Hoje temos vacas roxas da Suíça, Pirâmides perfeitas do Sr. Ambrósio e animais marinhos da Bélgica. Temos também Ovos cheios de surpresas, chocolates para depois das 20h e até discussões a propósito do último Mon Cheri. Amanhã temos diabetes.
Porque isto de ser trabalhador independente tem muito que se lhe diga e ninguém está propriamente muito preocupado se estamos prestes a ir desta para melhor. O balanço foi uma semana completa fechado em casa, a comer (sem grandes apetites e quando a garganta permitia), a dormir, a ver televisão e a fazer um puzzle de 1500 peças em tempo recorde no chão da sala. Isto nos intervalos dos episódios febris que, qual relógio suíço, chegavam sempre ao início da noite. E nada como uma gripe com febre e medicação em doses industriais para dar asas ao meu sub-consciente. Entre a imensa actividade na minha cabeça, lembro-me bem de um sonho que teve uma duração de um Senhor dos Anéis, que, resumindo, consistia na preparação de uma viagem para o Burkina Faso onde tinha uma amiga a estudar/trabalhar num projecto da área dela, Biologias e afins. Lembro-me de arrumar as malas, de fazer tempo para apanhar um táxi e contar os minutos para não perder o avião. Já dentro dele (sim, eu não fiz o check-in, saí directamente do táxi para o avião) adormeci - eu sou uma pessoa que adormece dentro do próprio sonho - e quando acordei já íamos a mais de metade do caminho. Vi isso através daquelas televisõesinhas que mostram o percurso. E segundo o meu sonho o Burkina Faso situava-se acima de Angola, no espaço que na verdade pertence ao Congo, tive de procurar no Google um mapa para perceber se eu adivinhava geografia através dos sonhos, mas chumbei. Chegados ao dito país, aterrámos junto a um lugar cheio de terra, carros a cair de podres e galinhas por todo o lado. Apanhei o comboio onde estava uma Tia minha a perguntar se eu tinha trocado euros para a moeda deles, que o revisor estava a passar e eu tinha de pagar o bilhete. E eu não tinha, mas por alguma razão, saltei essa parte do sonho e cheguei a casa da minha amiga, já sem a minha tia, onde ela vivia com outros amigos num ambiente típico de Erasmus, porém, num país de 3º Mundo. Quando cheguei entrei logo num quarto igualzinho ao meu cá de Lisboa e tinha companhia. É agora que começa a parte XXX do sonho e por essa razão vou ter de passar à frente, apesar de me lembrar bem do que aconteceu e com quem. Arf! Depois então fui finalmente cumprimentar as pessoas da casa e estava lá outro amigo da minha amiga. E lembro-me de perguntar o que se podia fazer de divertido por lá e me responderem que não havia nada de especial para se fazer.
FIM.
Conclusão: Para quê um charro ou um space-cake e corrermos o risco de ser apanhados pela lei quando se pode ter febre e medicamentos numa farmácia perto de si?
Detail of the Right Panel of The Temptation of St. Anthony by Hieronymus Bosch
Eu e o meu iPod não nos largámos o ano de 2011 inteirinho. Nem sempre foi bem tratado, seja pelas quedas ao chão, seja por certa qualidade musical duvidosa que o obriguei a ter, mas mal ou bem, ambos sobrevivemos. E como estou preso em casa nesta prisão domiciliária forçada pelas doenças da época e não tenho muito para fazer para além de dormir e ver televisão, decidi escrever este post muito pouco relevante com as músicas que mais tocam no meu iTunes e iPod. O Top 25 tem quase todas as músicas com mais de 100 reproduções e as duas primeiras com mais de 200. É mointo. E porque as músicas que ouvimos dizem muito de nós, mal ou bem, calhou isto:
Pegámos nas bolsas e arrumámos lá dentro as coisas que precisávamos sem grande cuidado. Pouco importava se as roupas não combinavam umas com as outras, a ideia passava por andar o máximo do tempo em fato-de-banho, óculos de sol e havaianas nos pés. Era Verão, aquela estação pela qual tanto ansiávamos. Não planeámos um único detalhe e partimos quase sem destino. Mesmo com tantas diferenças, encontrámos um no outro o equilíbrio perfeito para nos deixarmos ir com o vento sem perder aquele conforto quase familiar que nos ficou entranhado.
Puseste a chave na ignição e decidimos que íamos ser leves. Pela estrada fora pusemos o volume no máximo e deixaste-me escolher as músicas. Cantámos, às vezes apenas eu, e tu não reclamaste. Não só não o fizeste como prestaste atenção ao que diziam as músicas, talvez por eu cantar por cima - à excepção das partes que não sabia, nessas, como te confessei, ficava subitamente mudo como se estivesse a apreciar a paisagem num breve silêncio para disfarçar e não estragar o momento que estava a partilhar com uma invenção qualquer da letra.
Atravessámos campos cheios de palha, outros verdes, outros com flores de várias cores e percorremos estradas sinuosas com árvores plantadas à sua beira. E o mundo era nosso.
Com a mão fora do janela do carro, pus-me a fazer aquelas ondas como as crianças gostam de fazer e falámos das movimentações das altas para as baixas pressões e muitas outras parvoíces que rapidamente nos vinham à cabeça.
Sabias que eu sentia-me no pico mais alto da vida e gostavas disso. Estávamos com um brilhozinho no olhar e o louro dos nossos cabelos resplandecia mais do que o normal.
E, não sei se te lembras, mas disse-te que aquele exacto momento era de certa forma, uma consagração daquilo que chamamos felicidade e que passamos o tempo todo a ambicionar. Aprendi que vivemos de momentos e não de fases e eu apercebi-me que aquele era "O Momento" e partilhei-o contigo.
She said "what?" He said "you" She said "what are you talking about?" He said "you" (...) She said "thanks, I like you too" He said "cool"
Sinceramente, estou-me pouco importando para a crise no país, não me tem tirado o sono e prefiro mesmo nem ver os telejornais a espalhar sangue gratuitamente. Esta não é altura para lirismos. Esta não é altura para os poetas da vida. Esfregam-nos na cara uma realidade dura onde não sobra lugar para devaneios ou divagações filosóficas. Há-que entrar em estágio e rapidamente meter mãos à obra - "Fazer Acontecer". É todo um conceito cheio de boas intenções, quase sempre goradas. Contra mim falo, que nem consigo manter o meu quarto arrumado.
Cliché, que se lixe com "F" grande. SÊ A MUDANÇA QUE QUERES VER NO MUNDO. Não vais estar rodeado de príncipes e princesas se não fores um(a). "Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes" - e dizia eu que não havia lugar para poesias, já me sinto um marginal.
Não consigo conceber a entrega total das nossas vidas a alguma entidade superior ou ao mero fado que está escrito nos pergaminhos ou num qualquer Universo. Eu quero as coisas e não gosto da ideia de que só as tenho por vontade divina. Ou as tens por trabalho ou por sorte. Infelizmente a segunda não me tem acompanhado nos últimos dias, mas a primeira depende unicamente de mim.
venho por este meio informá-la que não quero brincar mais.
A ideia de ficar em casa um dia e ter pessoas preocupadas com o nosso estado de saúde é reconfortante, ter sempre alguém a perguntar se já tomamos os remédios e para sairmos de casa bem agasalhados é divertida durante 1 ou 2 dias. Ponto.
O meu nariz parece uma torneira entupida e ter de adormecer com a boca aberta para respirar começa a ser deprimente. A garganta continua inflamada ao ponto de parecer que estou a engolir um crocodilo quando na verdade é só um bocado de pão que eu mastigo muito bem antes de fazê-lo chegar ao estômago. E depois esta é uma gripe cheia de humor. Quando penso que já está a ir-se, eis que volta atrás para ficar mais um bocadinho. Depois volta a ir e depressa regressa para matar saudades. Tipo aqueles telefonemas de pessoas com quem não queremos realmente falar, que se despedem 39 vezes, criando falsas esperanças, para depois se lembrarem de mais alguma coisa que ainda não tinham dito, com a diferença que nesses casos podemos sempre fingir que estamos a ficar sem rede até cair a chamada.
Gostava ainda que me regulasse o termostato porque o meu corpo anda bastante disléxico em relação à estação em que estamos.
Portanto, venho informá-la que não é bonito começar assim o ano novo. É bom que isto seja já para despachar toda a dose de maleitas para 2012 porque já que o mundo vai terminar este ano, gostava ao menos de estar apresentável e com o nariz em boas condições.
Nunca o Estado gastou tanto em subsídios de desemprego e nunca a taxa foi tão elevada. Assiste-se a uma vaga de emigração idêntica à dos anos 60 e 70. Os destinos, os habituais - França, Suíça, Brasil e agora Angola. Entre 100.000 e 120.000 pessoas fizeram-no neste ano que termina (podemos contabilizar a escapadela do nosso ex-PM?) e parece ser uma solução viável para 2012.
Depois de apresentados os novos brindes para os madeirenses, foi este o assunto abordado nos Telejornais. E eis que resolvem entrevistar pessoas desempregadas nas ruas. E mais coisa, menos coisa, já que não tenho aqui o MEO para poder andar para trás, foi isto que um Senhor proferiu:
"Pois, isto está tudo mal e não sabemos quando vai melhorar. Eu por exemplo, nunca consigo estar parado. Fico a brincar com o meu miúdo e a minha mulher fica a brincar com a nossa filha. Às vezes vou com o meu filho para o computador e ficamos a fazer coisas".
Há qualquer coisa de mágico no mês de Dezembro. É a aproximação do Natal e de tudo o que lhe está associado. Estive quase a chorar ao saber que este ano não havia iluminações de Natal na cidade mas agora que estou recomposto, até vejo que não necessidade de dramatizar. Afinal de contas não temos publicidades atrozes da TMN no Marquês de Pombal nem da Vodafone na Praça do Comércio e houve muitas lojas e cafés que deram um brilhozinho à cidade. A julgar pela movimentação na Baixa/Chiado, a crise não chegou a todos, ou isso, ou temos metade de uma população que como eu, faz o passeio dos pobres a ver montras e coisas que não iremos comprar mas que ficavam tão bem debaixo do nosso braço a caminho de nossa casa.
Felizmente o Tio Alberto não deixou de gastar uns trocos para as celebrações e podemos estar a ir ao fundo, mas ao menos vamos iluminados. Até porque se houvesse mais luz se calhar a Titanic teria visto o iceberg e se tivesse desviado a tempo. Pensemos nisso por um instante.
Com o início do mês comecei a indrominar estratégias para a decoração lá de casa que permitisse uma coabitação saudável com o Tiago. No ano passado tivemos lutas a propósito do presépio da fonte, pois segundo o meu caro colega de casa, Jesus nasceu numa caverna rodeado de animais e não perto de uma fonte que deita água quando ligada à electricidade. Também não concorda com as roupas cheias de dourados das figuras do presépio, se eles tinham dinheiro para tais indumentárias então deviam ter tido uns trocos para se instalarem numa pensão. No mínimo. Decidi que em relação ao presépio a melhor forma de impingi-lo era à força. E assim foi. Depois com mais calma, vieram as casinhas das velas, os calendários de chocolate, a caixa de música, a bota pendurada na porta e as botas com a contagem decrescente para o Natal pela parede abaixo. Esta semana pretendo introduzir músicas natalícias e na próxima estaremos a escrever cartas ao Pai Natal. Estou a transformar o Scrooge com quem vivo numa pessoa sensibilizada com a paz no mundo e tuditudo.
Aproveitando a greve, não que eu concorde com ela, mas mais valia tirar o dia em vez de arriscar faltas aos treinos, dei um pulinho à praia ali na Costa para dar mais alguns quilómetros à Fly que se porta lindamente a atravessar a ponte 25 de Abril. O objectivo, apanhar conchas. Mas por ali andava tudo passado da mioleira. Eu que quando vou às conchas esqueço o mundo, vi-me embrenhado entre saber onde conseguia guardar tanta concha e búzio, e tentar não ser mordido pela bicharada, que geralmente se espera encontrar morta. Ora vamos lá à contagem: medusas, estrelas do mar, conchas com o bicho lá dentro, os bichos dos búzios, os eremitas e até um polvo.
As conchas resolveram dar à costa, tal como as baleias na Austrália, porém, com a maré vazia lá se lembraram que se calhar a coisa ia correr mal se ficassem na areia e toca a rebolar por lá abaixo, não fosse eu lembrar-me de as apanhar também. Mas eu não o faria. Experimentem apanhar uma concha com bicho lá dentro e esqueçam-se dela dentro da mochila e vão ver o cheiro agradável. Por falar nisso, convém lavar a minha.
Entretanto achei por bem remexer numa concha que estava virada para baixo e lá estava um polvo como se fosse normal haver um polvo dentro de uma concha na areia húmida. Sem água. Tentei chateá-lo a ver se lançava a tinta, mas foi preciso quase jogar a concha para que ele se descolasse. Lá acabou cedendo uns minutos depois e eu, já com a máquina fotográfica em punho, perdi a hipótese de um bom petisco para o jantar.
Resultado: Um ABSURDO de conchas e búzios aqui em casa. E não fosse o sol desaparecer às 17h e picos e teria ficado lá mais umas horinhas à procura de mais e mais e mais. Com jeito ainda encontrava um golfinho ou uma tartartuga a desovar.
O tamanho do bichinho...
Como o bicho cabe todo lá dentro, é um mistério para mim.
Medo.
Esta ficou ao contrário, paciência!
O polvo antes de eu o chatear.
O polvo a começar a ficar aborrecido.
O polvo a ir embora depois de me chamar um nome que não posso escrever aqui.