segunda-feira, setembro 10, 2012

Summer In The City

Fez no passado dia 7 quatro anos que desembarquei nesta cidade de Lisboa. Não foi uma decisão tomada em cima do joelho, mas foi um tiro no escuro. Foi uma fuga de uma ilha que já era pequena demais para mim, pois sempre achei que o mundo era muito mais do que um pedaço de terra rodeado de mar. E foi inspirado por esse sentimento de claustrofobia e pela magia e encanto pelo desconhecido que comprei a viagem para o novo mundo. Estava convencido que não seria uma aventura em vão, que seria algo para durar, e quem sabe, para nunca mais voltar. Por essa razão, fiz questão de me despedir convenientemente daquilo e daqueles que me tornaram no Pedro dos 23 anos acabados de fazer. Na família, ninguém me criticou nem me tentou dissuadir. Entre o encorajamento da Avó Juliana, que sempre me disse que há um mundo maravilhoso "lá fora" para conhecer e a apreensão contida da Norberto e da Julianinha, fiz as malas sem segundos pensamentos. Dos amigos, despedi-me com um "Viva La Vida", saltado e cantado em plenos pulmões, como se o Dj soubesse exactamente que aquela era a música mais oportuna para aquele momento.
A despedida parecia tão simples como quando se apanha o "Lobo Marinho" para o Porto Santo, mas desta vez o barco não pararia na ilha dourada. E desta vez as mães verteram uma lágrima porque sabiam que o destino era um pouco mais distante. E naquele barco estávamos eu, o Marcelo e o Roberto ávidos de uma nova vida, guiados por diferentes perspectivas. Foram 23 horas de viagem, mais uma do que o previsto. Eles ficaram em Portimão, eu segui para Lisboa. De autocarro até Sete Rios, de metro até o Chiado, de elevador, o da Bica, até a Rua da Boavista onde fiquei cerca de duas semanas, na casa do Diogo. Foram duas semanas muito preenchidas pelo calor do final do Verão e pela liberdade que esta cidade proporciona. Depois mudei-me para um apartamento em Benfica com o Roberto e o Marcelo. Era um T2 transformado em T3 e para nós parecia um palácio apesar de ser a pior casa por onde passei. Foram apenas dois meses, em que vivemos numa espécie de comunidade de emigrantes madeirenses, pobres mas felicíssimos. Não tardou a chegar a Laura, com quem partilhei o meu quarto, a Lisandra e o Amândio para o quarto do Marcelo e ainda, por pouco tempo, a Vanessa como terceiro elemento no quarto mais divertido de todos os tempos, onde passei a dormir num colchão que trouxe da rua, depois da Tia Helena entrar no seu prédio para não ser associada ao sobrinho que resolveu adoptar um colchão sabe-se lá de quem. Foram dois meses intensos, com muitas histórias para contar, relatadas pelas imensas fotografias que fomos tirando ao longo das 8 semanas em que me tornei um Hitler da lida da casa, porque afinal de contas, alguém tinha de impor as regras naquele T3 improvisado. Havia sempre alguém a esquecer-se de trocar o rolo de papel higiénico ou a esquecer-se de lavar a loiça que sujava. E houve incidentes com formigas, telemóveis e vizinhos que chamavam a polícia. No fundo, foi por obra de um qualquer Deus que toda a gente saiu ilesa daqueles 2 meses de convivência. Seguiu-se a casa do Carlos, perto do Adamastor. Consegui ficar com o quarto maior e convencer a Laura a ficar no quarto interior, já não me lembro bem com que argumentos. Já estava no centro da cidade como tanto queria mas nunca me senti realmente em casa ali. Ainda nos divertimos muito também, mas muitos aborrecimentos surgiram com as comidas que os "outros" nos comiam e a lida da casa que nunca era feita por ninguém. Senti-a como uma casa de passagem. Em casa, senti-me quando me mudei (definitivamente) para a Madalena. Um pequeno T2 num 4º andar com possibilidade de trepar para o telhado e desfrutar dos ares da Baixa de Lisboa. A minha vítima dessa vez foi o Rúben, que felizmente, gostava de fazer a faxina e não me comia os chocolates nem as bolachas como a Laura fazia com as "melhores bolachas do mundo", que, fazendo publicidade, são do Pingo Doce. Passou pouco mais de um ano até passar a morar com o Tiago, naquele mesmo 4º andar, mas em menos de um ano, mudámo-nos para a Sé, onde somos imensamente felizes no meio de um Bairro histórico, perto do Castelo, da Sé Catedral, de miradouros e ruínas romanas. 
Em termos profissionais, tentei entrar para a TAP, não resultou na altura, então fui fazendo que ia aparecendo. Ao contrário de muitos amigos meus que vejo com o rabo sentado no sofá de casa, orgulho-me de ter feito diversas coisas mesmo que fora da minha área de estudos, desde trabalhar no bar de uma discoteca, servir num casamento, fazer trabalho de secretariado numa escola de línguas, ensinar segurança rodoviária a crianças pelo país fora, e finalmente, dar aulas em escolas e treinos no Holmes Place. 

Hoje olho para trás e recordo com alguma saudade muitas destas coisas que vivi nestes 4 anos. Não me arrependo de ter "fugido" da Madeira e muito dificilmente regressarei às origens. Cresci tanto. Não sou uma pessoa com o bolso mais cheio do que quando cheguei cá, muito por culpa das constantes mudanças de casa e dos concertos e viagens que tanto desejava ver e fazer. Não me arrependo nem um instante desses "desfalques". Já vi Nouvelle Vague, Mika, Jason Mraz, Regina Spektor, Diana Krall, Norah Jones, Deolinda (492 vezes), Luísa Sobral (576 vezes), Beyoncé, Coldplay (2 vezes), Amália Hoje, The Gift, Colbie Caillat, Katy Perry, Noah and The Whale, Sugababes, The Strokes, Lykke Li, entre outros. Infelizmente já deixei passar Madonna, Lady Gaga, Rihanna, Goldfrapp, Bebel Gilberto, Garbage, Feist e ainda me auto-mutilo por isso. Já fui a Madrid, Londres, Roma, Berlim, Barcelona e daqui a poucos meses vou a Amesterdão, Paris e Berlim de novo, onde vou assistir a Florence and The Machine. 
Conheci tanta gente interessantíssima nestes 4 anos. Também conheci muita gente que não serve sequer de tapete para a entrada de casa. Apaixonei-me por Lisboa e assumi essa relação. Já me desencantei também mas ainda não desistimos um do outro. Como dizem os Deolinda, "Lisboa Não é Cidade Perfeita P'ra Nós", mas cá vamos sobrevivendo, sem escorregar nas pedras traiçoeiras da calçada. 

E são 3 da manhã e oiço a Regina cantar "Summer In The City". E com alguma nostalgia, letargia e até algum desencanto, ela diz-me isto que transcrevo:

Summer in the city means cleavage cleavage cleavage 

And I start to miss you, baby, sometimes 
I've been staying up and drinking in a late night establishment 
Telling strangers personal things 

Summer in the city, I'm so lonely lonely lonely 
So I went to a protest just to rub up against strangers 
And I did feel like coming but I also felt like crying 
It doesn't seem so worth it right now 

And the castrated ones stand in the corner smoking 
They want to feel the bulges in their pants start to rise 
At the site of a beautiful woman they feel nothing but 
Anger, her skin makes them sick in the night nauseaous, nauseaous, nauseaous 

Summer in the city, I'm so lonely lonely lonely 
I've been hallucinating you, babe, at the backs of other women 
And I tap on their shoulder and they turn around smiling 
But there's no recognition in their eyes 

Oh summer in the city means cleavage cleavage cleavage 
And don't get me wrong, dear, in general I'm doing quite fine 
It's just when it's summer in the city, and you're so long gone from the city 
I start to miss you, baby, sometimes 

When it's summer in the city 
And you're so long gone from the city 
I start to miss you, baby, sometimes 
I start to miss you, baby, sometimes 
I start to miss you, baby, sometimes"


1 comentário:

Anónimo disse...

Happy new life's birthday!

dnesa