terça-feira, dezembro 31, 2013

Top + cá de casa 2013

Num ano em que o meu rico iPod perdeu a vida e tive de comprar um "novo" no OLX, a minha diversidade musical não foi a maior. A culpa é do "Mundo Pequenino" e do "There's a Flower in my Bedroom", que sozinhos açambarcaram 13 dos 25 lugares das mais ouvidas, ocupando inclusivamente os primeiros cinco lugares. Não tenho culpa de gostar MUITO do que se fez em Portugal este ano. Ao analisar os concertos que fui este ano, percebo que foi tudo "Made In Portugal": 

  • Deolinda (3 vezes) 
  • Luísa Sobral (2 vezes)
  • Carlos do Carmo
  • António Zambujo
  • David Fonseca
  • Ana Moura (2 vezes)
  • Gisela João (2 vezes)
  • Ana Bacalhau a solo
  • Cuca Roseta
  • Raquel Tavares
  • Cristina Branco 
  • Tributo a Joni Mitchell
Eh pá, agora que concluo isso reforço ainda mais, a música portuguesa é boa que dói! Finalmente consegui ir a um concerto do Carlos do Carmo, aos anos que esperava essa oportunidade. Lamento apenas ter assistido ao concerto de um ângulo meio complicado, mas hei-de ter mais alguma chance de o ouvir, até porque faltou-lhe o "Estrela da Tarde" e ainda não o perdoei por isso. A Gisela João foi a revelação do ano sem dúvida, conheci-a no Festival de Fado em Alfama onde também pude ver pela primeira vez o António Zambujo e a sua lambreta que eu tanto idolatro. Os Deolinda, esses nem vale a pena comentar, vi-os três vezes, duas delas em dias seguidos nos Coliseus de Lisboa e Porto, com direito a dois dedos de conversa a convite da Ana Bacalhau. O Coliseu do David Fonseca também foi maravilhoso! A Lúísa Sobral, se juntar as colaborações com o David Fonseca e o tributo à Joni Mitchel, vi-a 4 vezes e o São Luiz espera-me já em Fevereiro. Foi um ano bom demais para a música portuguesa.
Mas vá, num ano em que perdoei um pouco a música pop que se faz nos últimos tempos, o meu top 25 é o seguinte:

1º - "Musiquinha", Deolinda
(249 reproduções)


2º - "I Remember You", Luísa Sobral
(177 reproduções)


3º - "Seja Agora", Deolinda
(175 reproduções)


4º - "Algo Novo", Deolinda
(146 reproduções)


5º - "Hello Stranger", Luísa Sobral
(146 reproduções)


6º - "Sweet Nothing", Calvin Harris feat. Florence Welch
(144 reproduções)


7º - "I Was In Paris Today", Luísa Sobral
(127 reproduções)


8º - "Kiss You", One Direction
(127 reproduções)


9º - "Antigamente", Gisela João
(116 reproduções)


10º - "Capitão Gancho", Clarice Falcão
(109 reproduções)


11º - "Quem Tenha Pressa", Deolinda
(98 reproduções)


12º - "I'll Be Waiting", Luísa Sobral
(91 reproduções)


13º - "One Day", Asaf Avidan
(89 reproduções)


14º - "She Walked Down The Aisle", Luísa Sobral feat. Jamie Cullum
(89 reproduções)


15º - "Mom Says", Luísa Sobral
(88 reproduções)


16º - "Concordância", Deolinda
(85 reproduções)


17º - "Blood", The Middle East
(84 reproduções)


18º - "Doidos", Deolinda
(81 reproduções)


19º - "Um Só", Clarice Falcão
(80 reproduções)


20º - "The Party", Regina Spektor
(80 reproduções)


21º - "Oitavo Andar", Clarice Falcão
(75 reproduções)


22º - "One Way Or Another", One Direction
(75 reproduções)


23º - "Semáforo da João XXI", Deolinda
(72 reproduções)


24º - "I Knew You Were Trouble", Taylor Swift
(71 reproduções)


25º - "Spectrum", Florence + The Machine
(70 reproduções)



Menções honrosas para "I Love It" da Icona Pop, "Top Of The World" dos Imagine Dragons, "Pois Foi", "Gente Torta" e "Fiscal do Fado" dos Deolinda e "De Todos os Loucos" da Clarice Falcão. 
And that's all folks!

 

domingo, dezembro 29, 2013

New Year's Resolutions

Next Year things are gonna change:

1 - Gonna drink less beer and start all over again
2 - Gonna pull up my socks
3 - Gonna clean my shower
4 - Not gonna live by the clock but get up at a decent hour
5 - Gonna read more books
6 - Gonna keep up with the news
7 - Gonna learn how to cook
8 - And spend less money on shoes
9 - Pay my bills on time
10 - File my mail away, everyday
11 - Only drink the finest wine
12 - And call my Gran every Sunday


Obrigado pela lista, Jamie Cullum. Sinto-me cansado demais para pensar em listas de resoluções, até porque como diz o próprio Jamie, provavelmente não serão concretizadas. De qualquer modo é bom celebrarmos esta data de vez em quando, não deixa de ser um virar de página, um momento para fazer uma espécie de reset das coisas menos boas que nos aconteceram e renovar as esperanças de que tudo será melhor no próximo ano. Foi um ano muito mais difícil do que eu esperava, este que termina. Sim, fiz coisas muito divertidas, tive momentos belíssimos e aventuras inesquecíveis mas também foi um ano em que levei muito "tapa na cara". A mudança não vai acontecer depois de dia 31 de Dezembro, todos sabemos bem isso. 
Mas deixem-me ao menos ficar com a esperança. 
E para o ano falamos, se o Universo assim quiser.







quarta-feira, dezembro 25, 2013

Tenho um Avô cheio de humor

Aparentemente, trata-se de um belo presépio tipicamente madeirense, construído pela Avó Juliana. Mas ao aproximar percebemos que o Avô Zeca também participou, dando um toque final que deve ter deixado a Avó de cabelos no ar. Deu ao menino uma prenda repetida: ouro. Tenho uma família demasiado divertida. 
Ufa!






O PES, o Luigi e a Noite do Mercado!

Mais um Natal, mais uma noite do Mercado no Funchal. Tentei combinar com diversos amigos, mas ouvi de volta um argumento comum: "Se for contigo, vais desaparecer a meio da noite". À primeira, achei um impropério, à segunda fiquei a pensar no caso, à terceira tive de assumir que era verdade. Não tenho culpa de ser uma pessoa extremamente sociável e de todos me quererem cumprimentar. E toda a gente sabe como me comporto quando me puxam pela língua, sou capaz de demorar meia hora só para responder à pergunta "Estás bom?". Enfim, vidas. Por esse motivo, decidi que neste Natal seria mais fácil ser encontrado. Comprei um Nemo, que foi baptizado de Luigi em homenagem ao que se encontra por terras londrinas, e amarrei-o às calças. Passou a noite a sobrevoar as ruas do Funchal e a bater nas caras das pessoas por onde passava. Foi uma tarefa árdua mantê-lo vivo a noite toda, mas sobreviveu e está cheio de saúde. Partilho agora as fotografias com as pessoas com que eu e o Luigi posámos ao longo da noite. Sim, eu sou um parvo, mas divirto-me imenso.



Norberto, Julianinha e Leonor na primeira rodada de poncha. O Luigi estava ainda reticente em participar na empreitada que eu lhe reservara.


Daniela, Leonor, Rui e Duarte, a preparar a chegada da segunda poncha. O Luigi foi coagido a participar nesta fotografia.


Com a Fabiana o inacreditável foi apenas termos tirado três fotografias. Ela já não é a mesma...


A Sandra com um bonito chapéu de Pai Natal versão Paula Bobone.


Na terceira poncha já via a dobrar e o Luigi já fazia photobomb.


Era oficial, à quarta poncha, já estava tudo de pernas para o ar e o Luigi já mostrava o rabo à câmara.


A Lídia e a Natacha a esta hora estão a pensar se as histórias que lhes contei já alcoolizado eram ficção ou realidade.


Olavo, Rircado e Rui, uma divertida mistura dos sotaques madeirense e portuense.


Aquela altura em que já tiramos fotografias com pessoas que não conhecemos e que querem à viva força ficar com o Luigi, à força ou pagando. Mas o Luigi não tinha preço.


Luigi Júnior gosta de "ficar a ver". Mas a Laura acorbardou-se e não me beijou porque sabe bem que os meus beijos de bêbado não são verdadeiros.


Depois há aquela altura em que podem enfeitar-nos como árvores de Natal e só nos apercebemos disso quando descarregamos as fotografias para o computador.


Sofia Isabel, porque os últimos são sempre os primeiros, lá nos encontrou no meio da multidão e fomos enxugar o álcool no bolo do caco com chouriço.


Eis a prova de que o Luigi foi o melhor GPS que podia ter tido na noite do mercado, foi assim que Laura Sofia me encontrou. Claro que ele também serviu como forma dela me evitar, tipo "FUJAM, O PEDRO ESTÁ VINDO PARA CÁ". Eu sei que isso aconteceu.


Hoje o Luigi repousa calmamente na sala de estar dos meus pais de onde vos escrevo, e está a olhar para mim com um olhar de inequívoca felicidade porque sabe que neste Natal há bacalhau e não peixe-palhaço para o jantar.

quarta-feira, dezembro 04, 2013

Um dia no Louvre

Há um ano estava em Paris. Foi a primeira e única vez que lá fui. Foi uma viagem maravilhosa, apesar de ter ido sozinho e aquela ser uma cidade que merece claramente ser partilhada com alguém. Por essa razão, decidi que havia de lá voltar e deixei algumas coisas por fazer e alguns sítios por conhecer. Já que estava um frio do caneco, aproveitei para ir a museus, até porque gosto de ir a museus sozinho, sem a pressão de ter outros a puxarem-me o braço para mudar de sala. Por muito aborrecido que possa parecer aos olhos de alguns, posso confirmar que me divirto imenso num museu, mesmo sozinho. No Louvre tive de me  despachar, vi dois dos quatro pisos em 5 horas. Ficou metade por ver, mas havemos de lá voltar. Aqui ficam algumas das minhas pinturas preferidas do Louvre. E depois não me venham dizer que eu não sou uma pessoa cheia de cultura.



"Antes de Marconi inventar a rádio, as senhoras ouviam as notícias e as músicas da Rihanna tocando-se umas nas outras até conseguir sintonizar a frequência certa"




A criatura que vai fermosa e não segura previu que no futuro ia existir o Project Runway mas o velhote do canto gritou-lhe "You're Out!" e ele foi queimado na fogueira para aprender a não citar Heidi Klum em vão.




Provérbio popular que significa que quem arrota, provavelmente gosta de rapazes. 
Autor desconhecido.




Lição a reter, nunca joguem ao peixinho com uma mulher durante a TPM. Até porque poderá ser a última vez.




"Just a regular day in old ancient Rome". 
Eu avisei que trazer gatinhos abandonados da rua podia dar cagalhão.




You know you love me, X.O.X.O. Gossip Girl 




"Mulher solteira procura prazer nas pequenas coisas da vida, porém, sem lhes conseguir olhar nos olhos"




"Número 110"
Érica, Secret Story 4

terça-feira, dezembro 03, 2013

A carta do João ao Pai Natal



- E então João, o que pediste ao Pai Natal?

- Uma metralhadora.

- E para que queres uma metralhadora?

- Para matar as pessoas que não gosto.

- E de quem é que não gostas?

- A minha professora... e um rapaz da minha turma.

- Sabes que as crianças não podem ter armas, não sabes?

- Mas eu já não sou uma criança!

- Ai não? Então és o quê?

- Sou pré-adolescente.

- Qual é mesmo a tua idade?

- Oito. 

(aí perdi-me de riso, demasiado audível, jocoso e despreocupado para quem está perante um futuro psycho-killer)

- E não tens medo de te magoares? Imagina que ainda dás um tiro em ti próprio sem querer?

- Isso é patético.

- Tens razão, é patético. 

A parti de hoje serei o melhor amigo do João.


segunda-feira, dezembro 02, 2013

Encontros e Despedidas


"Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica"
Já perdi a conta às despedidas que já tive de viver e confesso que já estou a ficar cansado. É desgastante. Uma pessoa começa a habituar-se à presença das pessoas. Depois passa a gostar delas. E quando começa a gostar realmente muito, elas partem. Vão embora, porque vão mudar de país, porque vão à procura de trabalho ou porque vão voltar a casa. Seja pelo que for, nunca é fácil. Hoje tive de me despedir da Bianca. Não, ela não era a minha melhor amiga de todo o sempre, na verdade nunca frequentou a minha casa nem partilhámos segredos nem sonhos por aí além. Ela gosta de manter uma certa distância ao início e eu habituei-me a gostar dela assim. A sua distância não era por não gostar de mim, mas por ela ter a necessidade de ter o seu próprio espaço, no qual só entra quem ela quer. Eu soube respeitar isso e ganhei a confiança dela. Hoje somos amigos. E hoje tive de lhe dizer "Adeus". E não, o adeus não é necessariamente algo fatal nem definitivo, na verdade considero a forma mais bonita de me despedir de alguém, entregando-a nas mãos de Deus, para que a sua jornada seja abençoada e cheia de luz. 
Sejamos realistas, não sei se voltarei a ver a Bianca. Ela vai para o Brasil e nem será para o Rio de Janeiro ou São Paulo, as cidades mais óbvias à partida. As nossas vidas estavam destinadas a se cruzar e assim foi, com maior ou menos intensidade, ela teve o seu papel na minha vida e nas dos colegas que deixou chorosos no office do ginásio. Vou ter saudades e vou guardar os abraços que me deu no meu coração. E guardo-os com a felicidade de saber que também conquistei um bocadinho do seu coração. 
Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir

São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também de despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida


domingo, dezembro 01, 2013

Howl



"Detesto quando chegam estas chuvas torrenciais e a luz se vai embora e tenho de procurar as velas para iluminar a casa. Vou buscar mais lenha para a lareira, que aquece e ilumina a sala onde passamos serões a ler livros e a escrever histórias. Lembras-te da última que escrevemos, sobre aquela viagem pelos quatro cantos do mundo? Lembrei-me dela agora mesmo e dei por mim a sonhar acordada. Decidi que quando chegares a casa vamos sentar-nos junto à lareira e planear essa viagem para nós. Já tenho o papel e as canetas preparadas. Está mais do que na altura de a fazermos. Estou farta desta vida, fechada entre quatro paredes, descascando batatas, cenouras e cebolas o dia todo, entre sopas e cozinhados. Vamos aproveitar agora, enquanto não temos filhos e as pernas não nos traem. 

Já devias estar em casa a esta hora. Talvez te tenhas atrasado no trânsito da cidade com esta chuva toda. Ou se calhar fecharam alguma estrada no caminho para casa, não seria a primeira vez. Acabei por ficar cansada, fui dormir, aquece o jantar quando chegares, deixei-te escrito num bilhete para que o lesses quando chegasses. Não te ouvi chegar.




Não chegaste mais nesse dia, nem no outro, nem no que se seguiu. Sei que passavas aqui perto, senti o teu cheiro mais do que uma vez. Na verdade, sentia-o cada vez mais forte de dia para dia. Entrava pelo meu nariz violentamente e eu corria logo para a rua a ver se te encontrava. Gritei o teu nome no silêncio da noite tantas vezes e tu parecias esconder-te de mim.  Lembras-te do medo que eu tinha em sair de casa à noite? O vento nas árvores e os sons dos animais nocturnos gelavam-me até aos ossos, mas a tua ausência fazia esquecer-me de todos esse receios e eu saía na escuridão com o coração aos saltos por te saber perto. 

Passaram-se anos e tu não voltaste. Mantive esta lareira acesa todo este tempo para que a casa estivesse quente quando chegasses e o jantar na mesa. Lembro-me que gostavas da comida acabada de sair do forno. Aos poucos comecei a desleixar-me. 

Deixei de receber visitas há muito e enterrei o telefone no jardim. Preferia estar sozinha, até porque a presença de pessoas me irritava. Não cortei mais o cabelo desde a tua partida, e agora ele dá-me pela cintura. Está ficando cinzento, da cor das cinzas na lareira onde queimei as histórias que escrevemos quando me amavas da mesma forma que eu te amava. A casa é agora está fria, vazia e as paredes estão negras. 

Desisti.

Desisti da casa, desisti dos sonhos, agora desfeitos. Desisti de ti. Pior de tudo, desisti de mim. Sobrevivo agora com os lobos. Afinal eles não são tão perigosos como eu pensava. Só atacamos quando nos intimidam ou quando temos fome. E numa noite em que eu tive fome, encontrei-te e mordi-te. E só depois percebi que eras tu. E percebi que éramos iguais. Caçadores imorais. Não sei se a culpa foi tua ou minha. Tínhamos chegado a um ponto em que era impossível voltar atrás e num misto de raiva e vingança, acabei com a tua vida, tal como acabaste com a minha"


A man who's pure of heart and says his prayers by night may still become a wolf when the autumn moon is bright




sábado, novembro 23, 2013

Margarida


Hoje passei a manhã a pensar nos imensos problemas que tenho na vida. A questionar as minhas  escolhas na vida, a queixar-me do ordenado que ganho e dos impostos que pago, a reclamar deste inverno que ainda agora começou, a lamuriar a minha incapacidade de terminar as coisas que comecei, a pensar que tenho de ir ao supermercado e ao vidrão e não me apetecia nada. 
E ao início da tarde avisam-me que a Margarida morreu. Aos 15 anos, vítima de cancro na cabeça. Não, não é justo. Nem ela, nem a família, nem os amigos mereciam uma coisa destas, é duro demais. "Tanto merdas aí que só são trampa na sociedade e vai uma miúda de 15 anos que era um doce", disseram-me por mensagem, em tom de revolta. Pois, eu também não compreendo. E irritam-me tremendamente estes desalinhos do universo.
Ao pé disto, tudo o resto são pequenas merdinhas. 

Ficaremos com o teu sorriso maravilhoso, Margarida.


quinta-feira, novembro 21, 2013

O meu dia foi uma maravilha

  • Entrei às 7h da manhã e deixei  uma cama quentinha em casa a chorar por mim.
  • Tive várias (demasiadas) pessoas a faltar hoje aos treinos e eu adoro ficar à espera de pessoas que nem chegam a avisar que não vão.
  • Cheguei a casa após 11h e meia no trabalho e percebi que os telemóveis ficaram abandonados no office.
  • Tentei cozinhar salmão para o jantar que ficou todo aos bocados.
  • Os legumes que tentei fazer para acompanhar queimaram.
  • Pus batatas no forno para acompanhar os bocados de salmão que consegui resgatar, mas deixei-as cair, ficando no chão, misturadas com estilhaços do prato onde estavam a assar.
  • Tenho a casa para limpar mas tenho dores nas costas.


Sendo que quase metade das coisas que referem-se a trabalho e a outra metade aos meus dotes e habilidades na cozinha, decidi não querer saber mais de trabalho nem de telemóveis hoje e comer bolachas, sentado no sofá, quietinho, para não correr o risco de fazer mais porcaria. Para piorar, não há chocolate em casa. Mas eu vou sobreviver. Espero.

quarta-feira, novembro 20, 2013

Uma Reclamação, Uma Celebração e Uma Obrigação

Hoje paga 1, leva 3. 

Começo pela Reclamação:

Para ter os nervos à flor da pele basta ver um jogo da seleção de Portugal. Para ficar com os nervos ainda mais à flor da pele basta juntar redes sociais a isso. Por esta altura já poucos portugueses desconhecem a infeliz campanha que a Pepsi na Suécia resolveu realizar nas redes sociais, que basicamente consiste em aniquilar o Cristiano Ronaldo, seja amarrando-o numa linha de comboio, através de voodoo ou esmagando-lhe a cabeça com uma lata de pepsi.





Tudo coisinhas bonitas. 
Ok, eu confesso que adoro um bom humor negro de vez em quando, mas eles arriscaram  e aconteceu o que eles não queriam. Aborreceram a fera e todos sabemos que o Cristy fica pior que o Hulk quando lhe pisam os calos. E pimba, foram 3, só para não  se ficarem a rir. 
A Pepsi em Portugal veio logo desculpar-se, também nas redes sociais, não fez mais do que a sua obrigação, apesar de já nada apagar o que havia sido feito. De qualquer modo, eu já não bebia Pepsi mesmo.



 Agora a Celebração:

ESTAMOS NO MUNDIAL, PORRA!

Não seríamos Portugal se não sofressemos até ao final! O Ibrahimovic ainda quis assustar, mas nós apreciamos mil vezes mais as vitórias sofridas. Sempre fomos assim, um país que vai do drama à euforia num tirinho. Mas vá lá, o nosso fado era mesmo estar presente no Mundial de 2014 no país irmão. Até já tenho planeado na minha cabeça como será a trajectória toda. Passamos em 2º lugar no grupo inicial, com uma vitória garantida nos últimos minutos do 3º jogo, depois apanhamos a Inglaterra ou a Holanda nos oitavos de final já que costumam ser presas habituais e que só nos ganham mesmo se fizerem Voodoo à séria.  Nos quartos de final arrumamos com a Argentina com um hat-trick do Ronaldo só para mostrar quem manda na zona. Para as meias-finais reservei a França porque temos contas a acertar com esses gauleses. Para a final, claro, fica o Brasil e o Pepe vai marcar o penalti decisivo, que vai bater nos dois postes e entrar. 


Termino com a Obrigação:

É IMPERDOÁVEL o Cristiano não ganhar a Bola de Ouro este ano. Não ganhou a Liga Espanhola nem a Liga dos Campeões, é verdade. Mas o minorca ganhou a Bola de Ouro numa época em que o Barcelona ganhou menos troféus que o Real Madrid, portanto não me parece  argumento muito válido. Por muito bom que seja o Messi, e é, não compreendo como é que tem 4 Bolas de Ouro contra apenas uma do Cristiano. Digam o que disseram, o Cristiano é um jogador mais completo, é que nem há discussão nesse assunto. E  nem vou falar de outros possíveis adversários para o prémio porque nem faz sentido  meter mais nenhum ao barulho. Não querendo ser pessimista, tenho dúvidas, ainda assim, que o prémio vá para ele. Mas elogio-lhe a atitude enquanto jogador dentro de campo e como homem fora dele, mesmo com Blatters e Platinis da vida desejando sem grande segredo que não seja ele a ganhar, mais uma vez. 


As estatísticas mostram tudo. E os recordes, esses, "são para ser batidos". Venham mais alguns!



terça-feira, novembro 19, 2013

Tributo a Joni Mitchell



No passado dia 14 fui ao CCB assistir ao concerto de tributo a Joni Mitchell. Confesso que não sou um fã acérrimo da cantora,  por não lhe conhecer a discografia e descobri há pouco tempo que é artista plástica e que pinta quadros maravilhosos, como este que aparece no bilhete do concerto e que eu adorava ter na minha sala, mesmo antes de saber que tinha sido pintado por ela. Na verdade não sei porque nunca me deu para explorar o mundo fabuloso de Joni Mitchell, já que as 4 ou 5 canções que lhe conheço são absolutamente fabulosas.  Aguçada a curiosidade, e juntando-se o facto deste concerto contar com um elenco maravilhoso, comprei o bilhete sem pensar duas vezes e fui até ao CCB na passada quinta-feira. Não estava lotado, o que digo já, foi uma grande pena. Corrijo, um desperdício.
Não conhecia a maioria das canções, é verdade, mas fui de coração aberto e foi dessa forma que as 10 cantoras pegaram nos temas da artista homenageada. 
Toda a gente sabe da minha adoração à Luísa Sobral e à Ana Bacalhau, mas seria completamente injusto atribuir-lhes os pontos altos da noite, isto porque é difícil escolher apenas um. "The Circle Game" foi brilhantemente interpretado pela Aline Frazão, Cati Freitas e pela Fábia Rebordão (a Fábia está magra, linda de morrer e com a mesma voz arrasadora que lhe conheci na Operação Triunfo), a Manuela Azevedo cantou "A Case Of You", recentemente interpretada pela Ana Moura no "Desfado". A Márcia, a Luísa Sobral e a sua harpa tornaram o "River" num momento de arrepio.  A Luísa já o havia feito quando no Natal passado se lembrou de juntar imensas cantoras portuguesas para uma versão dessa canção, mas ao vivo e num ambiente intimista, ganha dimensão diferente. A Sara Tavares, igual a ela própria, conseguiu cunhar as músicas que interpretou com o calor e o ritmo que lhe corre nas veias. Foi g-e-n-i-a-l! Por tudo o que esta canção significa para mim e pela soberba  entrega da Amélia Muge, posso confirmar que foi o momento do "Both Sides Now" que me emocionou ao ponto de me deixar de olhos humedecidos. 
Já com todas as cantoras em palco e com a própria Joni Mitchell a cantar em pano de fundo num vídeo de 1966, terminaram com o "Just Like Me". 

Obrigado por se terem lembrado. Saí do CCB com o coração cheio.



domingo, outubro 06, 2013

Um Sábado como outro qualquer

Felizmente o dia 5 de Outubro já não é feriado. E escrevi felizmente porque precisava tirar horas da minha vida para  poder meter-me na Loja do Cidadão, mais precisamente à segurança social. Aproveitei então o Sábado, a "única" folga do mês de Outubro para tal efeito. Para evitar filas muito grandes, fui 40 minutos antes para os Restauradores, provavelmente a pior Loja do Cidadão para se ir. Estava uma manhã gloriosa, com uma luz linda de Sábado. Sabe tão bem "respirar" Lisboa pela manhã. Até que me deparei com uma fila de quilóoooooometros, vá, muitos metros, demasiados para aquela hora da manhã. Peguei na revista "Sábado" e pus-me a ler para passar o tempo. E só agora ao escrever isto me apercebo da ironia de ler a "Sábado" num Sábado de manhã. Aproveitei para acordar 492 amigos com mensagens onde desabafava ter mais de 100 pessoas à miha frente. Mas menti-lhes. Só tinha 100. Eu era o número 101, o que me deu para ir tomar o pequeno-almoço. Voltei, ia no 14. Fui a casa fazer coisas, voltei, ia no 64. Fui ter com amigos a um café, voltei, ia no 85. Fui ao Chiado comprar café, voltei, ia no 95. Esperei. Nisto, já tinham passado cerca de 3 horas e meia. Fui atendido. Tinha duas situações para resolver, uma delas, disseram-me que não era ali, a outra, não tinham informação para me responder.  Enfim, vidas. 

Aproveitei a boa energia do dia para não me aborrecer com isso e fui aproveitar as horas que me restavam. Consegui numa só tarde conhecer duas coisas novas em Lisboa: o miradouro de Monte Agudo e o Palácio de Belém. O miradouro, mais um belíssimo spot para um final de tarde com uma vista maravilhosa para Lisboa, nunca teria dado com ele, é um "segredo" bem escondido da nossa cidade. E o Palácio de Belém, aproveitei estar aberto por ser dia 5 de Outubro e fui assistir ao concerto da Gisela João, o segundo que vejo no espaço de três semanas. Não deu para conhecer bem os jardins do Palácio, mas pareceu-me ser um sítio onde eu me conseguia habituar a viver com alguma facilidade. Estando presente, pelos motivos óbvios, o Presidente Cavaco, pensei que aquilo pudesse dar cagalhão, e na volta, fui preparado para uma batalha campal com o  capacete na cabeça. Não tendo havido manifestantes nem pedras pelo ar, o capacete acabou por não ser necessário, mas nunca fiando, continuo a achar que fiz bem em levá-lo. 



segunda-feira, setembro 30, 2013

Sea Lion Man

Hoje vi um senhor a nadar. Mas não era um senhor qualquer. Este senhor tinha um bigode que parecia uma escova para carpetes. Apesar do peso de baleia azul, o bigode assemelhava-o a um leão marinho, apesar deste ser um eufemismo pouco lisonjeador. Não fosse já essa imagem o suficiente, quando ele tirava a cabeça da água para respirar, parecia estar a pedir que lhe lançasse um peixe. E eu ri-me imenso para dentro e um bocadinho para fora, um riso impossível de conter, até porque eu tinha mesmo a possibilidade de lhe lançar um peixe... de plástico. Tive de parar de rir sozinho,  conter-me para não ir buscar o peixe e pensar numa possível medicação, porque uma mente como a minha está certamente à beira de um colapso. Mas lá vou sendo feliz no meu mundinho de estupidez.



Eu é que sou o Presidente da Junta


Hoje fui exercer o meu direito de voto, algo que não acontecia há cerca de 6 anos. Não que eu não quisesse ter participado nas últimas duas eleições para Primeiro-Ministro, mas porque para o fazer teria de me deslocar ao Funchal. E após cinco anos nesta cidade que tanto gosto, pude finalmente ter voz activa no seu futuro, apesar de já todos sabermos o quão avassaladora seria a vitória do António Costa. Eram 9h quando encontrei o local de voto na Rua dos Bacalhoeiros. Não estava mais ninguém, era muito cedo e a minha ex-freguesia é pequenina, não deve ter muitos votantes.
Ninguém, mas ninguém me tira da cabeça que o Rui Moreira é o Phill Dunphy do Modern Family e o António Costa o Dr. Hibbert dos Simpsons. E foi com esse pensamento que fui dormir.

domingo, setembro 29, 2013

Livro de Reclamações


Hoje, em três conversas diferentes falei da pouca tolerância das pessoas nas mais variadas situações do dia-a-dia. E eu próprio cheguei a uma conclusão: eu também sou uma pessoa intolerante. Sou intolerante à intolerância. Sim, é contraditório, e pode levar-me a deixar de suportar a minha própria pessoa. Mas vá, é a intolerância que eu mais tolero. Tendo um trabalho que me obriga a lidar com muitas pessoas a todo o momento, há-que tomar uma dose cavalar de paciência ao pequeno-almoço que persista até ao final do dia. Há quem reclame porque está frio ou calor, porque ora querem assado, ora querem cozido, porque faz sol ou faz chuva, porque querem ir para a esquerda ou para a direita, porque se faz ou não se faz, porque se diz ou não se diz. E a minha reclamação é a seguinte:

PÁREM DE RECLAMAR GRATUITAMENTE, POR FAVOR!

Há pessoas que devem sonhar à noite sobre as reclamações, críticas ou queixumes que pensam fazer logo pela manhã. A começar no trânsito, com a impaciência de quem está inevitavelmente entalado à hora de ponta numa manhã de chuva, onde obviamente, todos se lembram de sair de carro, e mesmo assim acham que apitar desenfreadamente vai fazer os carros da frente desaparecer como por magia. E a buzina de um automóvel tem o mesmo efeito que um despertador pelas 6h da manhã, estraga qualquer possível bom humor que pudesse existir na manhã de uma pessoa. Depois as pessoas que não podem esperar como todas as outras pela sua vez num café, num supermercado, numa loja, num departamento das finanças, e que julgam ser detentores do super poder da presunção que as faz merecer ser atendidas primeiro por terem uma vida muito preenchida. Temos ainda os ultra-conservadores, resistentes a qualquer tipo de mudança que assumem que "antes é que era". Mas esquecem-se que antes caçávamos o próprio jantar, que queimávamos na fogueira quem não acreditasse em Deus, que o conceito  de higiene era um banho semanal, que ir virgem para o casamento era quase uma lei, que farmácia se escrevia com "ph" e que para comunicar com pessoas longe de nós implicava escrever uma carta e esperar dias a fio para receber uma resposta que esperávamos não se perder no caminho. Mas o ontem parece ser sempre melhor, com a censura do Estado Novo, os poços de lavar roupa à mão, as saias pelos tornozelos e as aulas de Power-Jump, Body-Attack e Body-Combat, agora trocadas por umas horripilantes aulas, em quase tudo iguais. 
Sou apologista que possamos ter uma voz activa, que possamos reclamar quando tem de ser, que não nos conformemos com as imposições dos outros, mas tenho dificuldade em compreender qualquer tipo de crítica que não tenha um carácter construtivo. Sejam críticos, primeiro de tudo, convosco próprios. Depois questionem o que vos rodeia, até porque a evolução não acontece sem interrogações. Não suporto a arrogância da crítica fácil e gratuita. Apresentem, procurem soluções, ou simplesmente aceitem novas realidades. Dois dedos de humildade nunca fizeram mal a ninguém e muitas vezes poupam um embaraço desnecessário. 

E das três conversas que tive hoje com amigos e colegas sobre o assunto, a última foi sobre uma reclamação que fizeram sobre mim, envolvendo empurrões e agressões. Pelo menos é o que está escrito. O que vale é que já ganhei alguma tolerância à estupidez humana e já não vivo na época do "olho por olho, dente por dente", porque se assim fosse, alguém bateria com os dentinhos no lancil do passeio.

Agora é hora de ir dormir que amanhã tenho de acordar cedo para ir votar e assim, poder reclamar daqui a uns meses das pessoas que elegi para Presidente da Câmara e Junta de Freguesia. Porque bons ou maus, os políticos serão sempre alvos fáceis de uma ira de um povo que gosta de trabalhar 5 horas por dia, com direito a hora de almoço e dois intervalos para café. 

Ups, cá estou eu a ser irónico.
Pronto, já está. Não doeu.





sexta-feira, setembro 27, 2013

Bela Adormecida



Passei toda a minha vida a fazer piada com a minha mãe por adormecer em qualquer sítio onde se senta. Todos os dias, depois das tarefas domésticas feitas, sentava-se no sofá para ver a telenovela, algo que quase nunca chegava a acontecer.  Vi-a adormecer em diversos sítios e ocasiões inusitadas. Assim de repente, lembro-me de um almoço de Natal em Santana e de pelo menos duas missas do Galo, o que demonstra que a Julianinha não precisa de um sofá para entrar no mundo dos sonhos, até um frio e duro banco de igreja serve para tal efeito. Enfim, os belos momentos galhofeiros que a Julianinha proporciona em público, alguns deles devidamente registados em fotografia. Fotografadas estão também as maravilhosas sestas do Avô Zeca, outro elemento Espírito Santo que não resiste a uma(s) boa(s) passagem pelas brasas onde se senta, normalmente com a dentadura quase a cair. 
Mas o karma é lixado, e o universo tratou de me castigar por todos esses momentos de zombaria. E agora, eis que me descubro a ser o representante desta linhagem. Consigo adormecer em todo o lado, em qualquer casa, qualquer assento, em qualquer ocasião. Deixei de ir ao cinema frequentemente, não pelos bilhetes terem aumentado os preços nos últimos tempos, mas porque existe 90% de chances de eu adormecer. À custa dessa maldição, não consegui ver nenhum "Harry Potter", os dois primeiros do "Senhor dos Anéis",  "As Horas" tentei umas 5 vezes sem sucesso, o mesmo número de vezes que tentei ver o "Dancer In The Dark", mas à quinta consegui. Podia enumerar mais alguns (muitos) filmes que não consegui passar dos 10 minutos, mas estou a ficar com sono. Quando tenho de acordar às 6h, e não são poucos os dias,  não descanso enquanto não sei onde e quando terei a oportunidade de dormir uma sesta para poder aguentar o dia inteiro. Antes vivia pensando que dormir era um desperdício de tempo de vida, agora vivo sonhando com momentos livres para dormir. A fotografia desta publicação não é recente, tem três anos, quando ainda morava na Madalena e adormecia com o computador ligado ao colo, e prova que também existe quem me fotografe em momentos de vulnerabilidade. E bem sei que isto acontece por ter muitas vezes um dia agitado e desgastante, mas esta semana, em apenas três dias, consegui combinar dois jantares em minha casa com amigos e adormecer em ambos no sofá por volta das 23h. Até que os convidados me acordaram para se despedirem. Sou uma Paula Bobone no que toca a receber pessoas em casa, um requinte. 
Sou ao mesmo tempo, uma Bela Adormecida dos tempos modernos.



domingo, setembro 22, 2013

Caixa Alfama 2013


Este ano não fui ao Super Bock, ao Sudoeste, nem sequer ao Optimus Alive. Mas fui ao Festival de Fado. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Troquei as esperas de horas sentados no chão à espera do início do primeiro concerto para guardar bons lugares à frente, por uma cadeira a uma distância que não me permitia ver as caretas da Gisela João. 
De costas para o rio e para a lua quase cheia,  de frente para uma Alfama iluminada, um pouco mais inundada do que o normal pelos trinados de guitarras, a noite começou com a Gisela, por quem me apaixonei à primeira  vez que ouvi uma música dela. Não conhecendo mais nada do seu repertório, sorvi o concerto com a alegria de quem ouve música boa pela primeira vez. Depois, já sem a responsabilidade de uma estreante, a Ana Moura, encheu a plateia com a sua elegância e a voz grave de quem já alcançou e sedimentou o seu lugar na música deste nosso país. Não cantou o "Fado da Procura" nem o "Até o Verão", mas eu cantei-as à mesma na minha cabeça. Dispensei o Camané e esperei pela noite de Sábado. Numa noite já não tão quente, a bairrista Raquel Tavares abriu as hostilidades com o sangue na guelra de quem vive (em) Alfama. Dedicou uma música às pessoas de Alfama e eu demorei alguns segundos a perceber que aquela também seria para mim! Cuca Roseta foi uma agradável surpresa, já que não a conhecia. Terminado o seu concerto, corri com a Sofisabel para as filas da frente à espera do Zambujo e a sua lambreta. "Algo estranho acontece" quando aquele homem começa a cantar. A sua voz inebria sem entediar, encanta, embala-nos, põe-nos com um sorriso bobo na cara. Uma delícia.

E mais uma vez, senti uma comichãozinha boa na barriga por viver nesta cidade e nestes bairros antigos, por sentir-me parte das 1001 histórias que eles têm para contar e por me saber fadista, à minha própria maneira.

terça-feira, agosto 27, 2013

"Olinda estás à janela, com a tua linguinha à lua, não me vou daqui embora sem levar uma melga tua"

Fui à casa de banho. Como sempre, a primeira coisa que faço, é olhar pela janela para contar o número de Olindas na parede em frente. Diz-se por aí que é um dos melhores spots de Lisboa para se apanhar mosquitos. Eu acho lindamente elas se esparramarem na parede da frente e não nas paredes da minha casa, não que elas me assustem particularmente, mas porque para fungagá da bicharada, já basta o que elas fazem naquela parede e caso elas passem a fronteira, a Sé tornar-se-ia num cenário de guerra em dois segundos. Mas sendo as Olindas o mais próximo de animal de estimação que posso ter, ainda gasto alguns minutos de vez em quando a olhar para elas como se estivesse a assistir a um documentário da National Geographic. E hoje apercebi-me de duas coisas maravilhosas: uma, é que a Olinda mãe procriou; a outra é que assisti a uma emboscada que terminou com um mosquito na barriga da Olinda mãe. E esta foi a maior emoção que tive nos últimos dias.

Obrigado e adeus.

quarta-feira, agosto 07, 2013

"É P´ró Menino e P´rá Menina"


O anúncio do OLX e a sua musiquinha tornou-se mais viral e irritantezinho do que o famoso anúncio do "Venha ao Pingo Doce de Janeiro a Janeirooooo" e dou por mim inúmeras vezes a cantarolar o "É p'ró menino e p'ra menina" para infortúnio de quem me rodeia. É incontrolável. É para mim o "Gangnam Style" da publicidade, podemos até não gostar, mas infiltra-se nas nossas mentes para todo o sempre. 
O que é um facto é que funciona para o que interessa, ou seja, fez-me utilizar o site para procurar algo que eu desejava há algum tempo: um iPod clássico.
Pifei o anterior nem sei como, não caíu ao chão (tirando há muitos meses, quando caíu da mota em andamento e mesmo assim sobreviveu), não se molhou como o telemóvel, nem foi roubado como a lambreta. Foi mesmo de morte súbita e não lhe cheguei a fazer autópsia. Devido à crise que assola a minha carteira, decidi pesquisar no site do OLX à espera de encontrar algum igual ao antecessor, apesar de duvidar muito de compras em 2ª mão, especialmente de tecnologias. Afinal de contas, como saberemos se está realmente em condições? E se estão todos bons, porque encontramos vários a diferentes preços? Mas gastar cerca de 260 euros num iPod Clássico de 160 gigas estava fora de questão. Claro que não precisava de tanta memória, mas a Apple vai deixando de produzir os modelos anteriores e vemo-nos obrigados a comprar o que há. Ipods nanos estavam fora de questão, "once you go black..." e os com ecrã táctil aborrecem-me porque sou daquelas pessoas que gostam de carregar nos botões sem ter de olhar para o ecrã, e com essa tecnologia, se o fizer, entro em pastas labirínticas que nem sabiam que existiam no ipod ou no telemóvel. Sou um conservador. Pois bem, após alguns dias de pesquisas e negociações, encontrei um que me parecia viável e combinei a compra. O ponto de encontro era a Estação do Rossio. Era fácil, eu entregava o dinheiro, o Ricardo entregava-me a mercadoria. Por momentos, não sabia se estava num blind date ou a viver uma experiência à Sara Norte. No momento da troca, preparei-me para ter de correr atrás do rapaz, não fosse ele entregar-me um iPod de plástico do chinês. Mas não foi preciso, enquanto eu verificava a operacionalidade do iPod, o Ricardo contava o dinheiro. E foi assim que ocorreu a transação, sem ninguém precisar correr, chamar a polícia ou esfaquear o outro. Fiquei um pouco surpreendido ao aperceber-me que não sou o único disléxico a nível musical. Encontrei a história toda da "Alice no País das Maravilhas" de Carrol Lewis lida em inglês, música clássica representada pelo Tchaikovsky, The Beatles, Ella Fitzgerald, Norah Jones, Florence + The Machine, Lisa Ekdahl, Rachel Yamagata, Carminho... e depois coisas como Michel Teló, Psy, Backstreet Boys, Barbra Streisand e Céline Dion. Acreditando que o iPod pertenceu realmente ao Ricardo como ele diz, gostaria de ter tido a oportunidade de lhe elogiar o (algum) bom gosto musical, mas vá, quem puser o meu iPod no aleatório também vai encontrar bimbices iguais ou piores, há-que assumir.
O que é um facto é que o negócio valeu a pena. O iPod está impecável, com menos riscos do que qualquer um dos meus anteriores após uma semana de utilização e custou-me menos de metade do valor de loja.
E fui para casa feliz a ouvir o "Gangnam Style", porque eu lá no fundo, e às vezes à superfície, tenho um apelo por brejeirices.

Três dias depois, encontrei o Ricardo no metro e tive a oportunidade de lhe agradecer. Mas já sem Céline Dion na playlist.



sexta-feira, agosto 02, 2013

La Cage Dorée


Já passou um ano desde a minha última ida ao cinema. Não que eu não goste, mas porque é algo que eu sou incapaz de fazer. Passo a explicar: herdei do Avô Zeca e da Julianinha a incapacidade de me manter acordado mais de 5 minutos sempre que me sento num sofá. Mas ontem foi diferente. Estava bastante entusiasmado com "A Gaiola Dourada" pelas mais variadas razões. É um filme passado em Paris, aquela cidade pela qual me apaixonei, perdoem-me o cliché, no ano passado quando a visitei pela primeira e até agora, única vez. É filme sobre portugueses e com portugueses. É um filme que apela aos sentimentos que nos são familiares, às nossas raízes, ao fado, à saudade. Não tendo a dimensão internacional do emigrante português em França, consigo rever-me um pouco nessa mescla de sentimentos, afinal de contas, estou fisicamente distante da terra que me viu nascer e daqueles que me são queridos. Eram mais do que ingredientes necessários para me fazer querer estar no primeiro dia de exibição do filme. E assim foi.
E apesar da expectativa já ser elevada à priori, o filme conseguiu surpreender-me ainda mais do que aquilo que eu esperava. A fotografia está maravilhosa, os cenários estão soberbos, os planos geniais. Quem preste atenção aos pormenores vai conseguir encontrar a portugalidade a cada cena que passa. Desde o jornal "A Bola", a cerveja Sagres, um retrado da Amália sobre a cama, o assento com bolinhas de madeira no banco do carro, entre muitos outros. 
Quem vê o filme pensa que não podiam ter sido escolhidos melhores atores para as personagens. Parece que foi escrito de propósito para eles - Rita Blanco, Joaquim de Almeida, Maria Vieira são provavelmente os nomes mais conhecidos, mas há espaço para todos brilharem. 
Entre a nostalgia, a emoção e a gargalhada sincera, saí do cinema com um sorriso e uma leveza de espírito. E agora até decidimos que se vai falar francês no Principado da Sé! 

Je suis enchanté!