domingo, novembro 04, 2012

As Publicações Foleiras no Facebook segundo a "Sábado" e segundo a humilde sapiência do Peter

Esta semana a revista "Sábado" escreveu um brilhante artigo sobre 10 tipos de publicações que podem ser consideradas foleiras no Facebook. Pois, a minha pessoa, com um recente humor demasiadamente mordaz, não quis deixar passar esta oportunidade para meter a colher no assunto. Aviso com a devida antecedência, antes que comece o ricochete, que eu próprio sou capaz de em tempos ter prevaricado, publicando uma ou outra fotografia ou pensamento a roçar o rafeiro, mas uma pessoa sabe que cresceu quando olha para trás e não se reconhece naquela pessoa que tirava fotografias com o boné de lado ou fazendo gestos mega cool com os dedos. Depois há aquelas pessoas que... enfim, que... coiso.



"Já deve ter lido muitos artigos sobre os problemas de privacidade no Facebook. Possivelmente nem lhes deu grande importância. De acordo com um estudo da Universidade de Coimbra, grande parte dos portugueses nem se preocupa com a privacidade na Internet. Neste caso, no blogue ‘There’s the thing’ de Ben Patterson, a escritora convidada, Caroline Weller, está mais interessada em falar sobre as actualizações que se tornam foleiras. A editora do jornal ‘The Huffington Post’ tenta explicar ao utilizador que o que pode achar engraçado para publicar no próprio perfil, pode perder toda a piada e até ser considerado como de falta de classe por alguns."



"1 - Imagens do seu café da manhã, do almoço e do jantar não são para estar no Facebook e, se quer publicar algo sobre a sua última refeição, certifique-se de que é algo informativo, divertido e, claro, propositado"


É que não há paciência. Tem dias em que quase conseguimos fazer o cálculo das calorias ingeridas e toda uma análise qualitativa dos repastos preparados. Quando são refeições caseiras, geralmente são para se gabar dos dotes culinários que nem existem porque o mais provável é que tenham feito pela primeira vez alguma coisa que viram no programa da Nigella. "Olhem para mim, tão sofisticado". Sabem o que seria divertido e diferente? Publicar fotografias do antes e do depois. Tipo, em modos cocó. 
Quando as refeições são fora de casa, o conceito consiste em informar o mundo de forma subtil, o local onde estão alapados através de algum elemento na fotografia, locais esses, sempre chiquérrimos, porque não interessa publicar fotografias dos croissants do café do Pingo Doce. 
Neste segmento apenas são aceitáveis fotografias tiradas às incursões gastronómicas do Pedro, não pelo requinte da coisa (até porque a única coisa que me acerta sempre é cozer massa), mas pela alta probabilidade dessa poder ser a última refeição que farão. Para sempre.

"2 - Fotos de grupo com os pés a formarem um círculo. Esta parece ser a última tendência no Facebook, de acordo com Carolina Weller. Para a editora, pode parecer divertido mostrar as sandálias novas mas, na maioria das vezes, tudo o que se vê são os “dedos de salsicha e o verniz lascado”.

Confesso que este tipo de publicações não dominam os murais dos meus amigos, mas eu aproveito para introduzir uma temática semelhante: as fotografias de pés na praia. Esse flagelo da sociedade, pelas mais variadas razões. Reforço os "dedos de salsicha", mas gostaria de mencionar as depilações mal feitas, as unhas por cortar e em última instância, a infelicidade de terem ido para a praia sozinhos e por essa razão, terem de tirar, a si próprios, uma fotografia em que apenas aparecem pés, areia e mar. Para além de toda a falta de sentido estético da coisa, todos aqueles que publicam fotografias destas na praia em momentos em que estamos fechados nos nossos locais de trabalho, deviam ser queimados em praça pública.
"3 - Mensagens enigmáticas (ex: “Estou em choque!”)

Isto incentiva mais os revirares de olhos do que comentários e pode mesmo fazer com que fique mal visto no seu grupo de amigos"


Para estas pessoas, um tabefe bem dado nas trombas. Não é que as pessoas não saibam explicar ou descrever a coisa que lhe está a acontecer. É mais pela urgência desmesurada de comunicação com outro ser vivo que tenha um perfil no facebook. Detesto pessoas carentes que o demonstrem em praça pública e implorem por mensagens e "likes". É como se pedissem "Por favor, comentem para eu poder explicar o que se passa". Estas pessoas geralmente apenas têm amigos virtuais e perdem a virgindade aos 40.

"4 - Um ícone emotivo quando presta condolências a um amigo que está de luto

Um simples :( não é a melhor forma de prestar o seu respeito. Convém fazê-lo pessoalmente ou com o uso de palavras, de forma cuidada"


Já ouvia dizer, se não temos nada de relevante para dizer, mais vale ficarmos quietinhos. E sobretudo não colocar "Gosto" neste tipo de publicações, nunca se sabe bem com o que estamos a lidar. Eu pelo menos acho que é capaz de ser deselegante dizer que gostamos na notícia que o cão fugiu de casa, que tivemos um acidente de carro ou que nos morreu a Avó. 
"5 - Calão de Internet em demasia...

...Como “LOL” e “LMAO”. Um “LOL” usado demasiadas vezes pode fazer com que os seus amigos deixem de fazer comentários ou enviar mensagens"

Já não sei o que dizer, e apesar de estar com cara de carneiro mal morto, vou pôr "LOL" para as pessoas perceberem a minha alegria contagiante que não tenho, na realidade. Típico de quem é pobre de vocabulário. Agradece-se que se ofereçam livros a estas pessoas pelo Natal.
"6 - Muitas fotografias em que está claramente embriagado

Todos nós gostamos de uma ‘happy hour’, mas tenha cuidado com as fotos que publica. Se tiver fotos a mais onde segura uma fatia de limão ou um adereço ridículo, que possivelmente comprou a um vendedor de rua, o melhor é começar a apagar ou tirar a identificação da imagem"

Tiaras, óculos gigantescos, colares que brilham e outros adereços que se vendem no Bairro Alto estão proibidos. É só parvo. E se por acaso se lembrarem de publicar alguma infame fotografia em que eu apareça igualmente embriagado, é bom que a tornem privada, percebem? 
"7 - Publicações de pensamentos muito pessoais

Pergunte sempre a si mesmo se quer realmente anunciar um pensamento super secreto ou uma confissão profunda para todos os seus amigos, familiares e colegas de trabalho no Facebook. Claro que pode sempre excluir um post, mas quando se trata desta rede social, “mais tarde é sempre tarde demais”.

São pessoas que não se contêm. A informação jorra em jactos pela boca fora. Guilty.
"8 - Viagens sobre a sua última causa

O activismo está por toda a parte no Facebook. Se quiser transformar o seu perfil num palco virtual ou criar uma página para a sua causa favorita, força. Mas escrever algo como "Eu sei que 97% de vocês não vão passar o presente, mas os meus amigos verdadeiros vão" não é muito convincente e torna-se manipulativo e detestável"


Mais um exemplo de quem merece uma chapadinha nas bochechas. Eu recuso-me a propagar este tipo de informação, nem que prometa 0,05 cêntimos por cada partilha. Sim, porque todos sabemos que isso é realmente fidedigno. Ainda para mais, é petulante as pessoas assumirem que uma alta percentagem dos seus amigos não vão ligar nenhuma a uma causa que consideram extremamente importante. É caso para dizer que precisam de arranjar amigos novos.
"9 - Fotografias tiradas com um telemóvel a si mesmo a fazer beicinho para um espelho.

Estas fotografias tiradas a si próprio podem parecer-lhe arte, mas tudo o que os outros vêem é alguém que está sozinho, numa pequena casa de banho, a tirar fotos. Pior ainda, as suas imagens mais reveladoras podem ir parar aos cantos mais sórdidos da Internet e boa sorte para as retirar de lá. Uma dica: não o faça"

Um clássico. Fotografias apenas com a toalha enrolada à cintura. Rapazes a levantar discretamente a t-shirt para se ver os músculos abdominais. Raparigas a espremer quanto mais podem as mamas para parecerem maiores. Uma dica: é natural que quando nos esforçamos muito para ter um corpo fabuloso no ginásio e fazemos uma alimentação controlada que fazemos questão de partilhar com o mundo em fotografias anteriores, sintamos necessidade/vaidade em mostrar ao mundo. É legítimo. Mas para isso, tentem fazê-lo de forma discreta. O 'show-off' é repelente. Publiquem uma fotografia na praia com amigos ou que não tenha sido tirada com o braço esticado. Não soa tanto a desespero. E já que falamos de praia, por favor, evitar fotografias deitados na areia molhada com a água a bater e com um olhar sedutor. A pose "Pequena-sereia" só fica bem à Beyoncé e, lá está, à Ariel.

Já agora, esqueceram-se da razão nº 10, mas deixo-vos com uma fotografia dos meus pés. Só porque me apetece e porque os tinha lavados.


terça-feira, setembro 25, 2012

Are You Happy Now?

Vivem-se tempos de crise. Crises económicas, sociais e emocionais. Quando tinha 10 anos não era nada é nada disto que eu esperava estar a acontecer. Houve um tempo em que eu achava que podia ser muito feliz com muito pouco. Dinheiro? Não precisava dele em grandes quantidades. Carros topo de gama? Para quê? Um emprego cheio de estatuto que nos esgota o tempo de vida? Era um poeta, não precisava de nada disso. E as pessoas? Nesse tempo eram todas potenciais amigas, livres de maldade. Só queria ganhar o suficiente para ter uma vida pacata, uma cabana em cima da praia, dois ou três cães a correr nas redondezas e muitos amigos que apareciam para conversar e jogar às cartas. Desde que houvesse música, seríamos todos felizes. Sim, já fui assim.
Agora não me deixam. Tanta liberdade acabou por se tornar traiçoeiro. Não sei onde foi esse ponto de viragem. Mudei muito nos últimos anos e eu, por brincadeira dizia que me tornei pior pessoa desde que comecei a morar com o meu actual colega de casa mas a Laura nega esta versão e afirma saber bem quando foi a viragem. A minha racionalidade ficou sem filtro e passei a ter dificuldade em distinguir o que devia ser absorvido do que não devia. Tornei-me demasiado permeável e a culpa é inteiramente minha porque eu estava de braços abertos para apanhar tudo ao mesmo tempo. Sequei um pouco. Não gosto de me sentir assim e irrita-me não saber o que fazer. Sou cada vez menos Peter Pan e quase preciso de uma bengala para andar e de medicação para a memória. 

E perante todas as minhas inquietações e dúvidas pergunto a mim mesmo: sou feliz assim?

E eu não sei responder.


domingo, setembro 23, 2012

Our Window


"São 4 horas da madrugada e as coisas estão a ficar pesadas. 
Ambos sabemos que este é o final, mas nenhum de nós está preparado. 
Falas como um estranho e eu não sei o que fazer.
E eu sou insensível e cruel para todos, menos para ti.

A primavera pode ter os mais cruéis dos meses.
Sim, estávamos a prometer demasiado,
Como na promessa que me deste na qual disseste que amar-me-ias sempre.
Mas ambos sabemos que pelo Outono ficas da cor das folhas secas.

E as estrelas a brilhar pela nossa janela,
Já passou algum tempo desde que olhei para as estrelas.

Não creio que este seja o fim, 
Mas eu sei que não podemos continuar"


sexta-feira, setembro 21, 2012

A Propósito de Touradas


Nunca fui defensor das touradas mas também nunca manifestei opiniões radicais em relação ao assunto. Hoje em passagem pelo facebook não consegui deixar de ficar indiferente e dei por mim a ter uma vontade muito pouco "racional" de esbofetear uma série de pessoas. Mas acabei por deixar apenas a minha opinião, já que todos podemos ter uma. 


 CITAÇÃO 
"Antitaurinos existiram sempre, mas há 10, 15 anos existe o 'animalismo', que tem a ver com uma doença grave da nossa sociedade, em que as pessoas tentam transportar a sensibilidade e o sentimento do que é racional e humano para o animal. E isto porque a nossa sociedade está doente. Existem cada vez mais indivíduos sós, com mais problemas psicológicos, em que a sensibilidade, o sentimento, a relação humana é difícil de alcançar. É difícil sentir e relacionar-se. Por este facto, os animais domésticos são a salvaguarda e a bóia de salvação de muita gente, que tenta transmitir a ideia de que também o toiro é um animal doméstico, o que não é. Transportar este sentimento para um animal irracional é totalmente estúpido." Maestro Victor Mendes, 2011 

 Ao que respondi: 

Para mim doentio é a presunção de superioridade do ser humano em relação às outras espécies. Para além do sofrimento gratuito infligido ao touro em prol de um momento de diversão (!?), no final de contas as touradas não passam de uma manifestação de superioridade de uma espécie que se auto-denomina de "racional" contra uma "animal". Só por essa razão o confronto já se torna desigual já que nós é que estamos dotados de uma rede sináptica muito superior. Mas se calhar é mais confortável um confronto destes em que o vencedor está claramente decidido desde o início e onde o touro, o máximo que pode fazer, é reagir a provocações que nem percebe de onde vêm, mas lá está, quem é ele para entender estas coisas, afinal ele não está lá para pensar. O Maestro Victor Mendes e os seus restantes seguidores deveriam, talvez, no topo da vossa superioridade, ter a humildade de perceber que se calhar o que é doentio não é "transportar a sensibilidade e o sentimento do que é racional e humano para o animal" mas sim a necessidade de querer colocar a nossa espécie num arrogante pedestal, nem que para isso tenhamos de inferiorizar uma outra espécie qualquer. Em relação a isso, aconselho esta leitura. http://www.mariuzapregnolato.com.br/?cont=faq_sobre_o_complexo_de_superioridade (as pessoas racionais não se vão ofender certamente)

segunda-feira, setembro 10, 2012

Summer In The City

Fez no passado dia 7 quatro anos que desembarquei nesta cidade de Lisboa. Não foi uma decisão tomada em cima do joelho, mas foi um tiro no escuro. Foi uma fuga de uma ilha que já era pequena demais para mim, pois sempre achei que o mundo era muito mais do que um pedaço de terra rodeado de mar. E foi inspirado por esse sentimento de claustrofobia e pela magia e encanto pelo desconhecido que comprei a viagem para o novo mundo. Estava convencido que não seria uma aventura em vão, que seria algo para durar, e quem sabe, para nunca mais voltar. Por essa razão, fiz questão de me despedir convenientemente daquilo e daqueles que me tornaram no Pedro dos 23 anos acabados de fazer. Na família, ninguém me criticou nem me tentou dissuadir. Entre o encorajamento da Avó Juliana, que sempre me disse que há um mundo maravilhoso "lá fora" para conhecer e a apreensão contida da Norberto e da Julianinha, fiz as malas sem segundos pensamentos. Dos amigos, despedi-me com um "Viva La Vida", saltado e cantado em plenos pulmões, como se o Dj soubesse exactamente que aquela era a música mais oportuna para aquele momento.
A despedida parecia tão simples como quando se apanha o "Lobo Marinho" para o Porto Santo, mas desta vez o barco não pararia na ilha dourada. E desta vez as mães verteram uma lágrima porque sabiam que o destino era um pouco mais distante. E naquele barco estávamos eu, o Marcelo e o Roberto ávidos de uma nova vida, guiados por diferentes perspectivas. Foram 23 horas de viagem, mais uma do que o previsto. Eles ficaram em Portimão, eu segui para Lisboa. De autocarro até Sete Rios, de metro até o Chiado, de elevador, o da Bica, até a Rua da Boavista onde fiquei cerca de duas semanas, na casa do Diogo. Foram duas semanas muito preenchidas pelo calor do final do Verão e pela liberdade que esta cidade proporciona. Depois mudei-me para um apartamento em Benfica com o Roberto e o Marcelo. Era um T2 transformado em T3 e para nós parecia um palácio apesar de ser a pior casa por onde passei. Foram apenas dois meses, em que vivemos numa espécie de comunidade de emigrantes madeirenses, pobres mas felicíssimos. Não tardou a chegar a Laura, com quem partilhei o meu quarto, a Lisandra e o Amândio para o quarto do Marcelo e ainda, por pouco tempo, a Vanessa como terceiro elemento no quarto mais divertido de todos os tempos, onde passei a dormir num colchão que trouxe da rua, depois da Tia Helena entrar no seu prédio para não ser associada ao sobrinho que resolveu adoptar um colchão sabe-se lá de quem. Foram dois meses intensos, com muitas histórias para contar, relatadas pelas imensas fotografias que fomos tirando ao longo das 8 semanas em que me tornei um Hitler da lida da casa, porque afinal de contas, alguém tinha de impor as regras naquele T3 improvisado. Havia sempre alguém a esquecer-se de trocar o rolo de papel higiénico ou a esquecer-se de lavar a loiça que sujava. E houve incidentes com formigas, telemóveis e vizinhos que chamavam a polícia. No fundo, foi por obra de um qualquer Deus que toda a gente saiu ilesa daqueles 2 meses de convivência. Seguiu-se a casa do Carlos, perto do Adamastor. Consegui ficar com o quarto maior e convencer a Laura a ficar no quarto interior, já não me lembro bem com que argumentos. Já estava no centro da cidade como tanto queria mas nunca me senti realmente em casa ali. Ainda nos divertimos muito também, mas muitos aborrecimentos surgiram com as comidas que os "outros" nos comiam e a lida da casa que nunca era feita por ninguém. Senti-a como uma casa de passagem. Em casa, senti-me quando me mudei (definitivamente) para a Madalena. Um pequeno T2 num 4º andar com possibilidade de trepar para o telhado e desfrutar dos ares da Baixa de Lisboa. A minha vítima dessa vez foi o Rúben, que felizmente, gostava de fazer a faxina e não me comia os chocolates nem as bolachas como a Laura fazia com as "melhores bolachas do mundo", que, fazendo publicidade, são do Pingo Doce. Passou pouco mais de um ano até passar a morar com o Tiago, naquele mesmo 4º andar, mas em menos de um ano, mudámo-nos para a Sé, onde somos imensamente felizes no meio de um Bairro histórico, perto do Castelo, da Sé Catedral, de miradouros e ruínas romanas. 
Em termos profissionais, tentei entrar para a TAP, não resultou na altura, então fui fazendo que ia aparecendo. Ao contrário de muitos amigos meus que vejo com o rabo sentado no sofá de casa, orgulho-me de ter feito diversas coisas mesmo que fora da minha área de estudos, desde trabalhar no bar de uma discoteca, servir num casamento, fazer trabalho de secretariado numa escola de línguas, ensinar segurança rodoviária a crianças pelo país fora, e finalmente, dar aulas em escolas e treinos no Holmes Place. 

Hoje olho para trás e recordo com alguma saudade muitas destas coisas que vivi nestes 4 anos. Não me arrependo de ter "fugido" da Madeira e muito dificilmente regressarei às origens. Cresci tanto. Não sou uma pessoa com o bolso mais cheio do que quando cheguei cá, muito por culpa das constantes mudanças de casa e dos concertos e viagens que tanto desejava ver e fazer. Não me arrependo nem um instante desses "desfalques". Já vi Nouvelle Vague, Mika, Jason Mraz, Regina Spektor, Diana Krall, Norah Jones, Deolinda (492 vezes), Luísa Sobral (576 vezes), Beyoncé, Coldplay (2 vezes), Amália Hoje, The Gift, Colbie Caillat, Katy Perry, Noah and The Whale, Sugababes, The Strokes, Lykke Li, entre outros. Infelizmente já deixei passar Madonna, Lady Gaga, Rihanna, Goldfrapp, Bebel Gilberto, Garbage, Feist e ainda me auto-mutilo por isso. Já fui a Madrid, Londres, Roma, Berlim, Barcelona e daqui a poucos meses vou a Amesterdão, Paris e Berlim de novo, onde vou assistir a Florence and The Machine. 
Conheci tanta gente interessantíssima nestes 4 anos. Também conheci muita gente que não serve sequer de tapete para a entrada de casa. Apaixonei-me por Lisboa e assumi essa relação. Já me desencantei também mas ainda não desistimos um do outro. Como dizem os Deolinda, "Lisboa Não é Cidade Perfeita P'ra Nós", mas cá vamos sobrevivendo, sem escorregar nas pedras traiçoeiras da calçada. 

E são 3 da manhã e oiço a Regina cantar "Summer In The City". E com alguma nostalgia, letargia e até algum desencanto, ela diz-me isto que transcrevo:

Summer in the city means cleavage cleavage cleavage 

And I start to miss you, baby, sometimes 
I've been staying up and drinking in a late night establishment 
Telling strangers personal things 

Summer in the city, I'm so lonely lonely lonely 
So I went to a protest just to rub up against strangers 
And I did feel like coming but I also felt like crying 
It doesn't seem so worth it right now 

And the castrated ones stand in the corner smoking 
They want to feel the bulges in their pants start to rise 
At the site of a beautiful woman they feel nothing but 
Anger, her skin makes them sick in the night nauseaous, nauseaous, nauseaous 

Summer in the city, I'm so lonely lonely lonely 
I've been hallucinating you, babe, at the backs of other women 
And I tap on their shoulder and they turn around smiling 
But there's no recognition in their eyes 

Oh summer in the city means cleavage cleavage cleavage 
And don't get me wrong, dear, in general I'm doing quite fine 
It's just when it's summer in the city, and you're so long gone from the city 
I start to miss you, baby, sometimes 

When it's summer in the city 
And you're so long gone from the city 
I start to miss you, baby, sometimes 
I start to miss you, baby, sometimes 
I start to miss you, baby, sometimes"


quinta-feira, agosto 23, 2012

Both Sides Now - Part II

Chegado a casa, há malas por arrumar e roupa para lavar. Um monte de roupa suja espera, espalhado no chão do quarto, pelo turbilhão da máquina de lavar há já demasiado tempo. Está na hora de dividir a roupa por cores, naquele ritual sempre impreciso e incerto, não vão as cores se misturar todas e transformar as cores vivas em tons pálidos, acinzentados. Continua a ser um processo que desempenho com apreensão, daí ter recorrido a todos os meios ao meu alcance para me proteger, digo, as roupas. Escolho o melhor detergente, uso toalhitas para evitar a transmissão de cores e até leio as etiquetas. Já sofri demasiados danos anteriormente e alguma coisa tive de retirar dessas asneiras. Todos devíamos ler as letrinhas pequenas. 
Sento-me à frente da máquina e observo o rebuliço que acontece lá dentro. E consigo lembrar-me do que fiz com aquelas roupas vestidas. Lembro-me dos passeios na praia, das subidas a montanhas, das noites clandestinas adormecidas no sofá, dos passeios de bicicleta, das escapadelas para telhados instáveis, das fotografias tiradas de braço esticado e das escadas dos 4ºos andares. 

É sempre um (demasiado alto) 4º andar.

Até que aparece a espuma a turvar o interior da máquina. E penso que se calhar misturei roupa a mais, mas com sorte, talvez as cores não se misturem desta vez.


quinta-feira, agosto 09, 2012

"And I’ll say: “I love to feel that I have to be James Dean”

Nada como contar as horas e os minutos para voltar a casa. Chegando, há-que deitar fora todos os relógios e deixar o sol decidir por si próprio quando termina um dia e começa outro. Os planos são tantos e tão poucos. Está na hora de me entregar à rotina confortável dos dias nunca iguais, entre jogos de cartas, passeios de bicicleta, raquetes de praia, mergulhos, jantares na Vila Palmeira, lambecas, bolos da padaria, fotografias disparatadas e passeios no Mini Moke. É hora de calçar o chinelo e dar o passeio na Vila só porque sim. 
I'm coming home.

And there’ll be sun, sun, sun
All over our bodys.
And sun, sun, sun
I’ll die in next
There’ll be sun, sun, sun
All over our faces
And sun, sun, sun
So, what the hell
(...)
But it was fun, fun, fun
When we were drinking.
It was fun, fun, fun
When we were drunk
And it was fun, fun, fun
When we were laughing
It was fun, fun, fun
Oh, it was fun.
(...)
And will be love, love, love
Love throught our bodys.
Love, love, love
All throught our minds
And will be love, love, love
All over her face
And love, love, love
All over our minds.






"Us"


Finalmente te encontro num dos teus raros momentos de descanso. Pousaste a tua mochila e sentaste-te numa pedra, a pedra que tinha a melhor vista, não por cansaço mas porque o momento assim exigia. Abriste os braços, esticando-os o mais que podias, ergueste a cabeça para o céu e respiraste fundo mantendo os teus olhos fechados. O ar estava mais puro do que nunca, cheirava a pinheiros, cheirava a liberdade. Não satisfeita, levantaste-te e começaste a girar e girar e girar, cada vez mais rápido até ficares atordoada e caíres no meio da erva e das flores amarelas que se confundiam com as do teu vestido. Inebriada, ficaste a olhar para o céu e começaste a interpretar de que se disfarçavam as nuvens que se moviam a uma velocidade alucinante. Quantas vezes paraste para olhar as nuvens? Esse era o momento para o fazer. 
E o teu sorriso era o mais convidativo, o teu vestido o mais florido e a tua energia a mais bonita com que alguma vez me presenteaste.



"We're living in a den of thieves

Rummaging for answers in the pages
We're living in a den of thieves
And it's contagious
And it's contagious
And it's contagious
And it's contagious"

© Dave Reede/All Canada Photos/Corbis

quarta-feira, agosto 08, 2012

EU tenho um telemóvel novo

E demoro anos a escrever cenas. Ter chegado aqui através dele foi uma epopeia. Aplausos para o Pedro!

sábado, julho 07, 2012

Hoje dei-te a mão e ganhei um sorriso


Conheci-te a escalar montanhas com uma energia contagiante e foi nessa tua missão que te acompanhei nesta manhã de Sábado. Pus-me ao teu lado e apressei o passo para não perderes o ritmo. Ia ficar apenas 5 minutos para te dizer um "Olá" e pôr em dia as nossas longas conversas nesse curto espaço de tempo, mas como habitual, as nossas conversas dariam para escrever uma trilogia digna de Óscar e por essa razão fiquei mais um bocadinho. 

"Se tivesse de ler um livro neste exato momento, sobre o que gostaria de ler?" - perguntaste-me do topo da tua montanha.

"Um livro que falasse de alguém que tenha largado tudo para viajar pelo mundo, sem planos. Não é uma ideia original, mas era o que eu gostaria neste exato momento" - respondi apressadamente para acompanhar a espontaneidade com que me interrogaste. 

Passados dois anos e picos, ainda hoje falamos das minhas viagens e das montanhas que tu escalas todos os dias. Na verdade sabemos que queremos ir para o mesmo lugar apesar dos nossos caminhos parecerem tão distantes. Podem até nem se cruzar, mas são tão paralelos que quase conseguimos tocar na mão um do outro se as estendermos. 

Muitas vezes me dizes querer "escrever-me" e muitas vezes penso em fazê-lo acerca de ti também. És especial de uma forma tão original que para mim devias ser tu a personagem dos teus filmes.

Quero-te perto. Não todos os dias porque não te posso prometer uma coisa dessas, mas muitas vezes. Quero poder dizer-te para ires em frente independentemente das rochas e penhascos com que te deparas nas montanhas inclinadas que percorres. De mim terás sempre o empurrãozinho que te ajude a atingir o objetivo, quero ser aquele que não te vai deixar olhar para baixo para perceberes o quão alta e perigosa pode ser essa tua escalada. Quero ver-te ultrapassar os velhos do Restelo que se satisfazem com a mediania e os seus apartamentos no rés-do-chão. Se tiveres de cair e esborrachar pelos penhascos abaixo, deixa-te cair, eu deixar-te-ei uma corda para te poder içar novamente lá para cima. Porque ambos sabemos que o melhor fruto apenas existe no topo da montanha.

segunda-feira, julho 02, 2012

"Happiness Only Real When Shared"

Felicidade.


felicidade 
(latim felicitas, -atis

s. f.
1. Concurso de circunstâncias que causam ventura.

2. Estado da pessoa feliz.
3. Sorte.
4. Ventura, dita.
5. Bom êxito.
a felicidade eternaa bem-aventurança.

Procurei-a no dicionário e foi isto que encontrei. 
Nalguns momentos esse pode parecer o único sítio onde a podemos encontrar, mas espero não ter de recorrer muitas vezes a ele. Eu decidi ser feliz, é uma opção que eu tenho. Não preciso ser sempre, sempre a toda a hora, até porque sei que isso não vai acontecer senão não teria termo de comparação que diferenciasse as coisas boas das menos boas. Prefiro dizer "menos boas", mais uma vez alegando o cliché do "copo meio cheio", mas o que estou prestes a escrever não tem a leviandade de um cliché repetido em centenas de e-mails e frases inspiradoras. Tem na verdade uma profunda leveza que me eleva a estados de nirvana impressionantes há muito almejados. Sempre fui adepto de celebrar as pequenas coisas da vida e posso orgulhar-me de o praticar no dia-a-dia. Não somos mais que meros grãos de areia neste mundo a viver uma vida fugaz que depressa nos escorre pelos dedos e não tenho tempo nem energia para ser consumida com as irrelevâncias que não me vão ajudar a alcançar e permanecer nesse estado orgásmico que é a felicidade. 
Estou numa fase de felicidade extrema e não tenho problemas em gritar isso ao mundo, em alto e bom som. Não é minha intenção esfregá-la na cara de ninguém como uma conquista egoísta, é minha intenção e dever partilhá-la porque ela só é real quando partilhada. 

Já estão comprados os bilhetes para viajar para Amsterdão, Berlim e Paris perto do final do ano com a Sofia, a espontaneidade de viajar com ela e vaguearmos ao sabor do vento deixa-me de sorriso na cara. Vou ver a Nádia em Berlim e vamos ouvir e cantar "Florence + The Machine", mas o facto de estar com ela é o que mais me entusiasma, a prova viva de que uma amizade pode ultrapassar as barreiras temporais e geográficas e permanecer incólume, acompanhada daquele humor tão próprio de nós. Até porque a Florence eu vou poder ver na primeira fila dentro de alguns dias em mais um festival de Verão e vou poder berrar com ela que os "Dog Days Are Over". Uns dias antes vou, também na linha da frente, saborear mais uma vez a minha querida Regina e envolver-me naquela magia que só ela sabe fazer ao piano. Estou quase a regressar à MINHA ilha, ao meu âmago, ao meu porto de abrigo que é o Porto Santo, é já em Agosto e não posso deixar de contar os dias para estar com a minha família. Sinto muitas saudades do rebuliço da Vila Palmeira, a azáfama tranquila de um sítio onde nos regemos apenas pelas horas dadas pelo sol e não pelos relógios que nos orquestram o dia-a-dia durante o resto do ano. Falo muito disso com a Leonor e já temos planos para os nossos dias cheios de tudo. A minha buganvília pendurada na janela está a florescer cada vez mais e por muito estranho que isso possa parecer, sou feliz a cada flor que desabrocha, apesar de já ter perdido a conta aos botões novos que despontam a cada dia. Miguel, lembras-te daquela tarde de Sábado em que nos jogámos nos puffs da praia do Castelo a ouvir aquela banda a tocar músicas que nos encheram o peito? Prometemos repetir mas acabámos por repetir a ida a outras praias não menos deslumbrantes na semana seguinte. Recebi dois postais de aniversário pelo correio! A infalível Tia Helena, sempre fiel aos seus envelopes e postais cheios de autocolantes continua a enviar um pouco de amor a toda a família a partir da sua casa nos arredores de Londres numa caligrafia inesquecível. O outro veio da Madeira, dos edifícios Dom João, começando a tornar-se uma tradição deliciosa. E foi de lá que chegou o primeiro telefonema de Parabéns, pela voz da Julianinha, a minha querida mãe que vai com toda a certeza ligar-me logo que terminar de ler esta publicação porque é mais fácil do que comentá-la por escrito, sempre atrás de um anonimato para me deixar baralhado. O Norberto não deve ler isto, o meu blogue, e é bom que não o faça porque senão sou deserdado. Logo de seguida veio a Sofia, como não podia deixar de ser. E depois a Avó Juliana, de quem eu morro de saudades a cada dia que passa. Não esqueço a alegria e rebaldaria que acontece nos almoços na Fernão de Ornelas, onde estava grande parte da família Espírito Santo no meu dia de anos, não por ser o meu aniversário mas por ser (mais um) momento de reunião familiar à volta de uma mesa redonda que já presenciou tantos momentos fabulosos, não apenas gastronómicos. Um telefonema apenas que permitiu perceber o quão unida e resplandecente CONTINUA a ser a nossa família. Tenho um orgulho grandioso nela. E aquela tarde passada no meio da serra, entre mergulhos, vinho verde em copos que se enchiam um atrás do outro como por magia, e conversas com algumas das pessoas mais interessantes que alguma vez conheci. O dedilhar de uma guitarra durante um jogo de futebol que me fez esquecer qualquer entusiasmo que pudesse daí advir, é que eu nem quis saber se tínhamos vencido ou perdido. Estava demasiado inebriado pela grandeza das pessoas que me rodeavam, pelas notas libertadas pela guitarra e pelo ar puro que se respirava. O primeiro toque. A primeira junção de mãos. A procura de momentos a sós onde os olhares pudessem ser trocados sem restrições. O coração a querer pular cá para fora, o desejo de um beijo e mais outro e mais outro. Existe melhor cereja no topo do meu bolo do que a sensação de me estar a apaixonar? E não, não quero saber da brevidade e prontidão com que digo estas coisas, acho que toda a gente já conhece os meus impulsos e eu não sou de guardar as coisas que tenho para dizer e VIVER para mais tarde. Tarde, seria não o dizer no exato momento em que as coisas são sentidas. Não sei o dia de amanhã, nem sequer sei o que vai acontecer às 16h desta tarde, mas sei que a esta hora escrevo estas coisas com toda a certeza de que é o que quero escrever. E quando o Tiago me surpreendeu com um bolo de profiteroles na minha chegada a casa? Foi mais um daqueles momentos soberbos, até porque eu comi os profiteroles todos sem ficar com peso na consciência e aposto que também não no corpo. Essas calorias não contam certamente. O almoço à beira-mar, a luz que se fez nesse dia. A reunião de algumas das pessoas mais importantes para mim ao final do dia, naquela que foi, a meu ver, a melhor celebração da casa da Sé. Foi uma noite de consagração que exacerbou ainda mais as coisas que tenho vindo a sentir. Apercebi-me como consigo ser imensamente feliz também com a felicidade dos outros. Aconteceu quando vi a alegria e admiração estampadas na tua cara ao ouvir os "Búzios" da Ana Moura, provavelmente a mesma cara de parvo que fiz durante o "Flagrante" da António Zambujo. E como quis fotografar a cara de êxtase da Marina ao vencer pela 5ª vez consecutiva com o seu Coltraine. Acho que vivi a vitória juntamente com ela, pelo menos durante os parcos segundos em que a vi celebrar com uma alegria contangiante. Pela primeira vez, partilhei a lambreta, "eu juro que guio devagarinho, tu só tens de estar juntinho, por questões de segurança" e foi assim que aconteceu. Soube ainda melhor do eu imaginava. Atravessámos a ponte ao som das músicas que já fazem parte de um repertório que será guardado para posteridade. Partilhei genuinamente os interesses por mundos que me eram desconhecidos e consolidei a ideia do Chistopher McCandless que dá título a esta publicação. A felicidade apenas é verdadeira quando partilhada.

E eu estou feliz como há muito não estava. Feliz e apaixonado pela vida, pelos meus amigos, pela minha família e por quem me preenche o coração de tal forma que parece prestes a saltar para fora do peito.



quarta-feira, junho 06, 2012

Eu Não Quero Fazer Mais Amigos

É verdade, eu não quero amigos novos. Os antigos já me dão trabalho de sobra. Sou no geral uma pessoa muito afável e a quem se pode apresentar a amigos, familiares e levar a eventos sociais sem correr o risco de eu fazer ou dizer alguma coisa embaraçosa. Sou até uma pessoa que à mesa mastiga de boca fechada, não limpa a boca na toalha de mesa e que não põe o guardanapo de papel no colo. Consigo inclusivamente desenvolver assuntos para evitar momentos mortos com as pessoas que acabaram de me ser apresentadas sem ter de fazer referência às condições meteorológicas. Com o tempo, tenho até desenvolvido uma forma bastante credível de demonstrar interesse sobre assuntos que nem para encher chouriços me interessam, o que me pode vir a tornar numa pessoa hipócrita, mas tudo em prol da manutenção de um ambiente são entre mim e as pessoas, normalmente amigos de amigos, com quem, por alguma razão, somos "obrigados" a conviver num determinado momento. 
Por essa razão, tenho o Facebook inundado de amigos. Familiares, amigos de infância, amigos de trabalho, amigos de paródia e muitos, mas muitos amigos de amigos que se não fosse por essa razão não fariam parte dessa lista. 
Portanto, esta minha dissertação quer explicar uma determinada coisa aos meus amigos e aos "mais-ou-menos-amigos":
Eu, Pedro Alexandre Espírito Santo Andrade, sou uma pessoa que tem um problema. Sou daquelas pessoas que quando chega a casa liga SEMPRE o facebook e pouco se importa se o chat está online ou não. Ligo o computador e assim fica, mesmo que eu esteja a lavar loiça, a jantar, a tomar banho ou a coçar a micose. E há pessoas que falam comigo. E eu vou confessar aqui que apenas respondo quando me apetece. E muitas vezes não me apetece nadinha. Deixo aquilo a piscar e se me apetecer vou lá ver o que me disseram. Podia pôr offline, é verdade, mas nem sempre me dá para isso. E depois o que acontece, o que é? As pessoas ficam aborrecidas com o Pedro que as ignora constantemente. Mas algumas pessoas vão ter de perceber que nem sempre há paciência para conversa de circunstância que começa com um "Olá, estás bom?", ao qual é respondido um "Sim, e tu?", terminando com um apoteótico "Também". Percebi entretanto que o chat do facebook permite saber se a outra pessoa já leu ou não a mensagem enviada, o que invalida a desculpa do "Desculpa, só vi mais tarde quando já não estavas offline". Estou tramado.

Aproveito a oportunidade para pedir desculpas e desejar Parabéns atrasados aos meus 1015 amigos que me esqueci de parabenizar, é a minha tentativa de redenção porque estou quase a celebrar mais uma Primavera e adoro receber mensagens e telefonemas e já estou a imaginar o drama de chegar à meia-noite e ficar a olhar para o telemóvel sem que ele toque. É toda uma situação.

© W2 Photography/Corbis

terça-feira, maio 15, 2012

Spartacus








Já tinha ouvido falar do fenómeno mas nunca tinha parado para assistir, até porque a minha vida deixa de existir cada vez que me resolvo embrenhar numa série e eu tenho muita coisa para fazer e um quarto para arrumar. No entanto, durante um momento de zapping, e perante uma cena cheia de gente muito pouco vestida e um pouquinho desinibida numa festa muito pouco católica, resolvi parar para apreciar a arquitectura italiana da casa da referida festa. Sabe Deus o quanto eu gosto da cultura italiana. Completamente rendido após os primeiros minutos de total galdeirice que puseram qualquer "Eyes Wide Shut" a um canto, apercebi-me que não se tratava de um canal de bolinha vermelha, mas sim a FOX. E para melhorar a coisa, em HD, não vão os pormenores passar despercebidos. Confesso que tive de andar algumas vezes para trás graças ao maravilhoso comando do MEO e provavelmente devo ter tido a necessidade de rodar a cabeça para compreender melhor algumas partes, pois aquela realidade italiana dá a volta à cabeça de uma pessoa. Tão modernos que eles eram. De falar em dar a volta à cabeça, há todo um outro fenómeno que acontece naquela série que me deixou um pouco perturbado. Em apenas 3 episódios acho que conseguiram esventrar, decapitar ou desmembrar umas 57 personagens que eu achava que eram principais, o que para mim, que tenho memória de peixe e demoro 4 temporadas de qualquer série a decorar os nomes das personagens, me emaranhou os circuitos. Há uma carnificina a cada minuto que passa e quando as pessoas não morrem ao primeiro golpe da espada, acabam por definhar devagarinho, acabando sempre a vomitar sangue em jactos. Um bom serão, principalmente para a altura do jantar, como eu resolvi fazer esta noite com a minha salada de atum. Portanto, e resumindo, temos mulheres sensuais e marotas e homens musculados cheios de testosterona que se enrolam uns com os outros sem critério, temos malhas de intrigas, temos traidores, temos muito sangue e muito ódio e desporto. Quer dizer, uma espécie de desporto, vá. Podemos chamar desporto àquilo que acontece lá nas arenas, certo?

Arrisca-se a tornar-se no meu mais recente e bizarro vício. Odeio. 


quinta-feira, abril 19, 2012

"First Days Of Spring"



"Era mais um daqueles dias em que o cansaço se apoderara do meu corpo e tudo o que ele pedia era um banho quente de imersão e um chá quente a acompanhar. Um chá que lembrasse o tempo frio do Inverno que terminara, cuja passagem havia sido incólume, imperceptível. Tomei esse chá de mel e limão como a minha derradeira hipótese de me despedir condignamente dos dias cinzentos, entrelaçando com força os dedos das mãos engelhadas à volta da chávena. Os meus joelhos começaram a enregelar por estarem acima do nível da água fumegante e precisei encostar a chávena para atenuar o frio do ar que percorria aquela divisão da casa. Não podia chamar a Regina ou a Luísa para ligar o aquecimento central porque tinham saído até ao mercado para comprar flores frescas para as jarras da sala, nem tão pouco o Óscar, tão embrenhado há semanas na organização da festa para celebrar a chegada das andorinhas. Subitamente, contrariando todas as expectativas para aquele pesado dia, por entre os gigantescos blocos de cimento escuro colados na atmosfera, escapou-se um tímido raio de sol, logo seguido de outro e mais outro, que sem pedir licença atravessaram a vidraça e se instalaram nos azulejos baços do século XVIII que rodeavam a banheira. Senti a presença do Noé, que chegou a casa com a ligeireza de sempre. Quando ele chegava era como se viesse acompanhado de uma orquestra que, delicadamente, enchia a casa com aquela sensação de leveza primaveril e que nos permitia ouvir o desabrochar das flores. E os meus joelhos aqueceram com os raios de sol que ao bater neles, os transformaram em arco-íris sobre a minha pele. Aproveitei a música que entrara com o Noé para terminar o banho que me acabara de revigorar para o resto do dia. Um dia que, a partir desse momento, entrava em contagem decrescente para a chegada da Primavera. O Óscar não ia querer que o Mr. D. chegasse ao seu banquete sem a sua andorinha e para isso era necessário escoar o peso de mais de quatro estações pelo ralo abaixo. Para todos os efeitos, a água já estava suja e fria. E era Primavera. E era impreterível que não houvesse uma nova Primavera sem andorinhas no beiral do seu Palácio"


For I'm still here hoping that one day you may come back



sábado, abril 14, 2012

Atenção, eu não quero casar com a Luísa Sobral, apenas gosto dela assim em mointo. E também gosto de títulos enormes para as minhas publicações.

Já me cansei de usar a frase cliché "As coisas têm a importância que lhes atribuímos" mas a verdade é que para mim a Luísa Sobral é a minha cantora preferida. Não é estrangeira, não tem uma voz de Whitney Houston, não dança como uma Beyoncé da vida nem tem o rabo de uma Jennifer Lopez e ainda assim é dela que eu gosto. É daquelas paixões com quem queremos partilhar a lambreta num dia de sol até à beira rio ou até uma praia deserta. Daquelas com quem queremos ir passear o cão e deixá-lo correr à vontade sem trela pelos jardins da cidade. Daquelas com quem queremos ir tomar um chá e comer uns cupcakes num café com vista para a cidade de Lisboa. Daquelas com quem queremos espreguiçar na cama numa manhã solarenga de Sábado e tomar um brunch com sumo de laranja e tostas de queijo. Daquelas com quem queremos dar as mãos e passear com os dedos entrelaçados. Daquelas com quem queremos parar para cheirar as rosas. Daquelas em que ela é a Shirley Manson e eu o Elijah Wood no vídeo daqui de baixo. Aliás, não percebo como esta música é da Zee Avi e não da Luísa Sobral. Porque bem que podia ser.


E logo à noite, depois da fila da frente no São Jorge, da fila da frente no Sudoeste, do Casino de Lisboa e de uma tentativa falhada de vê-la na FNAC da Cascais, onde cheguei na última música, chega a altura do CCB. Não tenho a primeira fila porque não consegui, senão era mesmo lá que eu estaria. Sou o stalker nº 1 da miúda e assumo.

E é esta a minha declaração de amor à Luísa. Ponto.


quarta-feira, abril 11, 2012

"Kiss With a Fist"


Hoje estou com a neura. Já estava ontem, mas estava excessivamente neurótico para escrever sobre isso. E não, não é nada em particular, mas sim TUDO no geral. É mais ou menos isto que a Sofia falou um dia. É um bicho qualquer que está aqui dentro a remoer e que não há maneira de o cuspir cá para fora.  É uma inquietação constante que me impede de conviver pacificamente com seres humanos que me queiram contrariar. Se fosse mulher, acredito que isto deva ser o mais próximo da famosa TPM. Até agora tenho-me aguentado com um sorriso na cara, mas caso me encontrem na rua nas próximas horas ficarão já a saber que é melhor que não me aborreçam porque arriscam-se a levar um beijo com o punho. Estão no entanto à vontade para me elogiar e oferecer coisas. Não chocolates, por favor, estou em fase de comer tudo à dentada e ando a esforçar-me para não abrir as caixas de frutos do mar que tenho no armário da sala. Tenho uma barriga para mostrar no Verão, se faz favor. Ela e eu agradecemos. E provavelmente os banhistas também.
Preciso de sete dias longe do mundo, perto de ti, peço conforto de quem eu fugiiiiiiiii. Viram, até já canto isto da Sara Tavares. E se me atazanarem o juízo juro que ainda me inscrevo nos Ídolos e canto essa música ou uma do Rui Veloso ou da Adele. E vocês não vão querer isso. Não vão mesmo.

segunda-feira, abril 09, 2012

A Minha Lambreta É Pelo Mal

Anda uma pessoa a fazer declarações de amor à sua lambreta na praça pública, em paz com todas as preocupações que deu até o momento, celebrando as boas memórias e augurando muitas outras que estão para vir, para depois ela se espalhar ao comprido na Sexta-Feira Santa logo pela manhã, quando o seu dono tinha vestido a roupa da missa para ir passear com os pais. Não foi bonito, nunca é. Lambreta para um lado, Pedro para outro, desta vez com mais consequências para a rebelde motinha que ficou sem retrovisor. Sem crise, nunca precisei do retrovisor, mesmo estando lá, acabo sempre olhando para trás com a cabeça antes de qualquer manobra. Mas equivoquei-me. Uma mota sem retrovisor é o mesmo que um sorriso sem um dente da frente. Conseguimos aprender a viver com isso, mas nunca mais conseguimos impor qualquer tipo de respeito. Aposto que foi para a noite na quinta-feira e enfrascou-se a misturar gasolinas de baixa qualidade. Mas como sempre, foi incapaz de me chegar a casa de depósito cheio. 

terça-feira, abril 03, 2012

A Minha Lambreta


Já passaram 6 meses de vida em comum com a minha lambreta. Temos sido muito felizes juntos. Tirando aquele primeiro momento em que quiseste mostrar quem mandava no pedaço e me atiraste para o asfalto para tatuar os meus joelhos. Mas rapidamente nos reconciliamos e todos os dias nos cumprimentamos com um beijinho e uma apitadela.  Já adoecemos juntos e já rimos de muitos condutores de Playstation ao passar por eles no meio do trânsito, eternamente engarrafados e com um humor nublado logo pela manhã. Já quase levámos com portas no nariz, quase atropelámos peões que julgam ser super heróis e atravessar onde e à velocidade que lhes apetece. Já fomos rebeldes e atravessámos sinais vermelhos e acelerámos pela faixa do BUS como se aquilo fosse tudo nosso, sempre à espreita de algum polícia que nos apite e nos chame a atenção como naquelas vezes que fomos apanhados a andar em cima do passeio. Confesso que às vezes me aborrece o teu problema com a bebida, começa a tornar-se um vício cada vez mais caro e temos tido algumas discussões a propósito do assunto. Ainda não te estreei com mais alguém em cima, mas peço desde já desculpa ter-te deixado nas mãos de um novato, mesmo que por menos de 2 minutos e na minha Travessa com final e sem trânsito. Eu senti o medo quando voltaste ao dono, mas prometo ter mais cuidado para a próxima e certificar-me que a próxima pessoa que te acelere te irá tratar com o máximo respeito. 

Somos um acidente prestes a acontecer, mas isso é um pormenor.

"Vem dar uma voltinha na minha lambreta
E deixa de pensar no tal Vilela
Que tem carro e barco à vela
O pai tem, a mãe também
Que é tão, tão sempre a preceito
Cá pra mim no meu conceito
Se é tão, tão e tem, tem, tem
Tem de ter algum defeito
Vem dar uma voltinha na minha lambreta
Vê só como é bonita, é vaidosa
a rodinha mais vistosa
deixa um rasto de cometa
É baixinha mas depois parece feita pra dois
Sem falar nos eteceteras
Que fazem de nós heróis
Eu sei que tem um estilo gingão
Volta e meia vai ao chão
Quando faz de cavalinho
Mas depois passa-lhe a dor
Endireita o guiador
E regressa de mansinho para pé do seu amor"
Vem dar uma voltinha
na minha lambreta
Eu juro que guio devagarinho
Tu só tens de estar juntinho
Por razões de segurança
E se a estrada nos levar, noite fora até o mar
Páro na beira da esperança 
Com a luzinha a alumiar"

segunda-feira, março 12, 2012

Festivais de Verão 2012

Antes de mais nada, venho por este meio informar que ainda não morri para a vida e que apenas ando ocupado com nada em especial.

Justificada a minha ausência, venho falar das coisas que me apoquentam. Sendo que tenho dívidas para pagar, que esta  crise não pretende desamparar a loja e que o euromilhões não me sai nem a saca-rolhas, acho de uma indecência IMENSA os festivais de Verão em Portugal continuarem a ser dos melhores que se podia ter por esse mundo fora. Estamos em Março e eu estou já a pensar em como hei-de arranjar dinheiro para poder ir a todos os concertos que gostaria de ir.
Comecemos pelos concertos em nome próprio:

Feist, já na próxima semana no Coliseu de Lisboa e eu que não comprei bilhete e consta que já estão esgotados. Não sei se fico com menos peso na consciência por ter adiado e agora não haver mais bilhetes ou se me vou arrepender como aconteceu com os Goldfrapp há um ano e picos também no Coliseu. Não pensemos mais no assunto, que eu não quero aborrecer-me.

Madonna em Coimbra, bilhetes demasiado caros para vê-la do tamanho de uma azeitona, ainda para mais em Coimbra, vou deixá-la passar mais uma vez e é também um assunto proibido nesta casa.

Coldplay no Estádio do Dragão, apesar de os ter visto no ano passado no Optimus Alive, o bilhete está comprado desde o Natal e desta vez vou arrancar olhos a alguém para furar até à frente, sozinho ou com alguém que me queira acompanhar de saca-rolhas em riste.


Agora em relação aos festivais de Verão, ainda os cartazes não estão fechados e eu já tenho medo do que ainda está para vir. Este ano tiveram o condão de levar algumas das minhas bandas favoritas a festivais diferentes. Podiam tê-las condensado todas no mesmo festival para não fazer mossa na algibeira de um triste e pobre cidadão, mas não. Vamos antes extorquir o máximo do Pedrinho até ele ficar a pão e água. E pão do dia anterior, só para dramatizar a cena.

Super Bock Super Rock- REGINA SPEKTOR! Se me perguntassem qual o concerto que eu gostaria de voltar a assistir ficaria na dúvida entre Coldplay e Regina Spektor, sendo que o primeiro está despachado, eis que surge a confirmação da segunda! E apenas estes dois já farão o meu Verão. Este será outro daqueles em que vou abalroar seja quem for para ficar nas filas da frente. Já estou a contar os dias, que ainda não muitos. Com jeitinho ainda confirmam mais alguém de jeito para esse dia. 45 Euros o  bilhete de um dia.


Rock in Rio - Maroon 5! É daquelas bandas que neste momento gostaria de assistir a um concerto, já têm êxitos suficientes para encher um concerto de boas músicas do princípio ao fim. No entanto, tendo em conta os preços, provavelmente vou ter de passá-los... 61 euros o bilhete de um dia.


Optimus Primavera - Bjork! Queria muito vê-la, preferia num concerto em nome próprio, mas já ficaria bastante contente de vê-la seja em que registo for. Mas no Porto, porquê??? E nem dá para comprar um bilhete baratinho, são logo 85 euros para todo o festival. Códio, é que tenho a dizer.


Marés Vivas - Garbage! Vou bater na primeira pessoa que me falar do concerto deles, também no PORTO . É que nem tiveram a dignidade de pôr esses festivais no Norte todos juntinhos, são todos bem separados para obrigar uma pessoa a ir 48 vezes ao Porto este ano. 30 euros o bilhete de um dia, o mais simpático até agora.


Optimus Alive - Florence + The Machine! IMPERDÍVEL! E este vai rebentar pelas costuras. 53 euritos mais.


TOTAL: 254  EUROS. Haja dinheirinho. E é com apreensão que aguardo o cartaz do Cascais Cool Jazz Festival, ninguém me tira da cabeça que eles vão trazer a Adele mais dia menos dia. E o Sumol Summer Fest ainda há-de trazer o Jack Johnson só para me atazanar mais o juízo, aposto. Pelo menos o Sudoeste está a fazer-me o favor de estar com um cartaz do cocó este ano. 

Vou portanto trabalhar como um cão na esperança que tudo corra pelo melhor e que ninguém saia ferido dos acontecimentos dos próximos episódios. Adeus.