Hoje temos vacas roxas da Suíça, Pirâmides perfeitas do Sr. Ambrósio e animais marinhos da Bélgica. Temos também Ovos cheios de surpresas, chocolates para depois das 20h e até discussões a propósito do último Mon Cheri. Amanhã temos diabetes.
Na Vila Palmeira a preparação de qualquer refeição é sempre uma tarefa complicada. Não para mim que eu não sou um mestre de culinária e se me incluíssem na lista de cozinheiros iam ser todos corridos a pizzas do Pingo Doce. Para bem de todos, mantenho-me apenas na lista da limpeza da loiça.
Numa mesa improvisada com portas antigas para caber toda a família, a confusão é inevitável, o primeiro a servir-se de água, sumo ou vinho acaba por ter de servir todos os outros. Há pratos e copos a passar de um lado para o outro na mesa, pessoas a repetir quando outras ainda estão a começar a refeição, todos falam ao mesmo tempo mas todos se entendem. Um corta o pão, outro passa a manteiga, outro deita os talheres ao chão, outro lembra-se que não tem guardanapo, outro vai buscar mais uma cerveja.
Uma coisa é certa, todas as noites na Vila Palmeira temos os melhores jantares do mundo. A razão: estamos em família.
Entrei às 7h da manhã e deixei uma cama quentinha em casa a chorar por mim.
Tive várias (demasiadas) pessoas a faltar hoje aos treinos e eu adoro ficar à espera de pessoas que nem chegam a avisar que não vão.
Cheguei a casa após 11h e meia no trabalho e percebi que os telemóveis ficaram abandonados no office.
Tentei cozinhar salmão para o jantar que ficou todo aos bocados.
Os legumes que tentei fazer para acompanhar queimaram.
Pus batatas no forno para acompanhar os bocados de salmão que consegui resgatar, mas deixei-as cair, ficando no chão, misturadas com estilhaços do prato onde estavam a assar.
Tenho a casa para limpar mas tenho dores nas costas.
Sendo que quase metade das coisas que referem-se a trabalho e a outra metade aos meus dotes e habilidades na cozinha, decidi não querer saber mais de trabalho nem de telemóveis hoje e comer bolachas, sentado no sofá, quietinho, para não correr o risco de fazer mais porcaria. Para piorar, não há chocolate em casa. Mas eu vou sobreviver. Espero.
Mais um ano que passa e mais um acontecimento eurovisivo na vida do Pedro.
Tudo começou há muitos anos, quando a Anabela, a Sara Tavares e Lúcia Moniz me despertaram para todo um novo mundo de pimbalhice musical europeia sem o qual já não consigo viver. Nós últimos anos a doença agravou-se e começámos a reunir-nos. Não apenas aqueles que conhecem as músicas da Turquia em 2003, da Grécia em 2005 ou da Finlândia em 2006, mas também alguns inocentes que são apanhado na teia e que acabam por ser obrigados a ouvir toda a informação sobre o percurso da Arménia ou do Azerbeijão nos últimos anos nestas reuniões. Desde 2008 que o evento se tornou um dos momentos sociais mais importantes do ano, mais do que os Óscares ou os Grammy's e se calhar, até mais do que o meu aniversário. Nesse ano reuni-me na casa do "Big Brother" dos Erasmus, onde espanhóis, checos e portugueses se confrontaram, tendo a vitória sido nossa - a Vânia ficou em 13º, os espanhóis em 16º e os checos nem chegaram à final. Sei é que desde então nunca mais me atrevi a ver o coiso sozinho e então há todos os anos em Maio um belo pretexto para reunirmos os groupies, que segundo a Wikipedia são pessoas que buscam intimidade emocional e/ou sexual com um músico, celebridades e/ou pessoas públicas em geral, num alegre banquete à volta da televisão. Parei agora um bocado para pensar nesta coisa dos groupies e já continuo.
Pronto, já está.
Este ano Portugal não participou mas também ninguém sentiu falta. As apostas foram feitas e elegemos 4 categorias de prémios que davam direito a um saco de gomas ou a um chocolate. Cada um elegia as 10 músicas que gostava mais, especificando o pódio, e as 5 que gostava menos.
Top 10 - a pessoa que acertou mais países no top 10 fui eu e a Rute (sete é obra!) mas por causa do cara de peixe balão da Bélgica perdi o saco de gomas no desempate.
Top 10 Pontos - a pessoa cujo top 10 teve o maior número de pontos foi a Rute e ganhou um chocolate.
Top 3 - a pessoa que teve mais pontaria para o pódio foi a Laura e aqui eu não tinha hipótese porque fui a única abrótea a não acertar no vencedor, aliás, nem tinha posto a Dinamarca no pódio. Culpo a Anouk por isso.
Top Bottom - aqui ganhava a pessoa que tinha mais pontaria para os desastres do ano - nesta categoria ganhei eu. Obrigado Espanha.
Portanto, contas feitas, e a grande vencedora do ano, para além da Dinamarca, foi a Rute com um chocolate e um saco de gomas e depois a Laura com um saco de gomas e eu com outro chocolate. O Rúben decidiu ser o Sporting da Eurovisão, apesar de ter acertado no vencedor pelo 486º ano consecutivo, e não levou nada. Minto, ganhou o resto da Macedónia que a Laura insistiu que devia acompanhar o seu jantar saudável de pão, chouriço, frango assado, batatas fritas, ice-tea, gomas e chocolate.
No final, a menina da Dinamarca deixou-se fotografar com os seus groupies favoritos, apesar de eu não ter vontade de "buscar intimidade emocional ou sexual" com ela.
Para o ano há mais, a Laura já começou a praticar com a sua parafernália da poncha e o Rúben com um brinquinho. E se não pusermos a Rute a cantar, talvez até passemos à final!