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quarta-feira, abril 02, 2014

PES Agricultor - Há Túlipas No Meu Jardim III



E eis que nasceu a 3ª túlipa do meu jardim. É linda e vermelha e está cheia de saúde. Baptizei-a de Conchita em homenagem à (ao?) representante da Áustria na Eurovisão deste ano, Conchita Wurst. Aliás, ao vê-la nascer não consegui pensar noutra imagem que não esta abaixo, em que a Conchita está mergulhada numa banheira cheia de pétalas de rosa enquanto canta "Rise Like a Phoenix". 


Entretanto, dos restantes rebentos, alguns acabaram por falecer mesmo antes de florescerem, e pelo andar da coisa, só terei mais uma túlipa a caminho. Não sei se será por tê-las plantado todas no mesmo vaso ou se por alguma outra razão, mas realmente já tive tive de arrancar uns três abortos de túlipa. O que é um facto é que neste momento a Liliana e a Conchita convivem alegremente no meu jardim e se tudo correr bem, terei mais novidades no principado da Sé. 


sexta-feira, março 21, 2014

Quando Vier a Primavera



Deixa cá ver: 
o sol já apareceu e já não preciso de cinco casacos para andar de mota, as flores começam a nascer e as árvores com os primeiros rebentos. Já fui até à praia e usei óculos de sol. Ainda não vi as primeiras andorinhas, mas também não tenho olhado para o céu. As osgas da Sé ainda não apareceram também, mas já devem ter desovado portanto as mini-osgas devem estar para breve. Claro que o universo gosta de brincar com as pessoas e tratou de terminar o Inverno com um "Indian Summer" e começar a Primavera com um "Foggy Day in London Town". Consegui espalhar-me ao comprido com a lambreta por causa dos primeiros chuviscos após umas semanas de secura numa espécie de "Hit The Road Jack". Mas vá, oficialmente a Primavera chegou e pretendo começar a usá-la o quanto antes. Não hoje, que queria ir ao Bairro Alto brindar à nova estação, mas com chuva não vai dar. É um jogo. 
Entretanto, parece que hoje é o dia mundial da Poesia, e aproveitando esse pretexto, a chegada da Primavera e as boas notícias que recebi hoje, relembrei um dos meus poemas favoritos, declamado desta forma maravilhosa. E fico em paz.


Quando vier a Primavera, 
Se eu já estiver morto, 
As flores florirão da mesma maneira 
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. 
A realidade não precisa de mim. 

Sinto uma alegria enorme 
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma 

Se soubesse que amanhã morria 
E a Primavera era depois de amanhã, 
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. 
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? 
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; 
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. 
Por isso, se morrer agora, morro contente, 
Porque tudo é real e tudo está certo. 

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. 
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. 
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. 
O que for, quando for, é que será o que é. 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 





quinta-feira, março 20, 2014

PES Agricultor - Há Túlipas no Meu Jardim II


Apresento-vos a segunda túlipa do meu jardim. Depois da Elma que entretanto faleceu após uns 4 dias de vida, floresceu a Liliana. Assim não tive tempo para fazer o luto da Elma, o que deu um jeitão porque ando sem tempo para dramas. Esta não foi baptizada logo porque eu estava à espera de compreender melhor a sua personalidade. No dia seguinte olhei para ela nos olhos e senti uma sensualidade igualzinha à da Liliana e o seu nome tornou-se inevitável. Resta saber se esta túlipa também tem um grande bosu. E se também tem uma queda pelo álcool. 


sábado, fevereiro 22, 2014

Last Christmas I gave you my heart...


... e passados dois meses fazes-me isto. 

Eu bem sei que é difícil aceitares o facto de eu ter dois amores e o outro estar num móvel com maior visibilidade, mas não havia necessidade de te despedires desta forma. Tentarei demover-te dessas ideias suicidas deixando-te um pouco à janela a apanhar os raios de sol deste sábado luminoso, na esperança que reconsideres essa tua despedida embrutecida. 

My gardening problems #562... Hunf!

domingo, fevereiro 16, 2014

PES Agricultor - as túlipas



No dia 5 de Janeiro plantei 10 túlipas e desejei com toda a força do mundo que a Primavera chegasse rapidamente. Pensei por momentos que as túlipas pudessem ser as novas andorinhas. Após 40 dias não há andorinhas, nem tão pouco vestígios de Primavera, porém o milagre da Natureza está a acontecer na minha cozinha e até o momento, 9 das 10 túlipas já deram um ar da sua graça e estão ali espevitadas à espera do calorzinho que NUNCA conheceram. Começaram a nascer há já umas semanas e estive quase a declarar no blogue que a Primavera havia chegado, mas ainda bem que me contive, pois os tectos do meu quarto e da casa de banho insistiram em convencer-me do contrário, deitando lágrimas de chuva dentro de casa. Ando a esgravatar à procura do 10º rebento mas até agora nada. Estou a pensar baptizá-las mas vou esperar por saber as suas cores. Estou a torcer para que nasça uma com padrão tigresa para chamá-la Dona Dolores. O resto a seu tempo se saberá. 

quarta-feira, maio 01, 2013

Pedro, o Agricultor

Que as minhas façanhas no mundo da agricultura e da floricultura não eram famosas, já todos sabíamos. Na verdade, sempre que resolvo aventurar-me nos seus caminhos sinuosos, parto do princípio que não vai durar muito, apesar da constante esperança de que desta vez correrá melhor. Pois. Um belo dia resolvi plantar tulipas de Amesterdão, a esperança não era a maior deste mundo, mas os bolbos pareciam cebolas e se as cebolas crescem alegremente na minha cozinha mesmo sem terra, as tulipas teriam algumas hipóteses também. E apesar da confusão da Primavera que ainda não se decidiu se chegou ou não, os bolbos germinaram. Houve alguma apreensão para descobrir as cores das flores, já que havia comprado 5 exemplares, supostamente todos de cores diferentes. No cartucho dizia que podiam nascer brancas, amarelas, pretas, vermelhas, raiadas, sei lá, toda uma palete digna de arco-íris. Duas brancas e uma amarela foi o resultado, mas pelos vistos as outras duas, que dei aos meus pais, vieram de branco também. Lindeza, tanta pureza junta, mas eu estava à espera de algo mais folclórico e senti-me enganado pelo senhor do mercado de Waterloo, que estou a pensar voltar lá para reclamar. Isso e comer um bolo daqueles que eles fazem tão bem em Amesterdão que nos deixam com a cabeça à roda de tão "bons" que são. Ainda assim eu sou uma pessoa que recebe os seus rebentos de braços abertos e consegui tirar esta fotografia onde os meus três exemplares estavam lindos e maravilhosos. Quando digo "consegui tirar", não é por haver perninhas que as façam correr pela casa o que tornaria difícil apanhá-las as três juntas. A dificuldade que falo é em ter três flores vivas ao mesmo tempo. Isto porque no dia seguinte, uma delas começou a falecer. E em menos de uma semana, o resultado era o da fotografia seguinte. Vou aproveitar para justificar este fim com as mudanças bruscas de estação, elas ficaram confusas, pensaram que já era Outono de novo e então fizeram o que tinham a fazer. Isto não tem absolutamente nada a ver com o excesso de água que lhes dei, nadinha.




Já a buganvília, apesar de não ter crescido 1 cm que seja de um ano para o outro, ao menos resolveu florescer como era suposto. Ainda só tem um raminho chei'da flores, mas em breve estará maravilhosa na janela da Sé, isto se eu não me lembrar de lhe deitar adubo ou alguma coisa que a faça falecer também. É um caso de sobrevivência com sucesso.



Sei que não devemos ter preferidos, mas por agora a minha pimpineleira é o ex-libris cá de casa. Começou a germinar junto das abóboras, das cebolas e das batatas e resolvi dar-lhe terra a ver o que acontecia. E o milagre deu-se. E agora tenho na minha cozinha uma planta com ADN de Santana que me faz sorrir sempre que a vejo, pois faz-me lembrar a Avó Cristina e o seu quintal de onde veio a pimpinela. E só ficarei contente quando começar a dar frutos. 





terça-feira, fevereiro 19, 2013

Primeiros Dias de Primavera

É oficial, apesar de hoje ser 19 de Fevereiro, a Primavera chegou à Sé! Aquilo que até hoje parecia impossível está a acontecer. As flores e plantas desta casa estão a ganhar um vigor que ninguém acreditaria. Geração espontânea, perguntam vocês. Eu respondo, NÃO, com uma exclamação! Muito amor e dedicação, isso sim. Quer dizer, um dia alguma planta iria singrar nesta casa, após as tentativas goradas de ter palmeirinhas, manjericos e manjericão. 

Eis a "Fénix". Baptizei-a assim porque nem ela sabe quantas vezes já faleceu e voltou à vida. Neste momento está em franca recuperação e até ganhou um novo lugar na casa, junto à janela. O desafio será tentar que não fique com as folhas todas amarelas e morra pela 264ª vez, já que este era o local da falecida palmeirinha que padeceu durante alguns meses, mesmo depois da intervenção cirúrgica da Rute num dia em que veio cá a casa jantar.


A menta. A única erva aromática que ainda sobrevive, já que o manjericão e uma outra que não me lembro do nome (temos sempre preferidos, quer queiram, quer não). Também já caminhou diversas vezes pelo túnel da morte, mas consegui que ela visse a luz em todas elas. Deita-se um bocadinho de água de vez em quando e ouvimos os seus desabafos e é tudo o que ela precisa. Com sorte, na próxima estação terá folhas aceitáveis para que se possa fazer alguma coisa com elas. Para já, está uma espevitada.


As minhas tulipas de Amesterdão! Estão a grelar. É um milagre eu conseguir fazer estes bolbos germinarem. Tenho 4 no mesmo vaso, mas só vejo duas por agora. Não faço ideia das cores que vão sair, mas vou amá-las da forma que elas quiserem ser. Desde que não se armem em parvas e queiram ser cravos. Isso é que não.


A buganvília mirrada que resolvi plantar num vaso e pendurá-la no varandim estava sem folhas e flores há muito tempo. Pensei que nunca mais seria feliz nestas condições, mas reparei ao início da semana que estava a dar flor e folhas novamente! Estou radiante! A ver se este verão está toda florida como deve de ser.



E nesta alegre rebaldaria plantal, até as cebolas, as batatas e as pimpinelas se manifestaram. Já trepam coisas e tudo. Já não servem para comer, mas à falta de animais de estimação, servem para fazer companhia. Se as abóboras e os limões grelassem, seria um fungagá, mas para o bem de todos, ainda bem que não. 

E o instagram torna tudo tão mais bonito!

quinta-feira, agosto 09, 2012

"Us"


Finalmente te encontro num dos teus raros momentos de descanso. Pousaste a tua mochila e sentaste-te numa pedra, a pedra que tinha a melhor vista, não por cansaço mas porque o momento assim exigia. Abriste os braços, esticando-os o mais que podias, ergueste a cabeça para o céu e respiraste fundo mantendo os teus olhos fechados. O ar estava mais puro do que nunca, cheirava a pinheiros, cheirava a liberdade. Não satisfeita, levantaste-te e começaste a girar e girar e girar, cada vez mais rápido até ficares atordoada e caíres no meio da erva e das flores amarelas que se confundiam com as do teu vestido. Inebriada, ficaste a olhar para o céu e começaste a interpretar de que se disfarçavam as nuvens que se moviam a uma velocidade alucinante. Quantas vezes paraste para olhar as nuvens? Esse era o momento para o fazer. 
E o teu sorriso era o mais convidativo, o teu vestido o mais florido e a tua energia a mais bonita com que alguma vez me presenteaste.



"We're living in a den of thieves

Rummaging for answers in the pages
We're living in a den of thieves
And it's contagious
And it's contagious
And it's contagious
And it's contagious"

© Dave Reede/All Canada Photos/Corbis

domingo, abril 20, 2008

20 de Abril



"Flowers have an expression of countenance as
much as men or animals. Some seem to smile;
some have a sad expression; some are pensive and
diffident; others again are plain, honest and
unpright, like the broad-faced sunflower and the
hollyhock"

Henry Ward Beecher






Spring, 1573
Giuseppe Arcimboldo
Academia di S. Fernando, Madrid