quarta-feira, agosto 07, 2013

"É P´ró Menino e P´rá Menina"


O anúncio do OLX e a sua musiquinha tornou-se mais viral e irritantezinho do que o famoso anúncio do "Venha ao Pingo Doce de Janeiro a Janeirooooo" e dou por mim inúmeras vezes a cantarolar o "É p'ró menino e p'ra menina" para infortúnio de quem me rodeia. É incontrolável. É para mim o "Gangnam Style" da publicidade, podemos até não gostar, mas infiltra-se nas nossas mentes para todo o sempre. 
O que é um facto é que funciona para o que interessa, ou seja, fez-me utilizar o site para procurar algo que eu desejava há algum tempo: um iPod clássico.
Pifei o anterior nem sei como, não caíu ao chão (tirando há muitos meses, quando caíu da mota em andamento e mesmo assim sobreviveu), não se molhou como o telemóvel, nem foi roubado como a lambreta. Foi mesmo de morte súbita e não lhe cheguei a fazer autópsia. Devido à crise que assola a minha carteira, decidi pesquisar no site do OLX à espera de encontrar algum igual ao antecessor, apesar de duvidar muito de compras em 2ª mão, especialmente de tecnologias. Afinal de contas, como saberemos se está realmente em condições? E se estão todos bons, porque encontramos vários a diferentes preços? Mas gastar cerca de 260 euros num iPod Clássico de 160 gigas estava fora de questão. Claro que não precisava de tanta memória, mas a Apple vai deixando de produzir os modelos anteriores e vemo-nos obrigados a comprar o que há. Ipods nanos estavam fora de questão, "once you go black..." e os com ecrã táctil aborrecem-me porque sou daquelas pessoas que gostam de carregar nos botões sem ter de olhar para o ecrã, e com essa tecnologia, se o fizer, entro em pastas labirínticas que nem sabiam que existiam no ipod ou no telemóvel. Sou um conservador. Pois bem, após alguns dias de pesquisas e negociações, encontrei um que me parecia viável e combinei a compra. O ponto de encontro era a Estação do Rossio. Era fácil, eu entregava o dinheiro, o Ricardo entregava-me a mercadoria. Por momentos, não sabia se estava num blind date ou a viver uma experiência à Sara Norte. No momento da troca, preparei-me para ter de correr atrás do rapaz, não fosse ele entregar-me um iPod de plástico do chinês. Mas não foi preciso, enquanto eu verificava a operacionalidade do iPod, o Ricardo contava o dinheiro. E foi assim que ocorreu a transação, sem ninguém precisar correr, chamar a polícia ou esfaquear o outro. Fiquei um pouco surpreendido ao aperceber-me que não sou o único disléxico a nível musical. Encontrei a história toda da "Alice no País das Maravilhas" de Carrol Lewis lida em inglês, música clássica representada pelo Tchaikovsky, The Beatles, Ella Fitzgerald, Norah Jones, Florence + The Machine, Lisa Ekdahl, Rachel Yamagata, Carminho... e depois coisas como Michel Teló, Psy, Backstreet Boys, Barbra Streisand e Céline Dion. Acreditando que o iPod pertenceu realmente ao Ricardo como ele diz, gostaria de ter tido a oportunidade de lhe elogiar o (algum) bom gosto musical, mas vá, quem puser o meu iPod no aleatório também vai encontrar bimbices iguais ou piores, há-que assumir.
O que é um facto é que o negócio valeu a pena. O iPod está impecável, com menos riscos do que qualquer um dos meus anteriores após uma semana de utilização e custou-me menos de metade do valor de loja.
E fui para casa feliz a ouvir o "Gangnam Style", porque eu lá no fundo, e às vezes à superfície, tenho um apelo por brejeirices.

Três dias depois, encontrei o Ricardo no metro e tive a oportunidade de lhe agradecer. Mas já sem Céline Dion na playlist.



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