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sexta-feira, março 21, 2014

Quando Vier a Primavera



Deixa cá ver: 
o sol já apareceu e já não preciso de cinco casacos para andar de mota, as flores começam a nascer e as árvores com os primeiros rebentos. Já fui até à praia e usei óculos de sol. Ainda não vi as primeiras andorinhas, mas também não tenho olhado para o céu. As osgas da Sé ainda não apareceram também, mas já devem ter desovado portanto as mini-osgas devem estar para breve. Claro que o universo gosta de brincar com as pessoas e tratou de terminar o Inverno com um "Indian Summer" e começar a Primavera com um "Foggy Day in London Town". Consegui espalhar-me ao comprido com a lambreta por causa dos primeiros chuviscos após umas semanas de secura numa espécie de "Hit The Road Jack". Mas vá, oficialmente a Primavera chegou e pretendo começar a usá-la o quanto antes. Não hoje, que queria ir ao Bairro Alto brindar à nova estação, mas com chuva não vai dar. É um jogo. 
Entretanto, parece que hoje é o dia mundial da Poesia, e aproveitando esse pretexto, a chegada da Primavera e as boas notícias que recebi hoje, relembrei um dos meus poemas favoritos, declamado desta forma maravilhosa. E fico em paz.


Quando vier a Primavera, 
Se eu já estiver morto, 
As flores florirão da mesma maneira 
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. 
A realidade não precisa de mim. 

Sinto uma alegria enorme 
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma 

Se soubesse que amanhã morria 
E a Primavera era depois de amanhã, 
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. 
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? 
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; 
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. 
Por isso, se morrer agora, morro contente, 
Porque tudo é real e tudo está certo. 

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. 
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. 
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. 
O que for, quando for, é que será o que é. 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 





sábado, março 08, 2014

Eu sei que chegou a Primavera...


quando, 
ao andar de mota, 
um mosquito 
me vaza um olho
por eu não levar
óculos de sol.

Escrevi isto como se fosse um poema. Mas não é.


domingo, fevereiro 16, 2014

PES Agricultor - as túlipas



No dia 5 de Janeiro plantei 10 túlipas e desejei com toda a força do mundo que a Primavera chegasse rapidamente. Pensei por momentos que as túlipas pudessem ser as novas andorinhas. Após 40 dias não há andorinhas, nem tão pouco vestígios de Primavera, porém o milagre da Natureza está a acontecer na minha cozinha e até o momento, 9 das 10 túlipas já deram um ar da sua graça e estão ali espevitadas à espera do calorzinho que NUNCA conheceram. Começaram a nascer há já umas semanas e estive quase a declarar no blogue que a Primavera havia chegado, mas ainda bem que me contive, pois os tectos do meu quarto e da casa de banho insistiram em convencer-me do contrário, deitando lágrimas de chuva dentro de casa. Ando a esgravatar à procura do 10º rebento mas até agora nada. Estou a pensar baptizá-las mas vou esperar por saber as suas cores. Estou a torcer para que nasça uma com padrão tigresa para chamá-la Dona Dolores. O resto a seu tempo se saberá. 

terça-feira, fevereiro 19, 2013

Primeiros Dias de Primavera

É oficial, apesar de hoje ser 19 de Fevereiro, a Primavera chegou à Sé! Aquilo que até hoje parecia impossível está a acontecer. As flores e plantas desta casa estão a ganhar um vigor que ninguém acreditaria. Geração espontânea, perguntam vocês. Eu respondo, NÃO, com uma exclamação! Muito amor e dedicação, isso sim. Quer dizer, um dia alguma planta iria singrar nesta casa, após as tentativas goradas de ter palmeirinhas, manjericos e manjericão. 

Eis a "Fénix". Baptizei-a assim porque nem ela sabe quantas vezes já faleceu e voltou à vida. Neste momento está em franca recuperação e até ganhou um novo lugar na casa, junto à janela. O desafio será tentar que não fique com as folhas todas amarelas e morra pela 264ª vez, já que este era o local da falecida palmeirinha que padeceu durante alguns meses, mesmo depois da intervenção cirúrgica da Rute num dia em que veio cá a casa jantar.


A menta. A única erva aromática que ainda sobrevive, já que o manjericão e uma outra que não me lembro do nome (temos sempre preferidos, quer queiram, quer não). Também já caminhou diversas vezes pelo túnel da morte, mas consegui que ela visse a luz em todas elas. Deita-se um bocadinho de água de vez em quando e ouvimos os seus desabafos e é tudo o que ela precisa. Com sorte, na próxima estação terá folhas aceitáveis para que se possa fazer alguma coisa com elas. Para já, está uma espevitada.


As minhas tulipas de Amesterdão! Estão a grelar. É um milagre eu conseguir fazer estes bolbos germinarem. Tenho 4 no mesmo vaso, mas só vejo duas por agora. Não faço ideia das cores que vão sair, mas vou amá-las da forma que elas quiserem ser. Desde que não se armem em parvas e queiram ser cravos. Isso é que não.


A buganvília mirrada que resolvi plantar num vaso e pendurá-la no varandim estava sem folhas e flores há muito tempo. Pensei que nunca mais seria feliz nestas condições, mas reparei ao início da semana que estava a dar flor e folhas novamente! Estou radiante! A ver se este verão está toda florida como deve de ser.



E nesta alegre rebaldaria plantal, até as cebolas, as batatas e as pimpinelas se manifestaram. Já trepam coisas e tudo. Já não servem para comer, mas à falta de animais de estimação, servem para fazer companhia. Se as abóboras e os limões grelassem, seria um fungagá, mas para o bem de todos, ainda bem que não. 

E o instagram torna tudo tão mais bonito!

quinta-feira, abril 19, 2012

"First Days Of Spring"



"Era mais um daqueles dias em que o cansaço se apoderara do meu corpo e tudo o que ele pedia era um banho quente de imersão e um chá quente a acompanhar. Um chá que lembrasse o tempo frio do Inverno que terminara, cuja passagem havia sido incólume, imperceptível. Tomei esse chá de mel e limão como a minha derradeira hipótese de me despedir condignamente dos dias cinzentos, entrelaçando com força os dedos das mãos engelhadas à volta da chávena. Os meus joelhos começaram a enregelar por estarem acima do nível da água fumegante e precisei encostar a chávena para atenuar o frio do ar que percorria aquela divisão da casa. Não podia chamar a Regina ou a Luísa para ligar o aquecimento central porque tinham saído até ao mercado para comprar flores frescas para as jarras da sala, nem tão pouco o Óscar, tão embrenhado há semanas na organização da festa para celebrar a chegada das andorinhas. Subitamente, contrariando todas as expectativas para aquele pesado dia, por entre os gigantescos blocos de cimento escuro colados na atmosfera, escapou-se um tímido raio de sol, logo seguido de outro e mais outro, que sem pedir licença atravessaram a vidraça e se instalaram nos azulejos baços do século XVIII que rodeavam a banheira. Senti a presença do Noé, que chegou a casa com a ligeireza de sempre. Quando ele chegava era como se viesse acompanhado de uma orquestra que, delicadamente, enchia a casa com aquela sensação de leveza primaveril e que nos permitia ouvir o desabrochar das flores. E os meus joelhos aqueceram com os raios de sol que ao bater neles, os transformaram em arco-íris sobre a minha pele. Aproveitei a música que entrara com o Noé para terminar o banho que me acabara de revigorar para o resto do dia. Um dia que, a partir desse momento, entrava em contagem decrescente para a chegada da Primavera. O Óscar não ia querer que o Mr. D. chegasse ao seu banquete sem a sua andorinha e para isso era necessário escoar o peso de mais de quatro estações pelo ralo abaixo. Para todos os efeitos, a água já estava suja e fria. E era Primavera. E era impreterível que não houvesse uma nova Primavera sem andorinhas no beiral do seu Palácio"


For I'm still here hoping that one day you may come back



sexta-feira, março 25, 2011

É Primavera agora, meu Amor!


É Primavera agora, meu Amor!
O campo despe a veste de estamenha;
Não há árvore nenhuma que não tenha
O coração aberto, todo em flor!

.
Ah! Deixa-te vogar, calmo, ao sabor
Da vida... não há bem que nos não venha
Dum mal que o nosso orgulho em vão desdenha!
Não há bem que não possa ser melhor!
.
Também despi meu triste burel pardo,
E agora cheiro a rosmaninho e a nardo
E ando agora tonta, à tua espera...

.
Pus rosas cor-de-rosa em meus cabelos...
Parecem um rosal! Vem desprendê-los!
Meu Amor, meu Amor, é Primavera!...



Florbela Espanca

Imagem:
Monet (Champs au Printemps)

terça-feira, janeiro 18, 2011

Um Homem Na Cidade


A magia das histórias por mim inventadas ainda habita nesta cidade. Uma cidade que fervilha de pessoas que todos os dias se cruzam sem se olharem nos olhos e sem senhores de chapéu que o tirem para dar os bons dias ao entrar no café. Uma cidade em constante fusão de cores e cheiros e músicas, com artérias entupidas de carros, elétricos e pessoas apressadas e ocupadas com os seus próprios pensamentos. Cheia de estreitas vielas iluminadas por candeeiros à média luz, repletas de histórias para contar. Histórias de homens bêbados que perderam o rumo, de crianças que jogavam à bola com uns trapos sonhando ser jogadores do Benfica, de casais que roubaram beijos fugidios encostados à parede com medo de serem apanhados. As pedras da calçada, gastas de tanto chorar com os romances que viram nascer, crescer e terminar com tragicidade grega. Gosto de parar para ouvir os azulejos com as suas memórias, texturas, cores e curvas, escalando prédios altos, recortados por janelas amplas e varandas estreitas. Invejo os poetas que descrevem uma Lisboa resplandescente, boémia, dramática, soturna, obscura. Ninguém a sorveu com igual prazer como eles. Os loucos. Aqueles que praguejam, que cantam desditas aos sete ventos sem serem realmente ouvidos, que espalham fés, que dormem nas ruas tornando-as corredores das suas grandes casas arejadas e com o universo como telhado. Serão eles os loucos ou estaremos nós demasiado convencidos com a nossa "normalidade" de pessoas cheias de pressa e problemas e sem tempo para nada?

Hoje, noite de lua-cheia, voltei a estar em paz com esta cidade. Reconciliei-me com ela e voltei a lembrar que ainda tem muito para me dar. E eu a ela. Avizinha-se uma Primavera e como diz a Florbela Espanca,

"Há uma Primavera em cada vida,
é preciso cantá-la assim florida,
pois se Deus nos deu voz foi p'ra cantar"



The rows of houses of a District Chiado
IMAGEM:
© TOSHI SASAKI/amanaimages/Corbis

domingo, março 21, 2010

PRIMAVERA



É PRIMAVERA OFICIALMENTE!

E as condições metereológicas fizeram questão de se assegurar qua a sua chegada preenchia todos os requisitos que são exigidos na teoria. Os raios de sol, o calor, a possibilidade de andar de t-shirt, os bichos que aparecem na Primavera, as pessoas a ficarem mais bonitas e com ar menos doente. Hoje ao andar num táxi tive a oportunidade de abrir a janela do carro porque ESTAVA CALOR. Adeus aos casacos sobrepostos! Adeus aos fungos das minhas paredes! Adeus ao aquecedor que vai ser guardado no closet durante uns valentes meses! Adeus às gripes e constipações! Adeus às semanas de chuva incessante! Adeus à impossibilidade de pôr roupa a secar durante dias a fio!

Olá aos finais de tarde mais longos! Olá aos calções! Olá aos mosquitos e às abelhas! Olá à possibilidade de ir à praia (quando tiver tempo para isso, o que parece difícil)! Olá à boa disposição! Olá à vitamina D proporcionada pelo sol! Olá aos óculos de sol! Olá aos gelados a toda a hora!

E um dia destes deveria ser considerado FERIADO NACIONAL!

sábado, maio 17, 2008

17 de Maio


"Now Nature hangs her mantle green
On every blooming tree,
And spread her sheets o' daisies white
Out o'er the grassy lea"

Robert Burns



Spring, 1478
Sandro Botticelli
Uffizi Gallery, Florence

quarta-feira, maio 14, 2008

14 de Maio



"The apple blossoms' shower of pearl,
Though blent with rosier hue,
As beautiful as woman's blush,
As evanescent too"

Letitia Elizabeth Landon






Spring (Apple Blossom), 1859
John Everett Millais
Board of Trustees of the National Museums and Galleries on Merseyside (Lady Lever Art Gallery, Port Sunlight)

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Meravigliosa Creatura



Rodopias num tapete de retalhos primaveris, quentes e frescos com os olhos fechados. Dizem que é da forma que sentes as coisas com maior intensidade e tu, melhor que ninguém, sabes disso. Trepas árvores como fazias em criança e enroscas-te nos ramos que te embalam enquanto observas as flores que desabrocham augurando uma estação luxuriante. Os ténues raios de sol aquecem-te a face e deixas escapar um sorriso fugidio, malandro. Sentes-te renovado, revigorado. Já não te sentias assim desde aquele dia em que foste passear de bicicleta ao final da tarde e que comeste aquele gelado que te deixou a boca e a roupa lambuzada.


Trauteias canções numa língua que desconheces e mesmo não sabendo a letra sabes que são bonitas. Transportam-te para outro nível, para um sítio onde abundam castelos que pintalgam as florestas, castelos com princesas de brincos de pérola e fontes de águas translúcidas repletas de nenúfares.


Levas debaixo do braço um livro com páginas amareladas pelo tempo, aquele que nunca te cansas de ler pois encontras sempre algo novo na poesia das palavras meticulosamente agrupadas. Como se fosse a primeira vez.


Rejubilas por te sentires com 7 singelos anos, saltas rochedos, abraças árvores e tropeças em raízes o que te faz libertar gargalhadas despreocupadas mesmo que tenhas ficado todo enlameado.


Só não sabes o caminho para casa. E por isso vais percorrendo os trilhos que escolhes aleatoriamente. Não te preocupas seriamente. Hás-de lá chegar.



The Tree of Life,

Gustav Klimt