realmente em casa ali. Ainda nos divertimos muito também, mas muitos aborrecimentos surgiram com as comidas que os "outros" nos comiam e a lida da casa que nunca era feita por ninguém. Senti-a como uma casa de passagem. Em casa, senti-me quando me mudei (definitivamente) para a Madalena. Um pequeno T2 num 4º andar com possibilidade de trepar para o telhado e desfrutar dos ares da Baixa de Lisboa. A minha vítima dessa vez foi o Rúben, que felizmente, gostava de fazer a faxina e não me comia os chocolates nem as bolachas como a Laura fazia com as "melhores bolachas do mundo", que, fazendo publicidade, são do Pingo Doce. Passou pouco mais de um ano até passar a morar com o Tiago, naquele mesmo 4º andar, mas em menos de um ano, mudámo-nos para a Sé, onde somos imensamente felizes no meio de um Bairro histórico, perto do Castelo, da Sé Catedral, de miradouros e ruínas romanas. 
Em termos profissionais, tentei entrar para a TAP, não resultou na altura, então fui fazendo que ia aparecendo. Ao contrário de muitos amigos meus que vejo com o rabo sentado no sofá de casa, orgulho-me de ter feito diversas coisas mesmo que fora da minha área de estudos, desde trabalhar no bar de uma discoteca, servir num casamento, fazer trabalho de secretariado numa escola de línguas, ensinar segurança rodoviária a crianças pelo país fora, e finalmente, dar aulas em escolas e treinos no Holmes Place. 

Hoje olho para trás e recordo com alguma saudade muitas destas coisas que vivi nestes 4 anos. Não me arrependo de ter "fugido" da Madeira e muito dificilmente regressarei às origens. Cresci tanto. Não sou uma pessoa com o bolso mais cheio do que quando cheguei cá, muito por culpa das constantes mudanças de casa e dos concertos e viagens que tanto desejava ver e fazer. Não me arrependo nem um instante desses "desfalques". Já vi Nouvelle Vague, Mika, Jason Mraz, Regina Spektor, Diana Krall, Norah Jones, Deolinda (492 vezes), Luísa Sobral (576 vezes), Beyoncé, Coldplay (2 vezes), Amália Hoje, The Gift, Colbie Caillat, Katy Perry, Noah and The Whale, Sugababes, The Strokes, Lykke Li, entre outros. Infelizmente já deixei passar Madonna, Lady Gaga, Rihanna, Goldfrapp, Bebel Gilberto, Garbage, Feist e ainda me auto-mutilo por isso. Já fui a Madrid, Londres, Roma, Berlim, Barcelona e daqui a poucos meses vou a Amesterdão, Paris e Berlim de novo, onde vou assistir a Florence and The Machine. 
Conheci tanta gente interessantíssima nestes 4 anos. Também conheci muita gente que não serve sequer de tapete para a entrada de casa. Apaixonei-me por Lisboa e assumi essa relação. Já me desencantei também mas ainda não desistimos um do outro. Como dizem os Deolinda, "Lisboa Não é Cidade Perfeita P'ra Nós", mas cá vamos sobrevivendo, sem escorregar nas pedras traiçoeiras da calçada. 

E são 3 da manhã e oiço a Regina cantar "Summer In The City". E com alguma nostalgia, letargia e até algum desencanto, ela diz-me isto que transcrevo:

Summer in the city means cleavage cleavage cleavage 

And I start to miss you, baby, sometimes 
I've been staying up and drinking in a late night establishment 
Telling strangers personal things 

Summer in the city, I'm so lonely lonely lonely 
So I went to a protest just to rub up against strangers 
And I did feel like coming but I also felt like crying 
It doesn't seem so worth it right now 

And the castrated ones stand in the corner smoking 
They want to feel the bulges in their pants start to rise 
At the site of a beautiful woman they feel nothing but 
Anger, her skin makes them sick in the night nauseaous, nauseaous, nauseaous 

Summer in the city, I'm so lonely lonely lonely 
I've been hallucinating you, babe, at the backs of other women 
And I tap on their shoulder and they turn around smiling 
But there's no recognition in their eyes 

Oh summer in the city means cleavage cleavage cleavage 
And don't get me wrong, dear, in general I'm doing quite fine 
It's just when it's summer in the city, and you're so long gone from the city 
I start to miss you, baby, sometimes 

When it's summer in the city 
And you're so long gone from the city 
I start to miss you, baby, sometimes 
I start to miss you, baby, sometimes 
I start to miss you, baby, sometimes"